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Doping de Cris Cyborg pode matar de vez o (crescimento do) MMA feminino

Jorge Corrêa

O sucesso do MMA feminino se confunde com a carreira de Cris Cyborg. Quando ela estava no ápice, parecia que finalmente o esporte seria levado a serio entre as mulheres. Mas agora, com sua suspensão por uso de doping, a modalidade corre sério risco de voltar ao esquecimento de anos atrás.

Entenda a ascensão e queda do MMA entre mulheres e como Cris pode matar de vez o crescimento do esporte.

O estouro de Cyborg para o mundo veio em agosto de 2009 com a luta contra a musa Gina Carano – ídolo do público nos EUA muito mais por sua beleza que por sua técnica como lutadora. A brasileira nocauteou a norte-americana de forma contundente e chocou a todos com sua explosão de golpes.

Esse combate emblemático foi seguido por mais duas grandes vitórias (contra Jan Finney e Marloes Coenen) completando três lutas em menos que um ano. O público reconheceu em Cris um dos grandes nomes do MMA e ela foi elevada à posição de melhor lutadora de todos os tempos, com elogios de toda a imprensa especializada e prêmios.

Mas então veio o declínio. O MMA feminino profissional não possui material humano suficiente para que se façam grandes torneios ou grandes lutas em um curto espaço de tempo. Assim, o Strikeforce não achava adversárias que aceitassem enfrentar Cris.

Isso, somado à “aposentadoria” de Gina Carano – que foi investir na carreira de atriz – foram 18 meses sem lutas de Cyborg e sem grandes notícias ou histórias de MMA feminino. Até foi criada uma nova categoria feminina no Strikeforce, mas com ninguém que comovesse o público.

Com a aquisição do Strikeforce pelo UFC, as mulheres perderam ainda mais espaço. Dana White nunca escondeu que não faz gosto por lutas entre moças.

O último suspiro foi a volta de Cyborg em dezembro passado, com um nocaute em 16 segundos. Mas a esperança durou menos de um mês. A curitibana foi flagrada no antidoping por uso de anabolizante, a vitória foi cancelada e ela vai perder seu cinturão. Dana já avisou que isso deve acabar de vez com a categoria pena no Strikeforce.

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Rudimar Fedrigo, mentor e empresário de Cris, já avisou que a lutadora vai pedir uma contraprova do antidoping, mas o estrago já está feito – não há histórico de resultados diferentes em exames do tipo no MMA. A carreira dela está em risco, assim como todo o trabalho feito para o desenvolvimento do esporte.

Nesse momento, existem dois caminhos para a modalidade se reerguer: (1) A musa Gina Carano voltar lutar (2) A luta entre Miesha Tate e Ronda Rousey pelo cinturão da categoria galo, em março, empolgar o público. A conferir.

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