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Anderson projeta volta às origens e cita Capitão Nascimento

UOL Esporte

Por Maurício Dehò

Não tem jeito, Anderson Silva terá de ficar explicando até dezembro, mês da revanche, tudo o que ocorreu no octógono do UFC 162, quando foi nocauteado por Chris Weidman. Mas, apesar de ficar revisitando sua primeira derrota na organização, o Spider já tem olhado para frente. Analisar o que passou, tirar lições e trabalhar para corrigir os erros. Em duas entrevistas neste domingo, uma para Marília Gabriela e a outra à rádio Beat 98 FM, ele falou sobre isso.

No “De Frente com Gabi”, Anderson revelou que ficou quatro dias sem dormir, que reviu a luta por diversas vezes: “fiquei mal”. Ele voltou a citar o erro técnico de não dar um passo atrás para ajudar em sua esquiva, no momento em que uma esquerda de Weidman o pegou direto no queixo. Agora, a hora é de mudanças.

“Já estou mudando muita coisa para a revanche. Estou resgatando coisas que deixamos de lado – treinando mais boxe tailandês, jiu-jítsu, wrestling. Estou buscando voltar às origens”, afirmou o ex-campeão dos médios, recordista de defesas de cinturão no Ultimate.


Gabi ainda questionou se o resultado adverso, com as provocações exageradas, gerou alguma bronca do presidente do Ultimate. “Não levei dura do Dana White, não. Temos nossos momentos de arranca rabo, mas ele é um paizão pra todos nós. Ele falou 'olha, quando quiser parar você vai parar. mas não é isso que você quer agora. se fosse a gente ia saber'', contou ele.

Anderson ainda citou a rivalidade com Vitor Belfort e afirmou que vê o compatriota “frustrado” em não ter uma chance pelo cinturão. “Quando um brasileiro luta, eu sou 100% Brasil. Partindo dele, é natural, já que ele busca ser campeão na mesma categoria que eu. Talvez ele se sinta um pouco frustrado. Prefiro pensar que ele achava que eu ganharia e se sentiu decepcionado, como todos os brasileiros”, comentou o Spider.

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Capitão Nascimento, sempre ele

Anderson Silva gosta de citar frases de Capitão Nascimento, protagonista de “Tropa de Elite”. Foi assim no UFC Rio 1, quando venceu Yushin Okami e disse: “nunca serão, jamais serão”. E agora o personagem vira motivação para o lutador tentar esta prometida volta às origens.

No programa “Mundo da Luta”, da radio carioca Beat 98 FM, o lutador brincou: “Vou imortalizar mais uma frase do Capitão Nascimento: ‘Eu caí, mas caí pra cima!’.

Ele também comentou que o contrato do UFC 162 previa revanche em caso de vitória ou derrota. “No contrato tinha que quem ganhasse iria dar a revanche ao outro, então haveria a luta. Se isso não estivesse no contrato eu daria um tempo maior, descansaria e refletiria sobre as artes marciais, sobre o treinamento e a filosofia da arte marcial, que eu sempre tive.”

Anderson e Chris Weidman voltam a se enfrentar no Hotel MGM Grand, em Las Vegas, no dia 28 de dezembro, pelo UFC 168. A noitada ainda terá a disputa de cinturão feminino, entre a campeã Ronda Rousey e Miesha Tate, também uma revanche.

Veja mais algumas frases interessantes do Spider no “De Frente com Gabi”:

“Caiu a ficha rápido, dois dias depois as coisas começaram a ficar mais claras.”

“Começa a ficar cansativo. Não os treinos, as lutas, mas a atmosfera. As pessoas acham que podem cobrar, e insistem que eu tenho que ganhar sem parar.”

“Não fiquei triste com os comentários sobre a derrota e sim sobre a luta ser arranjada.”

“Acredito que a atmosfera de antes me atrapalhou um pouco. Não é desculpa, errei e tenho que assumir meu erro.”

“Eu sempre tenho medo de entrar ali. A gente vê muitas coisas nos treinos, bobas, colegas que acabam se machucando.”

“O Ronaldo me ajudou muito, falando comigo: 'fica calmo, aconteceu, foi bom pra ver onde errou e tal'.”

Foto: Carol Soares/SBT/Divulgação