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Belfort tem lampejo do passado e mostra por que merece adeus digno do MMA

Jorge Corrêa e Maurício Dehò

(Foto de Buda Mendes/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Dono de cinturões em duas categorias diferentes do UFC e um dos grandes responsáveis pela massificação do MMA no Brasil e no mundo, Vitor Belfort finamente assumiu o inevitável: chegou a hora de parar.

Perto dos 40 anos e com mais de duas décadas de carreira como lutador profissional, o carioca admitiu que a idade chegou depois de ser nocauteado pela terceira vez consecutiva, agora pelo americano Kelvin Gastelum, 14 anos mais novo, na luta principal do UFC Fortaleza, no último sábado.

O principal sintoma de que chegou a hora dele para é claro: o queixo de vidro. Vítor não consegue mais absorver os golpes que leva na cabeça como antigamente. É um efeito clássico de qualquer esporte de combate que tem o rosto como principal alvo. Claro que é algo que pode ser trabalhado e melhorado, mas aparentemente ele sentiu que não consegue evoluir mais nesse sentido. Belfort assumiu que seu corpo não se recupera mais rapidamente.

O triste é que essa nova derrota avassaladora eclipsou algo bom no jogo de Vitor. Depois de ter apenas andado para trás e se defendido nas derrotas para Ronaldo Jacaré e Gegard Mousasi, ele finalmente mostrou o espírito de seus velhos tempos,? voltou a atacar e acertou bons golpes rápidos – marcas de sua carreira – em Gastelum. Mas acabou vítima do seu queixo fraco, com dois knockdows antes de ser nocauteado.

Logo após a derrota no Nordeste, ele afirmou que tem mais uma luta em seu contrato no UFC e que essa será a última de sua carreira. Então começa a corrida para que ele tenha uma despedida digna do octógono que ele tanto ajudou a ficar famoso.

Belfort e o UFC precisam avaliar muito bem as condições para esse combate final, pois se tem alguém que merece deixar o MMA com uma boa impressão é o brasileiro.

Vimos que ele não consegue mais bater de frente com um jovem prospecto, como foi no último sábado, e também não tem mais punch para enfrentar um top 5 da categoria, como Jacaré ou Mousasi. Mas também não seria honroso ele pegar alguém de fora dos 15 melhores do ranking.

Alguém mais rodado e que já tenha uma história no UFC seria perfeito, com Belfort fazendo uma grande preparação, sem se apressar ou querer marcar logo essa luta para apagar o que aconteceu no último ano.

Há nomes como Rashad Evans, ex-campeão que recentemente lutou como peso médio, também vem de série de derrotas, mas conserva um nome forte no Ultimate. E por mais que o timing não seja mais dos melhores, talvez a luta perfeita ainda fosse a revanche contra Anderson Silva. Muita gente pagaria para ver esse combate novamente e poderia ser a luta principal de qualquer evento no Brasil.