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Arquivo : dezembro 2014

Com atalho e sem dramas, brasileira luta para ir direto ao cinturão
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UOL Esporte

Claudia Gadelha

Claudia Gadelha

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Por Maurício Dehò

O Brasil está perto de colocar uma mulher na briga por cinturão do UFC. E não é na categoria galo, a primeira criada pela organização e que tem Amanda Nunes, Jessica Andrade e Bethe Correia em boa fase. No recém-criado peso palha é que a chance está mais próxima. Claudia Gadelha faz seu segundo combate no Ultimate neste sábado, em Phoenix (EUA), e uma vitória a colocará contra a primeira campeã de sua divisão. É o que os patrões prometeram.

Claudinha tem algo a comemorar: o atalho que ela pegou que a permitiu fugir dos dramas do TUF, o reality show do UFC. Se, por um lado, ela não pôde ser a primeira campeã peso palha da história do Ultimate, por outro, evitou se colocar em uma situação em que ela saberia que “não ia dar certo”, por conta das intrigas e brigas que o programa gera, além da exigência física do seu curto período de gravação.

Gadelha só observou do sofá de caso enquanto todas as suas possíveis futuras rivais se digladiaram na casa do UFC em Las Vegas – e houve muita rixa, lágrimas e aquelas brigas típicas de reality shows. Na Nova União, no Rio, manteve seu treino normal e encara Joanna Jedrzejczyk um dia depois de ser definida a primeira campeã peso palha. A final do TUF será realizada na sexta-feira, em Las Vegas.

“Estou assistindo e dando graças a Deus de não ter entrado na casa”, ri Gadelha. “É muita confusão, muito drama… Eu sabia que não ia dar certo. Eu não ia me dar bem com elas. Fiquei aliviada em relação a isso também quando o Dedé (Pederneiras, técnico) me avisou que eu não ia. Já não me dou bem com algumas delas, se juntasse tudo dentro de uma casa, não ia dar certo.”

Tanto Claudia quanto as garotas que foram para o reality show eram do plantel do Invicta FC. A brasileira não entrou no TUF por considerar que não tinha condições físicas de perder o peso e bater o limite de 52 kg diversas vezes em um período tão curto, como exige a disputa do programa.

Nem tudo é vantagem, a exemplo de Claudinha não poder lutar para ser a primeira campeã peso palha. “Eu também fiquei atrás em relação ao marketing, à visibilidade que está em cima delas, mas tive a vantagem de não passar pela casa, por essa maratona e estar na boca para disputar o cinturão”, explica ela, que também tem o detalhe importante de precisar bater Joanna a todo custo e torcer para nenhuma grande rivalidade do TUF ofuscar a oportunidade prometida pelo UFC.

A organização não queria, originalmente, marcar luta para a brasileira, mas achou melhor colocá-la em ação mais uma vez e dar mais legitimidade ao seu title shot, já que Claudia só tinha um combate no Ultimate, a vitória por pontos contra Tina Lahdemaki, em julho.

Hoje, Claudia Gadelha tem 12 vitórias e está invicta, tendo triunfado duas vezes por nocaute e seis por finalização. “Minha rival de agora é boa na trocação, foi seis vezes campeã mundial de muay thai, é bem contundente. Mas acredito que tenho o antídoto pro jogo dela, que é encurtar e jogar da média pra curta distância, não a deixar fazer o jogo dela”, analisou a brasileira.

Ronda no futuro?

Questionada se poderia enfrentar Ronda Rousey no futuro, em uma luta na categoria de cima, Claudia diz que tudo pode acontecer. O foco, é claro, está no peso palha por um bom tempo, mas nada impede que um desafio para uma superluta possa ser considerado em um momento oportuno.

“Já lutei uma vez como peso galo, contra uma menina que hoje é do UFC, e venci. Hoje me achei no peso, estou forte e é onde quero ficar, mas, no futuro, quem sabe não pode acontecer algo assim”, afirmou Claudinha.

Sobre o estilo de Ronda como campeã e sua pose de durona em frente às câmeras, a brasileira acha que é só tipo: “Ela vende a imagem dela muito bem. Não acho que ela é marrenta daquele jeito, quem a conhece me diz que ela não é. Ela vende essa imagem: ela vai, fala e faz. E está muito acima de todas as outras da categoria, mesmo. Eu só tenho a agradecer pelo que ela fez pelo MMA feminino.”


Nocaute brutal mostra por que os tiros de meta são proibidos no UFC
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UOL Esporte

Por Maurício Dehò

Um dos golpes que mais gera debate quanto à sua legalização ou proibição é o tiro de meta. E ele continua sendo usado em algumas partes do globo. O evento asiático One FC é um dos que permite seu uso. Nesta sexta-feira, dois nocautes tiveram chutes na cabeça, quando lutadores estavam no solo. A brutalidade do desfecho de uma dessas lutas mostra por que é cada vez mais raro que se permita sua aplicação.

A luta em questão foi entre Eduard Folayang e Timofey Nastyukhin. Ainda no primeiro round do combate de pesos leves, Nastyukhin conseguiu acertar uma bela joelhada voadora em seu rival. Folayang foi parar no chão, zonzo, e foi atingido por um chute muito forte na cabeça. O árbitro já se aproximava para interromper a luta, mas Folayang, que já estava desacordado, ainda tomou outro golpe de raspão:

No gif é possível ver um replay por outro ângulo:

O outro combate que acabou com tiros de meta foi o do ex-UFC Brandon Vera. Ele encarou Igor Subora lutando como peso pesado. Também no primeiro round, encaixou um soco certeiro e terminou a luta com três chutes em Subora, caído:

No combate principal da noite, o brasileiro Bibiano Fernandes conquistou mais uma vitória e manteve seu cinturão dos pesos galo.

O triunfo veio no segundo round, quando Bibiano pegou as costas de Dae Hwan Kim, envolveu o pescoço e teve sucesso no estrangulamento. Com 16 vitórias e três derrotas na carreira, ele ampliou sua boa fase e não é batido desde 2010 – são oito triunfos consecutivos.

Para completar, quem voltou a vencer foi Roger Gracie, que teve uma passagem bem ruim pelo UFC – fez só um combate, com derrota para Tim Kennedy e foi demitido. O membro do clã nobre do jiu-jítsu conseguiu um nocaute contra James McSweeney, com um chute frontal – estranho – e socos.


Garçonete, luto pela namorada e ‘ex-morto’: os causos do UFC 181
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Por Maurício Dehò

O UFC 181 chega com duas disputas de cinturão e todos os olhos voltados para estes combates, com Johny Hendricks, campeão dos meio-médios, cedendo a revanche a Robbie Lawler, e o peso leve Gilbert Melendez desafiando o dono do título Anthony Pettis. Mas, além das estrelas, o evento tem alguns causos escondidos no card preliminar, com lutadores enfrentando dramas e/ou mostrando superação em busca de um espaço entre os grandes.

1. Josh Samman: luto pela namorada
Quem está em um momento mais delicado é o norte-americano Josh Samman, de 26 anos. Sua namorada morreu em um acidente de carro, em 2013, e o assunto ainda não é bem digerido pelo peso médio. Isso porque ele assume parte da culpa pelo ocorrido. Josh e Hailey Bevis costumavam trocar mensagens a todo momento, e isso incluía quando estavam dirigindo.

“Um mau hábito”, ele admitiu, ao MMAJunkie. E foi esta prática condenável que vitimou Hailey. “Sua última mensagem foi às 8h36, e às 8h41 havia um policial na cena do acidente. Então, sempre carrego responsabilidade sobre isso”. Samman participou do The Ultimate Fighter 17 e foi bem visto. Assim, conseguiu uma vaga no UFC e venceu sua estreia, em abril de 2013, nocauteando Kevin Casey. Será seu primeiro combate desde então, contra Eddie Gordon.

2. Ashlee Evans-Smith: a garçonete
1525030_531431366187_751565464_nÉ de se imaginar que quem chegue ao UFC dedique-se integralmente ao MMA, treinando, comendo e descansando conforme a exigência do esporte requer. Ashlee não pode se dar a esse luxo. Por isso, segue como garçonete, mesmo estreando na organização. Ex-lutadora do World Series of Fighting, ela tem 3 vitórias e está invicta. Mas quase deu um tempo do MMA para poder se sustentar.

“Na verdade, eu quase parei. O WSOF me colocou na geladeira. Então, lutei e voltei para a geladeira. Era desencorajador. Eu estava trabalhando muito no bar para me garantir. Foi aí que recebi o chamado do UFC”, contou ela, à FOX. Uma vitória contra a ex-TUF Raquel Pennington pode mudar esta realidade. É o que ela espera para provar a si mesma que o MMA é seu caminho certo.

3. Alex White: infância problemática (e a vez em que o garoto bebeu gasolina)
AlexWhite_HeadshotHoje Alex White é um lutador com duas lutas no UFC (estreou vencendo e perdeu a seguinte) e está com a vida mais estabilizada. Mas, quando garoto, as coisas foram complicadas. Certa vez, quando ainda estava na pré-escola, o garoto bebeu gasolina. O líquido estava num pote de leite e causou queimaduras nas suas pregas vocais, prejudicou sua audição e sua fala. Mais que isso, ele foi dado como morto três vezes no atendimento, antes da ida ao hospital, e também quando foi tratado pelos médicos : “não resistirá até as 22h”, disseram eles.

Mais tarde, ele viveu parte da adolescência na rua, até que descobriu as artes marciais e conseguiu deixar este passado para trás. Alex, que ganhava uma mixaria trabalhando no McDonald’s, a princípio praticava boxe, e depois rumou para o MMA, em 2009. No ano seguinte, virou profissional e construiu um cartel respeitoso. Chegou ao UFC invicto, com um histórico recheado de nocautes e finalizações e só caiu ao enfrentar o brasileiro Lucas Mineiro. Agora, pega Clay Collard em busca da sua 11ª vitória.


Campeão do UFC diz que ‘erro amador’ de Anderson causou fratura na perna
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Por Maurício Dehò

Foi meio que um erro amador. Ele (Anderson) chutou uma perna que estava em posição de defesa, e isso é algo básico no kickboxing. Digo, ele provavelmente fez isso milhões de vezes em sua vida, mas era o momento errado para isso. O ângulo errado, a pressão errada. Mas isso não me faz chutar de forma diferente”.

Segundo o campeão dos leves do UFC, Anthony Pettis, foi um “erro amador” que acabou gerando aquela lesão impressionante de Anderson Silva no fim de 2013, durante sua revanche contra Chris Weidman. Um especialista em chutes e um lutador forte no taekwondo, o norte-americano foi questionado pela rádio HOT 97 e avaliou o ocorrido.

Pettis luta neste fim de semana no UFC 181, que tem duas disputas de cinturão. Ele coloca o seu em jogo contra Gilbert Melendez; na luta principal, Johny Hendricks, campeão dos meio-médios, faz revanche contra Robbie Lawler.

No programa de rádio, Pettis foi perguntado sobre a segurança deste tipo de chute baixo e se ver uma lesão tão complicada como a de Anderson o faria mudar seu estilo. Mas negou. E lembrou uma contusão parecida

“Foi feio. Mas, foi feio como quando um jogador de basquete torce ou quebra um tornozelo. ‘Você não pode enterrar desta maneira’. (Falar) isso não está nem em questão. Eu uma vez sofri um chute no joelho que rompeu meus ligamentos. Mas isso acontece. Fiquei sem chutar por seis meses. Foi um aprendizado sobre mim mesmo.”

Enquanto isso, Anderson Silva mostra que está plenamente recuperado e postou vídeo chutando forte com a perna que fraturou: