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Arquivo : vitor belfort

Não acabou. Belfort diz que UFC ainda o quer na briga pelo cinturão
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Maurício Dehò

“Eles me ligaram, o Lorenzo e o Dana, no dia seguinte. ‘Vitor, queremos saber como você está’. Eles sabiam que foi um ano e meio difícil, eu me adaptando a tudo isso. Muitas mudanças. (Perguntaram:) ‘Você quer fazer mais um ‘run’ (corrida) ao cinturão?’. Eles sabem do meu potencial, queriam saber se eu topava. Eu sei que na categoria ainda estou entre os tops. E não vou mentir, não vou só para fazer. Se eu for é para ganhar o cinturão

Já com uma cabeça bem diferente do que se viu em relação àquele frustrado e cabisbaixo Vitor Belfort que deixou o octógono nocauteado por Chris Weidman no UFC 187, o veterano carioca já começa a planejar seus próximos passos. Aposentadoria? Definitivamente não. Uma corrida pelo cinturão? Se depender do UFC, sim.

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Em um bom papo com Flavio Canto, no Sensei SporTV, Belfort analisou sua luta com Weidman, admitiu falhas técnicas, principalmente no chão, e definiu seu principal erro naquele combate – em que teve chances ele próprio de nocautear o campeão – como “ter ido com sede demais ao pote”.

Não usei o que eu tinha de melhor, a minha experiência. Eu fui com muita sede ao pote. A luta, quando foi para o chão, houve erro técnico. Eu não conseguia me mexer. Eu sentia a dor no meu ombro e não conseguia me mexer. E ele é muito bom. Tirar o mérito do Weidman não dá.”

Sobre as palavras que indicavam a chance de uma aposentadoria, Belfort explicou:

“A frustração era muito grande, aquele momento é de tristeza. Quando recebi o carinho e o afeto do público… Por isso foi bom vir para o Brasil logo depois, sentir o carinho com o Vitor não atleta, mas pessoa. Naquele momento, eu não via vontade, eu via frustração. Foi sincero naquele momento. Mas hoje, como falei para a Joana, eu já fiz o que tinha a fazer no esporte. Agora é o que me dá vontade, o que me faz querer treinar”, afirmou ele, sendo categórico sobre um adeus ao esporte. “Pensando melhor, não penso nisso não.”

Por Vitor, uma revanche poderia ser marcada agora mesmo. Mas, bom homem de negócios que é, o ex-campeão dos meio-pesados e dono do cinturão de um GP dos pesados do UFC sabe que não funciona assim. No momento, ele aguarda para ver quem a organização quer no seu caminho, para decidir qual o próximo passo de sua jornada.

“Eu sei tudo o que fiz de errado. Toda vez que eu vejo essa luta eu penso: eu quero de novo, eu quero ir de novo e lutar com ele. Se fosse do meu ver, marcava uma revanche, mas existe um mercado, uma organização. Tem que seguir certas coisas.”

Chris Weidman encara Luke Rockhold, conforme foi anunciado pelo UFC na última semana, em sua quarta defesa de cinturão dos médios. Ainda não há data e local para o duelo. Vitor ainda não tem novos desafios marcados, mas já recebeu desafios, principalmente de Gegard Mousasi.


Como Chris Weidman está acabando com a velha guarda do Brasil no UFC
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Jorge Corrêa

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort

Se perguntarem 1000 vezes para o campeão os médios, ele responderá 1000 vezes que não há nada pessoal com lutadores brasileiros. Mas o estrago que Chris Weidman está fazendo no legado de alguns dos maiores nomes da “velha guarda” brasileira no UFC é algo irreparável.

Leia também: Vitor deixa chance final de título com amnésia de jiu-jítsu e mancha do TRT

O norte-americano está no auge de sua forma física e técnica, como vimos no UFC 187. Mais que isso, parece que a cada luta ele consegue incrementar ainda mais o seu jogo. Ele é um lutador de MMA moderno, com uma formação orgânica em todas as áreas das artes marciais, mas com uma fortíssima base na sua luta de origem, wrestling. Dessa forma, fica cada vez mais difícil de vencê-lo conforme o tempo passa.

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Os lutadores brasileiros foram caindo, um após o outro, vítimas de um rival que eles não conseguiram prever corretamente o que poderia fazer. Anderson Silva, com 38 anos na época, Vitor Belfort, com a mesma idade, e Lyoto Machida , um pouco mais novo, mas muito rodado, sentiram a força de uma juventude que eles não estavam acostumados a enfrentar.

Anderson Silva enfrentou um rival o qual ele não conseguiu entrar na cabeça, o que fez com quase todos os seus adversários. Claro que o ex-campeão também sempre se garantiu na porrada, mas seus jogos mentais sempre foram seu forte. Weidman simplesmente deu de ombros para as provocações do brasileiro e o nocauteou.

Com uma inteligência de luta cima da média, o norte-americano se preparou para todas as armas de Anderson, inclusive as mentais. No segundo combate, ele também levava vantagem e já tinha conseguido um knockdown quando aconteceu o acidente da fratura da perna do brasileiro.

Contra Lyoto Machida, ele usou sua força mental apenas para se concentrar no combate, não precisou travar batalhas não-físicas com o ex-campeão dos meio-pesados. Mas foi contra ele que o campeão se mostrou um atleta completo de MMA. Lutou por 5 rounds em alto nível, não morreu no gás, recebeu duros golpes e soube absorvê-los, derrubou, jogou no chão, trocou em pé. Fez de tudo um pouco e manteve o cinturão.

No último sábado, ele mostrou que sabe conjugar da melhor maneira possível sua força mental e física. Vitor Belfort, com um discurso motivacional parecido com o de Weidman, foi presa fácil. Pareceu uma criança enfrentando um profissional. Mais uma vez o norte-americano até foi golpeado, mas seguiu em frente e viu um rival aterrorizado e sem reação com essa situação.

Apenas agora ele pode ter um pouco de novidade brasileira em seu caminho. Ronaldo Jacaré não é um menino, tem 35 anos, mas é um atleta com uma visão mais fresca do MMA. Esqueceu seu lado campeão mundial de jiu-jítsu para se tornar um lutador completo nos últimos anos. É a última chance do país de retomar o cinturão dos médios das mãos de Chris Weidman.


Vitor deixa chance final de título com amnésia de jiu-jítsu e mancha do TRT
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Maurício Dehò

Poucas semanas antes do UFC 187, Chris Weidman foi condecorado com sua faixa-preta em jiu-jítsu. Apesar de já ser um lutador reconhecido por finalizações, com boas posições lhe rendendo vitórias, pareceu curioso, até engraçado, ele receber sua faixa na mesma época em que pegaria um pupilo de Carlson Gracie, que ganhou a honraria quando o atual campeão dos médios nem pensava em ser lutador de MMA. Mas, foi justamente a arte suave a área mais frustrante no jogo do carioca neste fim de semana, o detalhe que não apenas definiu seu resultado, mas também deu fim ao que certamente foi a última chance de cinturão de sua carreira.

Leia também: Como Chris Weidman está acabando com a velha guarda do Brasil no UFC

Vitor Belfort, aos 38 anos, teve uma performance que acabou sendo muito abaixo do que se esperava dele, mas ainda pode ter mais algum tempo no UFC. É legítimo querer se despedir por cima, aceitar lutas no peso de cima, pegar veteranos, resolver questões antigas… Mas, falar em título já é coisa do passado para ele, que tem que se “contentar” com seu título no GP dos pesados aos 19 anos e o cinturão nos meio-pesados. Lenda, Vitor já era. E vai se manter. Mas sem o feito de ter cinturões de três categorias no escritório de sua casa.

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Um problema na derrota de Vitor é que ele dependia dela para apagar uma sombra, praticamente uma mancha em sua carreira, que foram os “asteriscos” que surgiram em suas últimas vitórias, quando seu físico era beneficiado pelo uso do TRT. Apesar de nocautear brutalmente e enfileirar três rivais com seus chutes, muita gente – inclusive Weidman – não engoliu os resultados obtidos durante a fase de reposição hormonal.

Assim, vencer Weidman sem o TRT era provar que não era a testosterona quem estava falando no octógono. Que, como Belfort diz, o TRT não havia lhe ensinado a chutar. O que se viu no octógono foi primeiro um Vitor com seu instinto clássico. É difícil dizer o quão perto do nocaute ele ficou contra Weidman, logo no começo da luta. Mas ele fez o norte-americano balançar e sangrar e só não ampliou o castigo porque não pegou de jeito o campeão – ou porque faltou potência nos golpes, o que seria fruto, talvez, do bendito TRT…

Mas, voltando ao jiu-jítsu, o que Belfort sofreu no chão contra Weidman é que deixou a derrota melancólica. Apesar de falar de uma lesão no ombro, o modo como foi derrubado e a total falta de ação deram a impressão de que toda a garra que o brasileiro prega fora do octógono se esvaiu quando suas costas tocaram o chão e ele entrou no jogo de Weidman.

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort
O Fenômeno já chegou a ser chamado de Vitor Belfort Gracie, por seu “pai” nas lutas, Carlson Gracie. Treinava com gente do nível de Wallid Ismail, Amaury Bitetti, Zé Mario. E agora tomou uma indireta-direta de Anderson pela internet e levou críticas de lutadores brasileiros e gringos, como a de Jacaré. “A performance do Belfort foi muito abaixo do esperado para um atleta da Carlson Gracie, ele foi derrubado e não fez uma reposição de guarda.”

Realmente, Vitor quase nada fez por ali – totalmente diferente do que aconteceu quando foi derrubado por Jon Jones, e quase finalizou o campeão dos meio-pesados. No chão, Vitor segurou um pouco Weidman na meia-guarda, mas logo acabou permitindo a montada. Levou golpes limpos, tentou, de baixo, responder com socos – dificilmente a melhor opção para alguém com sua técnica – e, tantos foram os murros do campeão e tão notável era a falta de reação de Belfort, que não restou nada ao árbitro Herb Dean a não ser parar a luta. Chamou a atenção também o abatimento do carioca com o resultado, bem maior do que se poderia esperar de alguém que sempre disse estar curtindo toda a jornada e que tem discursos motivacionais tão fortes.

O resultado mais provável do combate deste fim de semana sempre foi a vitória de Weidman, por seus recursos técnicos, inteligência e confiança. Mas esperava-se que isso acontecesse após cinco rounds amarrados, por pontos. O atraso que Belfort tomou e a forma com que isso aconteceu mostram que ele não precisou/precisa só de uma reconstrução física. Uma lenda por seu passado, Vitor Belfort terá se reinventar se quiser ter um futuro, mesmo que breve, no UFC e se despedir por cima, à altura do legado que construiu.


A queda e o castigo. Veja como Weidman derrotou Belfort no UFC 187
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Maurício Dehò

Não deu para Vitor Belfort. Apesar de um primeiro round em que começou mais forte e balançou o campeão com uma saraivada de golpes, o brasileiro acabou derrotado pelo campeão Chris Weidman no UFC 187 e perdeu a chance de tomar o cinturão do UFC 187.

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Em vídeo publicado pelo UFC, com as entrevistas pós-luta, ainda no octógono, é possível ver o que definiu a vitória de Chris Weidman. Nas imagens, o campeão consegue a queda que levou a luta para o solo e aparece montado em Belfort, castigando o brasileiro.

Como é comum nas publicações do UFC, o vídeo corta antes do momento em que houve a paralisação do árbitro. Mas, nada além do que Weidman fazia no ground and pound aconteceu.

Com o resultado, Weidman chega a 13 vitórias no MMA. Suas quatro lutas por cinturão tiveram como vítimas brasileiros: Anderson Silva, duas vezes, Lyoto Machida e agora o veterano Vitor.


Belfort evita usar lesão como desculpa e admite erros em seu jogo
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Jorge Corrêa

Um hora depois de acabada a disputa de cinturão dos médios, quando foi derrotado por Chris Weidman em menos de três minutos, Vitor Belfort tentou explicar o que aconteceu no combate deste sábado, no UFC 187, em Las Vegas.

O brasileiro revelou que lesionou o ombro no momento em que caiu durante o combate, mas ele evitou usar esse problema para desculpa para a derrota. “Foi quando eu desequilibrei e caí com a mão no chão, desequilibrei e fiquei sentido dor, mas faz parte do esporte. Acho que não foi nada grave.”

Mais que isso, Vitor Belfort admitiu que cometeu alguns erros em seu jogo, erros técnicos e táticos. “Eu estava bem, na verdade, mas quando fui dar dois passos para trás, juntei minhas pernas e não consegui fazer a defesa. Ele conseguiu a queda e acho que foi a noite dele. Ele brilhou e como atleta a gente tem que entender que faz parte.”

“Não foi como eu queria que a luta acontecesse, eu consegui ver a vitória ali na hora. De repente eu usei muito as mãos, talvez eu tinha de usar minhas pernas. Mas ele brilhou na noite dele, conquistou a vitória e parabéns para ele”, completou.

Belfort ainda admitiu que deveria ter usado mais seu jiu-jítsu quando estava no chão, mas que não conseguiu. “Eu acho que tinha [como usar o jiu-jítsu], mas agora não vou ficar chorando no leite derramado, tenho só que corrigir os erros e não posso tirar os méritos dele. Ele conseguiu pesar bem em cima de mim e na hora não consegui usar meu jiu-jítsu.”

“Acho que fiz muita coisa pelo esporte. Quando você faz muita coisa fora do octógono, vocês ganha muitos fãs. Meus patrocinadores acabaram de me ligar, disseram que estão comigo independente do resultado. É muito legal quando você vê o carinho e respeito de todos eles. O importante na vida é você nunca desistir”, finalizou.

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort


Weidman diz que sentiu Belfort se cansar: “Era como um jogo de videogame”
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Jorge Corrêa


Se antes da luta, Chris Weidman já era um poço de confiança, depois de bater Vitor Belfort em menos de 3min o deixou exultante. Foi dessa maneira que se apresentou na entrevista coletiva após o UFC 187, neste sábado em Las Vegas.

Com um enorme sorriso, disse que se sentiu em um jogo de videogame e enfrentando um chefão. “Ele começou a bater e senti que os socos foram ficando mais fraco. Vitor me pegou, mas eu continuei indo para frente, eu sabia que conseguiria de qualquer jeito. Tinha certeza que venceria”, disse o campeão.

Chris explicou que conseguiu colocar de lado todo o peso emocional desta semana, quando eles se provocaram e teve seu ponto alto na encarada da pesagem, quando tiveram de ser separados.

“Eu sou assim, não consigo não ficar afetado com esse tipo de coisa. Por exemplo a história da testosterona mais alta dele. Tinha algo estranho nisso e fiquei puto com isso. Mas consegui colocar isso de lado e focar no que tinha de fazer com essa luta”, completou.

Vitor x Anderson – A equipe do programa Pânico, da TV Band, fez uma pergunta interessante para Chris Weidman e sua resposta mostra bem esse seu novo momento de confiança. Questionaram o que ele acharia de uma nova luta entre Vitor Belfort e Anderson Silva. “Quem se importa?”, respondeu, na lata.

Mas o norte-americano mantem Anderson como seu lutador brasileiro preferido, mesmo depois de vencê-lo duas vezes. “Ele ainda me inspira muito e se estou aqui hoje, muito se deve a ele e a o que eu o vi fazendo.”


Anderson publica vídeo de treino e Jacaré critica jiu-jítsu de Belfort
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Jorge Corrêa

Foi rápida a reação do mundo do MMA à vitória de Chris Weidman sobre Vitor Belfort, inclusive de importantes nomes da categoria. Até mesmo Anderson Silva, que perdeu duas vezes para o norte-americano, deu uma alfinetada no brasileiro.

Spider não cita Belfort em nenhum momento, mas é difícil de acreditar que não tenha relação. Poucos minutos depois de Vitor ser dominado no chão por Weidman e acabar nocauteado, Anderson postou no instagram um vídeo treinando jiu-jítsu com Ramon Lemos, com ele estando por baixo.

Treino com mestre Ramon …

Um vídeo publicado por Anderson Silva (@spiderandersonsilva) em

  Nos comentários da publicação, muitos internautas apontam a possível provocação de Silva para cima de Vitor. Quem também atacou Belfort, mas de maneira mais direta, foi Ronaldo Jacaré, um dos próximos desafiantes pelo cinturão da categoria e multi-campeão mundial de jiu-jítsu.


Baú: A espetacular estreia de Belfort no MMA aos 18 anos. Nocaute em 12s
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Jorge Corrêa e Maurício Dehò


Neste sábado, Vitor Belfort pode coroar uma das carreiras mais vitoriosas da história do MMA com o terceiro cinturão do UFC em quase 19 anos lutando. Mas tudo começou quando o esporte ainda era o antigo vale-tudo. E é essa luta que vamos mostrar nestes dois vídeos.

Ele precisou de apenas 12 segundos para demolir um gigante com quase o dobro de seu peso em uma luta no Havaí. Essa grande atuação ainda lhe garantiu a ida para o GP dos pesados do UFC, quando venceu outros dois rivais enormes e muito mais pesados em uma mesma noite, conquistando seu primeiro cinturão no Ultimate.

Aproveito para reproduzir aqui abaixo um trecho de uma grande reportagem do catedrático do jornalismo de MMA Marcelo Alonso na PVT Mag, dos parceiros do Portal do Vale Tudo.

A estreia no Havaí

No início de 1996 Carlson e La Penda acabariam desmanchando a sociedade e Belfort e seu mestre passariam a ter sérias dificuldades. “A gente não falava nada de inglês. Ficamos duros. Tínhamos a luz cortada, aluguel atrasado. A gente fazia um gato pra roubar a luz do vizinho e vivia a base de Myoplex que ganhávamos”, relembra Belfort, que diante da vontade do mestre de voltar ao Brasil o demoveu da idéia lhe fazendo uma promessa: “Só vou voltar para o Brasil campeão e quero que você confie em mim”, recorda Vitor, que graças a conexões na academia onde malhava chegou a um produtor de Hollywood (John Peters, produtor do filme Conan) que conseguiu levá-lo para estrear num evento havaiano aos 18 anos.

Em sua estréia Belfort enfrentaria um gigante de 2 metros e 134 kg, que antes da luta, tentaria abalar o psicológico do garoto. “Estava no vestiário quando chegou o árbitro e disse que o gigante só ia lutar se valesse tudo. Soco no saco, dedo no olho. Eu lembro que coloquei a mão no saco e falei: “Carlson, eu quero ter filho!”. Mas a experiência de Carlson Gracie, acabaria revertendo a tentativa do americano. “O Carlson me mandou calar a boca e disse para o árbitro para avisar a ele para entrar de faca, armado no ringue”, conta Belfort.

Com suas décadas de experiência, Carlson soube abalar o psicológico do oponente já antevendo o que aconteceria: um nocaute em 12 segundos.

Além de Shaquile O’Neil que, a beira do ringue, ganhou um rolex de Magic Johson ao apostar na vitória do brasileiro, que pesava quase a metade do oponente, também estava presente ao evento um olheiro do UFC, que imediatamente convidou Belfort para o estrear no UFC 12.


Técnico promete Weidman dominando Belfort “do jeito que ele quiser”
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Jorge Corrêa

Ray Longo, a esquerda, com Chris Weidman

Ray Longo, a esquerda, com Chris Weidman

Um dos mais famosos técnicos de kickboxing e de MMA dos Estados Unidos, Ray Longo ficou famoso no Brasil por ter sido apontado como mentor da defesa de Chris Weidman que acabou na fratura da perna de Anderson Silva. E agora ele está de volta ao córner contra um brasileiro.

Conversei com ele sobre o que esperar da luta de seu pupilo mais reconhecido no momento contra Vitor Belfort, neste sábado, na disputa de cinturão dos médios, no UFC 187. “Nós esperamos por muito tempo por essa luta, aconteceram alguns problemas até que essa luta acontecesse, então está tudo mundo muito empolgado”, disse Longo.

Mais que isso, ele deixou clara a confiança em Weidman, o que é uma marca do dono do cinturão de sua equipe. “Chris sempre vai tentar terminar as lutas de maneira rápida, não importa quem ele enfrente, ele vai vencer na melhor maneira que a luta se apresentar.

“Estamos cientes que o Vitor é um cara muito explosivo no começo das lutas, mas Chris é o Chris, ele vai fazer o sempre faz, vai andar para frente, soltar socos e tentar colocar para baixo. Isso que vai acontecer. Ele é um wrestler e assim ele pode levar a luta para onde ele quiser.”

Uma das principais preocupação era se o campeão chegaria completamente recuperado depois de duas lesões que adiaram esse combate. “Para ele é uma luta importante como todas as outras, ele está feliz por estar saudável, por poder lutar novamente, ele quer continuar mostrando para o muno quem ele é. Ele está 100% saudável para esse combate.”

Mas e o que eles esperam de Belfort, principalmente depois do fim da polêmica terapia de reposição de testosterona? “Vitor é um grande profissional, tenho certeza que ele trabalhou duro, com TRT ou não, nada disso importa. Ele é um lutador muito técnico, então esperamos lá o melhor Vitor possível. Tenho certeza que será uma grande luta.”

“Acho difícil de comparar com o Anderson ou com o Lyoto. Nesse nível de competição, são diferentes desafios e Chris está no meio de tudo isso, pronto para enfrentar quem quer que coloquem na frente dele.”


Empatados na mentalidade, Belfort tem na “malícia” a arma contra Weidman
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Jorge Corrêa e Maurício Dehò


Era difícil pensar em motivação e discursos motivacionais no UFC sem vir diretamente o nome de Vitor Belfort. Até surgir Chris Weidman. Desde que venceu Anderson Silva a primeira vez, ele sempre deixou claro que ter a mente forte e ser autoconfiante é uma de suas principais armas.

Depois de conviver de maneira próxima com os dois nesta semana, ficou claro que ambos tem uma mentalidade muito forte e um discurso muito parecido, o de confiar em si próprio acima de tudo – Belfort destoa um pouco quando parte para o lado religioso, mas a premissa é a mesma.

Posso dizer que se fosse uma disputa de força das duas mentes, teríamos um empate. Aqueles 0 a 0 bem chatos, sabe? Pois então, mais do que nunca, o que vai importar é a porrada comendo solta dentro do octógono.

Não tem como negar que Chris Weidman é o favorito se formos colocar as qualidade dos dois lado a lado. Ele é mais novo, mais resistente, tem um wrestling de nível mundial, uma trocação eficiente e um jiu-jitsu bom. Pode não ser um espetáculo maravilhoso em um desses quesito separados, mas é um lutador completo e moderno, a cara da eficiência do MMA. E o pacote completo que faz com que seja dificílimo de ser batido.

Mas do outro lado ele terá a “malícia” de um dos mais talentosos lutadores de MMA de todos os tempos. Belfort não é só o peso e a velocidade de suas mãos que lhe deram o apelido de fenômeno no início de sua carreira. Ele é uma artista marcial na concepção do termo, alguém que precisa de uma fração de segundo para achar uma saída ou um golpe fatal.

Vitor pode não ter todos os recursos que tinha, por exemplo, Anderson Silva, mas tem uma Inteligência de luta muito parecida, principalmente quando ele mostra que pode se reinventar. Os chutes que ele anexou a seu repertório não são para qualquer lutador. Ele quase ter pego Jon Jones em uma chave de braço também mostra bem isso. E como disse em outro post nesta semana: nos dois primeiros rounds, ele tem chances reais de ser campeão.

Serviço – O UFC 187, com suas duas disputas de cinturão em Las Vegas, começa às 19h30 (de Brasília), com as sete lutas do card preliminar. O card principal está marcado para as 23h, com cinco lutas, sendo Chris Weidman x Vitor Belfort a penúltima, seguida por Anthony Johnson x Daniel Cormier. O Placar UOL acompanha todos os momentos do evento. O canal pago Combate faz a transmissão ao vivo, e a Rede Globo terá as principais lutas em VT, com o habitual atraso, previsto no contrato com o UFC.

Card principal
Meio-pesado (cinturão): Anthony Johnson x Daniel Cormier
Médio (cinturão): Chris Weidman x Vitor Belfort
Leve: Donald Cerrone x John Makdessi
Pesado: Travis Browne x Andrei Arlovski
Mosca: Joseph Benavidez x John Moraga

Card preliminar:
Mosca: John Dodson x Zach Makovsky
Meio-médio: Dong Hyun Kim x Josh Burkman
Médio: Uriah Hall x Rafael Natal
Palha feminino: Rose Namajunas x Nina Ansaroff
Meio-médio: Mike Pyle x Colby Covington
Leve: Islam Makhachev x Leo Kuntz
Mosca: Justin Scoggins x Josh Sampo