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Arquivo : vitor belfort

Belfort tem lampejo do passado e mostra por que merece adeus digno do MMA
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Jorge Corrêa e Maurício Dehò

(Foto de Buda Mendes/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Dono de cinturões em duas categorias diferentes do UFC e um dos grandes responsáveis pela massificação do MMA no Brasil e no mundo, Vitor Belfort finamente assumiu o inevitável: chegou a hora de parar.

Perto dos 40 anos e com mais de duas décadas de carreira como lutador profissional, o carioca admitiu que a idade chegou depois de ser nocauteado pela terceira vez consecutiva, agora pelo americano Kelvin Gastelum, 14 anos mais novo, na luta principal do UFC Fortaleza, no último sábado.

O principal sintoma de que chegou a hora dele para é claro: o queixo de vidro. Vítor não consegue mais absorver os golpes que leva na cabeça como antigamente. É um efeito clássico de qualquer esporte de combate que tem o rosto como principal alvo. Claro que é algo que pode ser trabalhado e melhorado, mas aparentemente ele sentiu que não consegue evoluir mais nesse sentido. Belfort assumiu que seu corpo não se recupera mais rapidamente.

O triste é que essa nova derrota avassaladora eclipsou algo bom no jogo de Vitor. Depois de ter apenas andado para trás e se defendido nas derrotas para Ronaldo Jacaré e Gegard Mousasi, ele finalmente mostrou o espírito de seus velhos tempos,? voltou a atacar e acertou bons golpes rápidos – marcas de sua carreira – em Gastelum. Mas acabou vítima do seu queixo fraco, com dois knockdows antes de ser nocauteado.

Logo após a derrota no Nordeste, ele afirmou que tem mais uma luta em seu contrato no UFC e que essa será a última de sua carreira. Então começa a corrida para que ele tenha uma despedida digna do octógono que ele tanto ajudou a ficar famoso.

Belfort e o UFC precisam avaliar muito bem as condições para esse combate final, pois se tem alguém que merece deixar o MMA com uma boa impressão é o brasileiro.

Vimos que ele não consegue mais bater de frente com um jovem prospecto, como foi no último sábado, e também não tem mais punch para enfrentar um top 5 da categoria, como Jacaré ou Mousasi. Mas também não seria honroso ele pegar alguém de fora dos 15 melhores do ranking.

Alguém mais rodado e que já tenha uma história no UFC seria perfeito, com Belfort fazendo uma grande preparação, sem se apressar ou querer marcar logo essa luta para apagar o que aconteceu no último ano.

Há nomes como Rashad Evans, ex-campeão que recentemente lutou como peso médio, também vem de série de derrotas, mas conserva um nome forte no Ultimate. E por mais que o timing não seja mais dos melhores, talvez a luta perfeita ainda fosse a revanche contra Anderson Silva. Muita gente pagaria para ver esse combate novamente e poderia ser a luta principal de qualquer evento no Brasil.


Podcast #47 – Tudo sobre o UFC Fortaleza e a dura vida de Demian Maia
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Jorge Corrêa e Maurício Dehò


Neste sábado, acontece o primeiro UFC no Brasil nesta temporada. Com o veteraníssimo Vitor Belfort enfrentando a revelação Kelvin Gastelum na luta principal, a cidade de Fortaleza recebe uma legião de brasileiros.

Além de falarmos de todo o card, ainda tivemos a participação da ex-desafiante pelo cinturão peso galo feminino Bethe Correia, que falou sobre sua luta contra Marion Reneau no card principal.

Também conversamos sobre o futuro de Demian Maia, que terá de enfrentar Jorge Masvidal no UFC 211 antes de disputar o cinturão dos meio-médios.

Lembrando que você pode ouvir ou baixar para escutar na hora que quiser o programa pelo iTunesBasta entrar aquiE não esqueça de assinar o canal, assim você nunca perderá um episódio.

Se você tem um aparelho com Android, pode usar qualquer aplicativo de podcast se inscrevendo com nosso XML: http://www3.uol.com.br/feed/podcast/na-grade-mma.xml


Podcast #13 – Dissecando o UFC 198 e o futuro de Werdum e Belfort
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Jorge Corrêa e Maurício Dehò


O Brasil teve o maior evento de sua história no UFC, com mais de 45 mil pessoas na Arena da Baixada, mas acabou sem o cinturão dos pesos pesados com o nocaute que Fabrício Werdum sofreu para Stipe Miocic, ainda no primeiro round. E agora, qual será o futuro do brasileiro na categoria?

Esse é um dos muitos temas do 13º episódio do podcast, que ainda debate os futuros de Vitor Belfort, Ronaldo Jacaré, Cris Cyborg, com a participação do repórter do UOL Esporte Danilo Lavieri, que esteve na cobertura do evento durante toda a semana.

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Belfort desiste de nova corrida pelo cinturão e flerta com aposentadoria
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Jorge Corrêa


Post com Danilo Lavieri

Mesmo perto de completar 20 anos de carreira como lutador profissional de MMA, nas últimas temporadas Vitor Belfort nunca deixou de apontar uma disputa de cinturão como seu próximo objetivo. Ganhando ou perdendo, uma nova corrida pelo ouro sempre estava em seu horizonte.

Isso até cruzar com Ronaldo Jacaré.

Depois de ser dominado pelo capixaba e sofrer um duro castigo no chão, Belfort pela primeira vez admitiu: não pensa mais em ser campeão do UFC novamente (lembrando que ele já teve o cinturão dos meio-pesados e do GP dos pesados). Até agora, entre os médios, ele tentava ser o único dono de títulos em três categorias diferentes.

“Não tem mais disputa de cinturão. Agora vai ser uma luta de cada vez. Tenho de voltar para casa refletir, conversar com a minha família, com meu treinador e ver o que vamos fazer”, disse o carioca. “Estou muito decepcionado. A derrota nunca é algo prazeroso, mas tenho certeza que ela nos faz crescer. O importante não é olhar para trás, mas sim para frente.”

Para um atleta de altíssimo nível e que sempre apostou em uma competitividade extrema para se manter no topo há tanto tempo, Belfort começa a flertar com a aposentadoria do MMA. Isso fica claro por dois motivos.

1) Para ele será muito difícil se manter motivado sem ter um objetivo esportivo maior. Claro que ele ainda pode fazer um bom dinheiro fazendo algumas lutas principais em eventos menores no Brasil ou em países em que o UFC está tentando crescer. Ele gosta muito de dinheiro, mas o quanto para ficar levando soco na cara por mais muito tempo?

2) O discurso dele é muito de reta final de carreira. “Uma luta de cada vez” é a famosa contagem regressiva. A cada derrota, mais perto de se aposentar ele fica. Se o UFC quiser prolongar um pouco mais a estadia do brasileiro em seu elenco, precisa pensar em rivais que lhe tragam algum desafio, mas que possam facilitar de alguma maneira a vida do veterano.

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Por que Jacaré e Belfort têm a chance final de corrida pelo título do UFC
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Jorge Corrêa


O UFC 198 acabou ficando tão grande que uma luta do porte de Ronaldo Jacaré x Vitor Belfort não será a principal – apesar de ela ter chegado a ser anunciada como tal no início do ano. Mas esse não é um simples combate de importantes nomes do MMA nacional. Ele deve definir os rumos dos pesos médios e a reta final de carreira de ambos.

Vamos começar pelo capixaba radicado no Rio de Janeiro.

O multicampeão mundial de jiu-jítsu vinha com uma série perfeita no UFC até se encontrar com Yoel Romero no final do ano passado. Em uma luta muito polêmica, ele acabou derrotado por pontos, em decisão divida dos juízes.

Mas por que ele não voltou para o final da fila então? 1) Muita gente não concordou com o resultado da luta e viu a vitória do brasileiro sobre o cubano. 2) Muita gente se revoltou com a atuação do cubano, que mais de uma vez segurou na grade para se defender de quedas e acertou o olho do brasileiro com os dedos (tudo isso irregular, claro). 3) Romero caiu no antidoping e deve pegar seis meses de gancho, além de o resultado poder virar no-contest.

Com isso, é como se Ronaldo mantivesse sua colocação na fila pela disputa de cinturão. Uma vitória sem muitas contestações contra Vitor deve lhe dar a chance direta de title shot contra o vencedor da revanche entre o campeão Luke Rockhold e Chris Weidman, que acontece no UFC 199, em Los Angeles, no mês que vem.

Já a situação de Belfort não é tão simples assim.

O carioca vem de uma disputa de cinturão dos médios há menos de um ano, quando foi facilmente dominado por Weidman. Depois, venceu com tranquilidade o semi-aposentado Dan Henderson, em São Paulo. Se ele passar bem por Jacaré, deve ficar em situação confortável para pedir uma nova chance de disputar o cinturão.

Para acelerar esse processo, ele precisará torcer muito por Rockhold. Se Weidman vencer, não faria muito sentido o UFC colocar de novo o brasileiro para pegar o norte-americano rapidamente depois do que aconteceu no ano passado. Por outro lado, se Luke vencer, o caminho fica perfeito para Belfort, já que ele foi o único a derrotar o atual campeão no UFC e próprio já pediu a chance de se vingar daquele chute que levou em 2013.

Mas tem gente correndo por fora.

Imaginemos que a luta entre Vitor e Ronaldo seja chata, monótona, com um resultado contestável, daqueles em que o UFC não vai se animar em dar o title shot para nenhum dos dois. É neste momento que Michael Bisping pula e vibra. Ele tem três vitórias consecutivas e, apesar de nenhuma ter sido contundente, foram contra importantes nomes dos pesos médios. A última contra ninguém menos que Anderson Silva. Ou seja, ele está – sim – nesta corrida.

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Vitória contestável de Bisping é boa pra Jacaré e Belfort na fila do título
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Maurício Dehò

O Brasil segue afastado da disputa de cinturão dos médios, que já foi de Anderson Silva, hoje está com Luke Rockhold e será colocado em jogo em junho, na revanche do norte-americano com Chris Weidman. Michael Bisping é o novo cara no cenário, mas a vitória contestável diante do Spider deixa o caminho aberto para dois brasileiros: Ronaldo Jacaré e Vitor Belfort.

O melhor disso é que eles se enfrentam em maio, no Brasil. E têm tudo para conquistarem pelas próprias forças o chamado title shot.

Se tivesse nocauteado ou dominado mais as ações do combate e não tivesse acabado a luta com o rosto totalmente desfigurado, Bisping era aposta certa para disputar o cinturão. Por quê? Fácil. O UFC não deixaria de dar à torcida inglesa a chance de ver seu maior ídolo disputando um título.

Depois de tantos e tantos anos batendo na trave, seria a chance de levantar a bola do MMA na Inglaterra, um lugar em que o Ultimate nunca explodiu definitivamente. Esse cenário, aliás, ainda é forte, se formos levar em conta a importância que esse “fator Inglaterra” pode exercer para influenciar o UFC.

Mas, como Bisping teve algumas dificuldades e até o presidente Dana White opinou em favor de uma vitória de Anderson, não seria de se estranhar que um triunfo de Jacaré ou Belfort os levem a enfrentar Rockhold ou Weidman. Principalmente contra o atual campeão, os dois brasileiros tem um histórico interessante para levar a um duelo.

É preciso, no entanto, do que Bisping não conseguiu. Nocaute. Finalização. Domínio completo. Enfim, para tirar das mãos do inglês esse title shot, vai ser preciso dar show nesse duelo brasileiro de maio.


Rockhold faz pouco de Weidman e avisa: todos os caminhos levam ao Brasil
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Maurício Dehò

A categoria dos médios do UFC já viveu anos e anos com brasileiros detendo o cinturão (Anderson Silva) ou lutando por ele, como Lyoto Machida e Vitor Belfort. Estes tempos devem voltar. Quem prevê isso é Luke Rockhold. Apesar de ter revanche marcada para encarar Chris Weidman no UFC 199, em junho, o norte-americano tem feito pouco caso dela.

Em entrevista ao “Revista Combate”, do canal Combate, ele disse que até aceita a revanche, mas quer dar um fim ainda mais rápido a Weidman, a quem nocauteou no quarto round recentemente.

“Eu ficarei surpreso se ele passar do primeiro round. Ele não vai passar do segundo. Dessa vez não será diferente”, afirmou ele.

E é depois de ele fazer essa sua primeira defesa que ele poderá se voltar a outros nomes que ele já tem em mente. O principal deles, que parecia até certo para uma revanche antes de o UFC confirmar a luta com Weidman, é Vitor Belfort.

Rockhold está de olho no combate do veterano carioca contra Ronaldo Jacaré. “Estou interessado nessa luta. Quem sair vitorioso deve ser o próximo da fila. E eu estaria aberto a uma revanche. É difícil dizer. Acho que o Vitor tem vantagem na luta de pé. O Jacaré é bom de pé e bom no chão. Dou a Jacaré uma grande vantagem na luta como um todo.”

Apesar de dar o favoritismo ao réptil manauara, o campeão não esconde que quer se vingar de Vitor. “Eu estaria mentindo se dissesse que não quero me vingar. E dar o que ele merece. Eu e Jacaré tivemos uma luta equilibrada no passado, e eu estaria aberto a terminar”.

Vitor, Jacaré, revanches… E outra luta que seria uma novidade e que faz os olhos de Rockhold brilharem é contra o velho Anderson Silva. Ainda que o outro combate seja favorito para a decisão de um title shot, uma vitória impressionante do Spider pode fazê-lo saltar degraus.

E aí vai a análise dele (não é muito animadora para o brasileiro, mas Rockhold deixa claro que gostaria de enfrentá-lo em breve):

“O Anderson… Eu não sei… Veremos. Tem um grande ponto de interrogação nessa luta. Ele não teve a melhor performance contra o Nick Diaz, e teve uma suspensão depois disso… No retorno contra o Bisping… Eu imagino que ele seja capaz de decifrar o Bisping. Da minha perspectiva. Mas não tem como saber. Ele está afastado há um tempo e sabe mexer com a cabeça das pessoas. O Bisping é sempre um cara duro. Ele sempre faz a luta dele. Em termos de estilo, o Bisping conseguiria colocá-lo para baixo? Estou animado para ver essa luta. Estarei lá. E pode ser outra luta para mim também. O Anderson pode falar do cinturão o quanto quiser, mas ele não vai conquistá-lo. Ele pode ter uma chance de tentar. Mas… Eu sempre quis enfrentar o Anderson, desde que eu era campeão do Strikeforce e ele era campeão do UFC. Seria uma honra bater nele.”

Após o UFC 199, supondo que Rockhold voltará a vencer Weidman, há quatro caminhos para o campeão. Bisping, de longe, é o mais fraco e improvável. Os outros três, todos pintados de verde-amarelo, tem tudo para ser MUITO interessantes.


Há cinco anos, um chute mudou a história do UFC
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Jorge Corrêa

Nocaute de Anderson sobre Belfort - aqui em arte de André Gorobetz - é um dos mais importantes da história do UFC

Nocaute de Anderson sobre Belfort – aqui em arte de André Gorobetz – é um dos mais importantes da história do UFC

Dava para sentir o ar pesado dentro do ginásio do hotel Mandalay Bay, em Las Vegas, tamanha era a tensão. Depois de uma dezena de lutas que pouco importavam, finalmente dois dos maiores nomes do MMA iriam se encontrar, valendo o cinturão dos pesos médios. Se o histórico dos dois já não fosse o suficiente, Anderson Silva e Vitor Belfort ainda tinham feito uma da encaradas mais tensas do UFC, com direito a máscara e empurrões entre caras que normalmente eram tranquilos nesse momento. No final, foi a introdução perfeita para uma luta – na verdade um golpe – que entraria para os anais das artes marciais mistas.

A torcida norte-americana estava amplamente favorável a Belfort. Seu longo histórico de grandes atuações no esporte aliada a marra que Anderson apresentava até então lhe davam essa vantagem. Mas assim que o árbitro Mario Yamasaki autorizou o início do combate, o clima de tensão do dia anterior entre os lutadores foi passado para os fãs que acompanhavam o encontro em todo o mundo. Entre eles, voltou a imperar o respeito.

Por cerca de 2 minutos eles apenas se estudaram, até que Vitor tomou as primeiras iniciativas, pouco eficientes. Anderson então contra-atacou com um chute alto, foi bloqueado e acabou de costas no chão. Lá, por pouco não foi derrotado. Belfort tentou um único, rápido e potente soco, se cima para baixo. Se acertasse o campeão, seria fatal. Mas Anderson deu a primeira amostra de uma genialidade com uma esquiva no solo que deveria estar nas enciclopédias de lutas.

Com a luta em pé novamente, mais estudo. Os dois muito bem postados e atentos. Foi então que com pouco mais de 3min de combate, Anderson mostrou porque foi apontado como o maior que já passou pelo UFC. Em uma fração de segundo, deu um chute frontal, com a ponta do pé esquerdo, que entrou por baixo na guarda alta e foi de encontro ao queixo de Belfort, que desmontou. No solo, Anderson ainda deu dois fracos golpes de misericórdia, apenas para Yamasaki ver que a luta tinha acabado.

Essa luta, esse golpe, que este blogueiro que vos fala teve a grande oportunidade de ver in loco, mudou a história do MMA e do UFC por três motivos que listo abaixo.

1) Chutes frontais são muito comuns em muitas modalidades de combate, como caratê, muay thai ou taekwondo. No entanto, no MMA, era sempre usado a meia altura, sendo aplicado no peito ou na barriga para se manter a distância do rival. Anderson deu uma nova e eficiente utilidade para ele, uma invenção que apenas os gênios do esporte podem criar. Foi a mesma fração de segundo com que Pelé criava um novo drible. Dali para frente, muitos atletas passaram a usar esse golpe com eficiência, vide o nocaute de Travis Browne sobre Alistair Overeem, anos depois.

2) Anderson Silva já era o Anderson Silva, supercampeão do UFC, com uma longa série invicta e muitas defesas de cinturão. Esportivamente, era impecável, mas ainda não tinha o reconhecimento do grande público. Depois de uma vitória espetacular como essa contra um rival tão tão famoso quanto Belfort, sua carreira foi catapultada a para um nível global, algo que o UFC ainda não tinha visto. O evento tinha ídolos locais ou de nicho. Com o Spider, o MMA passou a figurar ao lado de gente como LeBron James e Cristiano Ronaldo – guardada as devidas proporções, claro.

3) Essa vitória foi o empurrão que o UFC precisava para entrar com força no Brasil. Anderson era o ídolo vitorioso e incontestável que Dana White e seus pares queriam para aportar por aqui sem o risco de perder dinheiro. E foi exatamente o que aconteceu. Em seguida, Spider encabeçou o primeiro e histórico UFC Rio. Dali para frente, a marca apenas se expandiu, fazendo 18 eventos nos 3 anos seguintes, além de um contrato polpudo com a TV Globo. O MMA finalmente estava no mainstream do esporte nacional.


Belfort x Jacaré facilita caminho de Anderson rumo ao cinturão do UFC
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Jorge Corrêa


Não foi pouco surpreendente o anúncio de Giovanni Decker, chefão do UFC no Brasil, na noite da última terça-feira. Vitor Belfort e Ronaldo Jacaré farão a luta principal de um evento por aqui, em 14 de maio, em local ainda a ser definido. Mas mais que uma grande luta, esse encontro mexe com o xadrez da disputa de cinturão dos pesos médios.

Uma das pessoas que pode comemorar esse combate é o ex-campeão Anderson Silva. Com luta marcada contra o inglês Michael Bisping para o dia 27 de fevereiro, o brasileiro deve ter o caminho até o title shot encurtado com essa luta anunciada, pois ele vê sair do caminho dois dos três nomes que podem ser adversários do campeão Luke Rockhold.

Vitor Belfort era um dos preferidos de Rockhold para sua primeira defesa de cinturão. Ele tem apenas uma derrota no UFC, justo em sua estreia e exatamente para o brasileiro. Luke ainda não engoliu essa derrota e acusa Vitor de doping. Pediu a cabeça do veterano “em uma bandeja de prata”. Mas não será dessa vez que a terá.

Jacaré estava bem na fila até ser derrotado de maneira polêmica para Yoel Romero. Depois, o cubano ainda caiu no exame antidoping e deve ser suspenso pelo Ultimate. Com isso, perdeu seu lugar na categoria e o brasileiro poderia ocupar esse lugar. Uma vitória de Ronaldo sobre Belfort o deixaria novamente em situação muito confortável.

O maior risco para Anderson Silva chama-se Chris Weidman. O norte-americano levou uma sonora surra de Rockhold em dezembro, quando perdeu o cinturão que tinha tomando exatamente do Spider, então deveria ser jogado para o fim da fila. Mas o mesmo aconteceu com Cain Velasquez, que terá a revanche contra Fabrício Werdum, mesmo depois do atraso que levou do brasileiro no ano passado.

O UFC então fica entre a cruz e a espada. Dentro do panorama de quem vem lutando há mais tempo e defendeu o título algumas vezes, Weidman mereceria essa revanche. Agora, se Dana White e seus pares pensarem na luta que vai vender mais e render mais dinheiro para eles, Anderson Silva ganharia essa disputa de goleada.

Ah. Claro que, para isso, o Spider precisa vencer Bisping em Londres. O inglês corre por fora nessa disputa. Precisa vencer BEM o ex-campeão se quiser a chance de disputar o cinturão. Mas Anderson já avisou que está motivado a conquistar o título que foi seu por mais de seis anos. E isso deve pensar no empenho em seu próximo combate.


Retornos, revanches e superlutas: 11 lutas para aguardar em 2016
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Maurício Dehò

2015 foi um ano doido (e bom) para o UFC, como falamos num post no último dia de 2015. Mas, o que esperar, em termos de luta, do ano que começou agora – e que já teve disputa de cinturão nos meio-médios? Pelo menos no plano das ideias, 2016 é um ano de MUITOS combates para se aguardar com expectativas altas.

E não só por bons casamentos de lutas, mas por várias delas nascerem com bons históricos, sendo boa parte delas revanche, e pelas chances de algumas superlutas – a principal delas envolvendo o maior nome da organização no momento, Conor McGregor.

Antes de ir às lutas, é bom salientar que muito diferente de 2015, em que o UFC soltou todas as datas de seus eventos antecipadamente, 2016 tem poucos eventos confirmados, a maioria deles até março e os outros são o UFC 200, em julho, e o UFC 198, que está planejado para Nova York – mas o estado bane o MMA, segundo suas atuais leis.

Revanches

Holly Holm x Ronda Rousey: depois de surpreender a então campeã e lhe tomar o cinturão, a ex-boxeadora Holm deve dar uma segunda chance a Ronda no UFC 200, em julho. O duelo ainda não está confirmado. Ronda tomou uma surra forte, precisa se recuperar e ainda deve filmar duas produções de cinema antes de retornar.


Werdum x Velásquez 2: Os pesos pesados se reencontram em fevereiro, no dia 6, em Las Vegas. Werdum conquistou unificou o cinturão vencendo de forma muito segura o rival, no México. Mas, falou-se muito da altitude elevada, que teria atrapalhado Velásquez. O gaúcho quer provar que não é campeão por acaso.

Joanna Jedrzejczyk X Claudia Gadelha 2: No peso palha também tem revanche. Joanna, a campeã, venceu Claudia quando ainda não tinha o cinturão. A luta foi parelha, a decisão acabou por pontos, e até hoje fica a dúvida de quem foi melhor naquela noite. A luta ainda não tem data, mas é dada como certa pelo Ultimate, apesar de uma lesão na mão ter afastado a polonesa dos treinos.

Luke Rockhold x Vitor Belfort 2: Novo campeão dos médios, Rockhold está doido para vingar a derrota que sofreu para Belfort em 2013. Ambos querem a luta, o UFC ainda precisa confirmar, mas parece realmente ser a grande opção do momento.

Retornos

Anderson Silva x Michael Bisping: já completando seu ano de suspensão por falhar em vários testes antidoping, o brasileiro retorna em Londres, contra o dono da casa Michael Bisping. A luta está marcada para 27 de fevereiro, e Anderson já afirmou que sua meta é voltar a ter o cinturão dos médios.

TJ Dillashaw x Dominick Cruz: Cruz vive lesionado… Os problemas no joelho atrapalharam sua carreira, custaram-lhe um cinturão, retirado por conta da inatividade, e agora enfim ele tem a chance de recuperar o lugar no trono dos galos. Dillashaw, que venceu Renan Barão duas vezes, tentará sua terceira defesa de cinturão. O combate é em 17 de janeiro.

Revanche + retorno

Daniel Cormier x Jon Jones: Depois de ter o cinturão retirado por conta de seus problemas com a lei, Jon Jones retorna para o novo campeão, Daniel Cormier. E, na verdade, é um reencontro, já que, quando era o melhor meio-pesado do UFC, Jones derrotou Cormier por pontos. Abril é o mês que vem sendo cogitado para o combate – neste mês o UFC promete realizar uma noitada em Nova York.

Superlutas

Conor McGregor x Rafael dos Anjos: O falastrão irlandês não quer mais descer de peso para os penas, por ser grande para a categoria, e pretende ir em busca do título dos leves. O UFC já apontou que é algo viável. O campeão da divisão de cima, Rafael dos Anjos, já aceitou. Mas, ainda é preciso que essa superluta – que seria bombástica – seja confirmada.

Demetrious Johnson x TJ ou Cruz: Sem rivais no peso mosca, Demetrious Johnson é o campeão com maiores defesas de cinturão no momento, com sete. Uma ótima opção, que ele já afirmou apreciar, é fazer uma superluta com o campeão dos galos.

Jon Jones x Werdum ou Velásquez: O ex-campeão dos meio-pesados, um cara grande para a categoria, sempre falou da vontade de se testar nos pesados. Werdum já se disse aberto a isso. Caso vença Cormier, quem sabe o UFC não se anime, não é?

Holly Holm x Cris Cyborg: Se Ronda não aceita subir de peso para enfrentar Cris Cyborg, sua algoz, Holm, já disse que encara a brasileira do jeito que quiserem. Seria algo grandioso para depois do UFC 200, se Holm vencer Ronda pela segunda vez.