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Anderson Silva vai admitir que usou anabolizante. Mas não para se dopar
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UOL Esporte

Dani Blaschkauer, Gustavo Franceschini e Jorge Corrêa

Ainda não está marcada pela Comissão Atlética de Nevada a audiência disciplinar que vai julgar o caso de doping de Anderson Silva. Sabe-se apenas que será em março. No entanto, sua equipe já trabalha pesado em sua defesa e podemos adiantar, em primeira mão, como está neste momento a estratégia de argumentação do brasileiro para, pelo menos, minimizar as sanções que deve sofrer depois de ter sido flagrado duas vezes com substâncias proibidas, antes e depois de vencer Nick Diaz em 31 de janeiro.

Como tinha adiantado na única declaração pública que fez depois que o caso veio a público, Anderson vai negar que tenha tentado trapacear para vencer o norte-americano. No entanto, vai admitir que fez uso do anabolizante drostanolona durante a recuperação da grave fratura que sofreu contra Chris Weidman no fim de 2013.

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O brasileiro vai argumentar que usou o anabólico como remédio para recuperar o local lesionado. Além da famosa função de aumento de desempenho atlético, a drostanolona também pode ser usada para fortalecimento da musculatura. No começo da recuperação, temendo que pudesse nunca mais ter uma normal ou até mesmo ficasse sem andar, usou o anabolizante com esse segundo intuito.

Não está claro se Anderson já tinha plena consciência do que estava tomando desde o começo, desde as primeiras doses da drostanolona, mas em algum momento ficou ciente de que estava usando uma substância proibida no esporte mundial. O atenuante, na época, era que ele acreditava que a droga sairia completamente do seu organismo até ele ter uma luta marcada ou iniciar a preparação para ela.

O que Silva e seus advogados tentarão deixar claro, a todo momento, é que ele até fez uso da drostanolona, mas nunca com a intenção de se dopar ou de tirar vantagem sobre seu adversário. Para isso, também usarão o argumento de que a quantidade da substância encontrada em seu organismo era muito pequena, o que não daria para aumentar sua performance contra Nick Diaz.

Ele também tem uma explicação para terem encontrado ansiolíticos no exame feito no dia da luta. Em novembro do ano passado, Anderson teve fortes dores nas costas e acabou no hospital por conta de espasmos musculares no local. Foi receitado para ele a benzodiazepina diazepam, vendido mundialmente como Valium, que além dos seus efeitos calmantes, também é relaxante muscular. E lhe foi indicado que se voltasse a sofrer o mesmo tipo de problema, poderia tomar o remédio novamente, o que aconteceu nas véspera da luta. Foram detectadas na urina de Anderson as substâncias temazepan e oxazepan, benzodiazepinas que tem o mesmo efeito do Valium.

Novamente, ele vai alegar que não usou a medicação de má-fé e não mentiu para a comissão deliberadamente ao não revelar que fez (ou faria) uso das benzodiazepinas. Ele simplesmente repetiu a indicação médica que foi lhe dada no ano passado.

Toda essa argumentação não deve livrar Anderson Silva de ser considerado culpado pelos flagrantes com doping e nem sua defesa acredita que conseguirá fazê-lo ser julgado inocente, mas a ideia principal é atenuar sua possível pena, que pode ser um gancho de até um ano, além de uma pesada multa. Ele tentará que a suspensão seja de seis a nove meses, além de um valor mais leve para a multa.

Mais que isso, esse discurso de arrependimento e de assumir o que fez será o começo do trabalho para reconstruir sua imagem, além de tentar evitar a fuga de velhos e novos patrocinadores. A partir dai será feito um gerenciamento real de crise, o que não aconteceu até agora desde o flagrante. Dessa maneira, ele prepara o terreno para voltar a lutar. Sim, ele vai voltar a lutar e quer fazê-lo o mais rápido possível.


Por que Ronda Rousey é o maior nome do UFC neste momento
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Jorge Corrêa

Mulheres lideram UFC, com volta de Ronda e estreia de multicampeã de boxe
Tudo bem que essa luta principal caiu seu colo com a lesão de Chris Weidman e o adiamento da luta contra Vitor Belfort, mas não é pouca coisa Ronda Rousey liderar pela terceira vez um card de pay-per-view do UFC – principalmente se pensarmos que três anos atrás não havia qualquer vislumbre de mulheres atuando na franquia.

A quinta defesa do cinturão pelo galo feminino neste sábado vai escancarar, e colocar à prova, o status de Ronda. A reboque do que vem acontecendo com importantes lutadores, a moça não ostenta apenas o título de sua categoria, mas também poderia encher a boca para dizer que é o maior nome do UFC neste momento.

Quando chegou ao UFC, ela teve de batalhar seu espaço neste panteão com atletas tarimbados, como Georges St-Pierre. Anderson Silva e Jon Jones. Os dois primeiros ficaram pelo caminho em 2014, quando ela pode solidificar sua presença no evento. Foi enfileirado vitórias, se tornou um dos rostos mais conhecidos do MMA, virou atriz de filmes de ação em Hollywood, fez ensaios sensuais e foi até técnica do TUF.

Mas sua postura vencedora, suas atuações deslumbrantes (como uma vitória em 16s em uma disputa de cinturão), a maneira como defende o esporte fizeram com que ela chegasse a esse ano em alta. O que não contavam era com os problemas que outros astros enfrentariam. GSP continua aposentado, Jon Jones foi flagrado em um antidoping com cocaína e Anderson Silva está prestes a ser julgado por uso de anabolizantes.

O Staples Center, em Los Angeles, será o palco perfeito para Ronda brilhar como nunca, ainda mais tendo a dura Cat Zingano como adversária. Além de ficar se adversárias diretas em caso de mais uma vitória – seria a 11ª de uma carreira invicta – ela sairá de vez da sombra dos antigos astros que estão em má fase.

Neste momento, a medalhista olímpica tem uma trajetória sem tropeços, dentro e fora do octógono. Mas agora, ela precisa provar que pode vender como os grandes nomes que já passaram pelo Ultimate ou estão em baixa. No que depender de Dana White e seus pares, Ronda ainda baterá recordes de audiência e de pay-per-view. Só falta isso para ela.


Astro do Pride, Fedor diz que doping de Anderson ‘foi um tapa na cara’
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UOL Esporte

“É extremamente desapontador que um atleta deste nível buscar um auxílio de drogas para melhorar a performance. É um tapa na cara de todos nós. Um tapa na cara do esporte e de todos os lutadores deste esporte

Foi assim que Fedor Emelianenko, o principal concorrente de Anderson Silva ao posto de melhor lutador da história do MMA/vale-tudo, reagiu ao caso do brasileiro, flagrado em testes antidoping realizados para o UFC 183. O astro russo que brilhou como a maior estrela do Pride opinou sobre as acusações contra o ex-campeão do UFC, e não escondeu o desapontamento.

ENQUETE – Anderson, Royce, Fedor: Quem é o melhor da história?

Fedor, hoje aposentado, lamentou que, em vez de apenas o potencial, a força e a técnica dos lutadores, os esteroides se tornem um artifício habitual na preparação.

“Eu sinto muito por um atleta que deveria depender de sua habilidade, experiência e trabalho duro e que procura encurtar a distância entre os treinos e a vitória dependendo de esteroides ou qualquer outra droga. O mais importante é ser fiel a si mesmo, assim como aos fãs, que são quem nos fazem atletas. Agora, por conta do uso de esteroides, sua imagem ficará marcada, eu acho, como a de alguém que usava drogas para vencer.''

Fedor é considerado o maior peso pesado da história do MMA, por conta de sua atuação no Pride. No evento japonês, ele embalou uma série invicta que durou até 2009, quando já estava no Strikeforce. O russo bateu nomes como Cro cop, Minotauro e Mark Coleman, entre outros, fechando a carreira em 2012, com nocaute sobre Pedro Rizzo e um total de 34 vitórias, quatro derrotas e um no contest.

Conheça as gatas que já fisgaram lutadores de MMA

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Acha a Ronda bonita? Veja este duelo de estreantes que o UFC marcou
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UOL Esporte

O UFC anunciou um duelo de garotas para o UFC que será realizado na Polônia, no dia 11 de abril. A luta é entre as estreantes Alexandra Albu, da Rússia, e a polonesa Izabela Badurek, num card que terá Mirko Cro Cop em revanche contra Gabriel Napão na luta principal.

Izabela Badurenko vem de três vitórias por finalização, todas no primeiro round

Izabela Badurek vem de três vitórias por finalização, todas no primeiro round

A entrada das garotas aumenta a lista de musas da organização que vai de Ronda Rousey e Miesha Tate às mais novas estrelas da categoria palha Paige VanZant e Felice Herrig – que, por sinal, também se enfrentam em abril.

Mas, além do quesito beleza, as pesos palha Albu e Badurek tem outros atrativos. A russa de 24 anos já deveria ter estreado em 2014, mas uma lesão a tirou de ação por um longo período. E parece que ela entra no plantel do Ultimate para atrair o público russo – país do lendário Fedor Emelianenko – já que é pouco experiente.

Antes de lutar MMA, Albu foi modelo e fisiculturista. Como lutadora de caratê, foi campeã russa e medalhista de bronze no Europeu, pela International Japan Karate-Do Association. Ela também praticou judô e depois passou às artes marciais mistas.

O cartel, segundo o UFC, é de cinco vitórias, invicta, mas o site Sherdog indica só um combate, com triunfo por nocaute.

Já Badurek, 23, estreou no MMA profissional em 2012 e tem 5 vitórias e duas derrotas. Seus três últimos combates terminaram com finalizações a seu favor.

“Não posso explicar o quão feliz estou de o UFC me dar essa oportunidade”, afirmou a polonesa, que fez sua última luta há apenas um mês. “Estou honrada de ser a primeira polonesa a competir em nossa terra.


Werdum repetirá preparação na altitude e vê Velasquez atrás após lesão
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Jorge Corrêa

Na última segunda-feira o UFC oficializou a unificação do cinturão dos pesados entre o campeão linear Cain Velasquez e o interino Fabrício Werdum para 13 de junho, na Cidade do México. Era para eles terem se enfrentado em novembro do ano passado no mesmo lugar, se o norte-americano de ascendência mexicana não tivesse se machucado.

Com essa luta oficializada, o gaúcho conversou rapidamente com o blog sobre a expectativa de se tornar campeão de fato da categoria, sua preparação e se ele confia que dessa vez a luta sai.

Você fazer novamente sua preparação na altitude no México? Vou repetir sim. Vou começar na Califórnia, normal, mas uns 45 ou 50 dias antes da luta, vou para uma cidade com mais 3500 metros de altitude. Isso faz toda diferença na luta de ir para a Cidade do México (2.250m acima do nível do mar). Tenho certeza que ele vai querer copiar essa minha tática. Mas vou sabotá-lo (risos).

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Qual é a sensação de te essa luta oficializada mais uma vez? É diferente, eu já sabia dessa data faz tempo, mas não podia anunciar e agora é oficial. É diferente, sei que vou lutar nesse dia, mas o foco continua o mesmo. Estou 100% preparado física e mentalmente.

Dessa vez você confia que a luta sai? Não fica o trauma do ano passado? Cancelar em cima é horrível, o [presidente do UFC] Dana White me ligou três semanas antes, falou que o Cain tinha se machucado… Fiquei triste, mas conversei com meu técnico e mudamos o que precisava. Hoje [segunda-feira] falei com o Cain, ele disse que está 100% recuperado, está bem, então estou preocupado só em treinar.

Como é para você todo esse tempo entre uma luta e outra? É muito ruim. O ideal para mim era 3 ou 4 lutas ao ano. Já fiquei algumas vezes parado, o cara sente, o melhor lutar toda hora. Ele vai sentir muito ficar quase dois anos parado. Melhor para mim. Ele vai sentar a falta de ritmo de luta e faz diferença.

O que será diferente dessa vez que vocês não terão o tempo de convivência do TUF? Minha relação com o Cain é muito boa, não tem nada de ficar xingando um ou outro. Aposto em luta muito boa, com dois cinturões, uma disputa de dois campeões e só pode ter um no final. Tenho certeza que vou ganhar, sempre entro confiante.

Leia também:
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O que há por trás do desabafo de Anderson Silva
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Jorge Corrêa

Após longos 16 dias, Anderson Silva finalmente se pronunciou sobre os flagrantes de doping antes e depois de vencer Nick Diaz, no UFC 183, em 31 de janeiro. Como esperado, ele disse ter se surpreendidos pelos resultados dos testes. Mas há muita história implícita dentro do texto que publicou em sua conta no Instagram. Antes vou dar o cenário deste desabafo.

Essa pode até ter sido a primeira declaração do ex-campeão dos médios sobre o caso de doping, mas não necessariamente estava calado nas redes sociais. Ele postava fotos e frases sem muito sentido fora de algum contexto, além de elogios a Rogério Camões, seu preparador físico há muitos anos.

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Na última quinta-feira, ele começou a dar sinais de que estava próximo de quebrar o silêncio. Ele fez duas postagens no Twitter antes do desabafo final. Na primeira, ele recuperou um vídeo do ator Pedro Cardoso em que ele criticava a sede da mídia por fofocas, a maneira como a imprensa pode construir e destruir. O lutador está descontente com a maneira que a imprensa está lidando com o caso. Para ele, já estão o considerando culpado. Está se sentindo abandonado.

O blog apurou que Anderson Silva está em um momento bem sozinho, principalmente se compararmos com a legião de assessores, amigos, colegas e parceiros de treinos que sempre estiveram ao seu lado. É praticamente inexistente qualquer tipo de gerenciamento de crise. Um dia antes de sua primeira audiência na Comissão Atlética de Nevada, importantes membros do seu time na última luta estavam curtindo o desfile das escolas de samba do Rio, na Sapucaí, postando dezenas de fotos alegres no Instagram.

Mas o que está mais o tirando do prumo do brasileiro são as críticas que ele está recendo por parte dos torcedores. Deixou isso claro ao postar a reprodução de um comentário bem agressivo contra ele. “Lamentável e muito triste”, resumiu Anderson na postagem. Ele viu o apoio de antes e depois da luta contra Nick Diaz virar raiva e agressão. Isso está o consumindo – e não ter boa parte daqueles que considerava amigo ao lado não ajuda em nada.

Vamos ao texto em si.

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O ponto mais importante deste desabafo que postou no Instagram é que ele deu o caminho de qual deve ser sua defesa na comissão atlética em março. Em nenhum momento ele negou o doping, disse que é mentira ou que os exames tenham sido feito de maneira errada. Ele simplesmente negou qualquer tipo de “trapaça”. Além disso, explicou que mandou para análise todos os remédios que tomou desde que sofreu a fratura contra Chris Weidman.

O que esses dois pontos mostram: ele não vai rebater os resultados positivos dos exames, mas terá um discurso de que, se tomou substâncias proibidas, foi sem saber. Essa explicação será boa para limpar sua imagem, mas não adiantará nada para inocentá-lo. A não ser que seu advogado ache alguma brecha e consiga uma reviravolta histórica, Anderson vai pegar um ano de gancho, sua vitória será transformada em no-contest (sem resultado), assim como terá de pagar uma multa pesada.

Além de tentar diminuir o estrago feito em sua imagem, isso mostra que ele deve procurar algum culpado por esse doping, que podem ser dois: algum médico, nutricionista ou profissional que tenha trabalhado na sua suplementação ou medicação, ou então o laboratório que pode ter manipulado e contaminado algo que tomou.

Silva é conhecido por confiar quase que cegamente em seus amigos e nas pessoas que são próximas dele ou consideradas de confiança. Mas isso pode tê-lo complicado muito dessa vez.

No texto, Anderson também manteve sua posição contra o uso de drogas para melhora de performance. No ano passado, foi veemente em dizer que quem fosse pego com esse tipo de doping, deveria ser banido do esporte. “Nunca usei qualquer substância para aumentar minha performance nas lutas.” Reiterar isso pode ajudá-lo, principalmente, a manter patrocinadores.

Mas o que ficou mais claro foi a tristeza dele com as críticas que vem recebendo e como está vendo sua “reputação ser destruída”– palavras dele. Como o amigo Maurício Dehò publicou, após falar com especialistas, a melhor maneira que Anderson Silva tem de recuperar sua imagem é apostar na ingenuidade e voltar a lutar, com uma nova vitória.

Confira o texto completo:

Não falarei nada sobre quem sou ou que fiz e passei até chegar aqui.

O que me importa agora é o respeito dos que me acompanharam até este momento da minha carreira.

Sangrei, sofri e lutei porque amo e porque sempre quis honrar e defender a bandeira do país que tanto amo.

Não sei do que me desculpar, pois ainda aguardo o resultado dos exames e a análise dos médicos e especialistas que trabalham para revelar a verdade.

Todos os remédios que tomei desde a minha fratura estão sendo analisados. Busco a verdade tanto quanto todos que se surpreenderam com os resultados divulgados.

Em dezoito anos de carreira, nunca tive problemas com exames. Sempre joguei limpo. Nunca fui trapaceiro.

Dentro e fora do octógono jamais vacilei no respeito aos princípios que sempre me pautaram. Com muita honra e dignidade defendi meu País onde quer que lutei.

Nunca usei qualquer substância para aumentar minha performance nas lutas.

Amo o que faço e jamais poria em risco o que levei tanto tempo para construir.

Acho injusta a pressa que alguns têm em me condenar.

O tempo que se leva para destruir uma reputação é infinitamente menor do que aquele empenhado em construí-la.

Sou o maior interessado no esclarecimento desse episódio. Quero que os que sempre me prestigiaram saibam que continuo lutando para que todas as sombras sobre esse triste episódio sejam dissipadas.


Comissão brasileira prepara padrão UFC e testes surpresa para o 2º semestre
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Jorge Corrêa

A implementação de uma nova política antidoping, que amplia os testes surpresa e buscará examinar todos os atletas da organização, vai mexer também com a parcela brasileira ligada ao UFC. No país, a regulamentação do Ultimate é feito pela Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA). A entidade pretende começar a seguir os protocolos no segundo semestre, e já vem treinando pessoal para a colheita das amostras sem aviso prévio.

Em entrevista ao blog, o presidente da CABMMA, Rafael Favetti, explicou o status do trabalho feito no combate ao doping, que antes da implantação da nova política do UFC já previa um aumento do controle, seguindo os protocolos da Wada (Agência Mundial Antidoping) e da ABCD (Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem).

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“A CABMMA não só regula o UFC, mas uma dezena de outros eventos. Todos seguem o mesmo padrão. Nós já tínhamos um protocolo, mas não para testes surpresa. Decidimos, à época, testar atletas com duas variáveis: fazer a luta principal ou já ter histórico de doping”, afirmou Favetti.

O próximo passo, já em início, é se adequar à realidade dos testes surpresa. “A previsão é de treinarmos nossos coletores para esse tipo de coleta para o segundo semestre. Ainda aguardamos uma maturidade, uma formação para este tipo de trabalho”, explicou ele, sobre o prazo para o começo do novo padrão.

O presidente da comissão explicou que a coleta é o processo mais delicado, e que ele exige um maior desenvolvimento até que a entidade possa assumir o compromisso e seguir o novo protocolo do UFC.

“São três fases em um controle de dopagem: coleta, armazenamento e os exames em si, que agora são mais sensíveis. Dentre os três, a coleta é o mais importante. Qualquer tipo de contaminação pode acabar com a carreira de um lutador. Parece bobagem, mas não é. Temos de formar coletores, com todo o protocolo de segurança” detalhou o dirigente. “O que não vamos fazer é nos atropelar, sem a segurança necessária. Envolve o nome dos atletas, não podemos sair inventando.”

Apesar do aumento nos testes positivos, Favetti defende que o MMA é um dos esportes com maior número de exames e afirma que as novas regras ampliarão o processo de limpeza da modalidade.

Para seu novo protocolo, a CABMMA usará um laboratório credenciado pela Wada, nos EUA, para examinar as amostras e procurar substâncias ilícitas no organismo dos lutadores.


Anderson Silva deve ter multa pesada e gancho de um ano por caso de doping
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Jorge Corrêa

No mesmo dia em que foi oficializada a suspensão preventiva, a Comissão Atlética de Nevada (NAC) também recebeu a denúncia contra Anderson Silva por conta dos flagrantes de doping em exames feitos antes e depois de sua vitória sobre Nick Diaz. O documento escrito pelo procurador Christopher Eccles tem 37 páginas e detalha as infrações e possíveis penas que ele deve sofrer se for considerado culpado.

Vou relatar o que tem no documento:

– Anderson Silva foi flagrado com dois tipos de anabólicos em um exame de urina feito em 9 de janeiro: drostanolona e androsterona. As duas substâncias são proibidas pelo código geral da Agência Mundial Andoping (WADA). Esses testes foram conduzidos pelo Laboratório de Medicina Esportiva e Pesquisa de Salt Lake City (SMRTL).

– O ex-campeão dos médios foi flagrado em dois exames de urina feito em 31 de janeiro, um logo antes de enfrentar Nick Diaz e outro logo após o combate. No primeiro, feito pela SMRTL, ele foi flagrado novamente com o anabólico drostanolona. No segundo, conduzido pelo laboratório Quest, foi encontrado dois tipos de benzodiazepinas (que podem ser ansiolíticos, ou sedativos e relaxantes musculares): Oxazepam e Temazepan.

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– As benzodiazepinas não constam na lista de substâncias proibidas da WADA, mas são vetadas em Nevada. Elas podem ser liberadas apenas se for pedido previamente para a Comissão Atlética uma permissão de uso desse tipo de droga, baseado em relatórios médicos.

– No formulário que Anderson Silva preencheu antes de pedir a licença para enfrentar Nick Diaz, ele não informou o uso de qualquer tipo de medicação, ou seja, mentiu, o que viola as regras da NAC e configura perjúrio (falso testemunho).

– Apesar de ter sido flagrado em três exames diferentes, o caso de Anderson está sendo considerado um único doping. Dessa maneira, como não há reincidência e sua suspensão deve ser de um ano. Reincidentes podem pegar dois anos de gancho.

– A multa estipulada para o caso não pode passar do valor de US$ 250 mil (cerca de R$ 700 mil).

– Se for julgado culpado, ele também terá de arcar com todos os custos do processo e de investigação, incluindo os valores dos exames antidoping feito e honorários de advogados.

– Foi pedido para que a vitória de Anderson Silva seja transformada em No-Contest (sem resultado).

– Anderson Silva tem 20 dias para apresentar à NAC algum tipo de defesa ou ciência do processo. Caso não o faça, ele perde a chance de defesa e será considerado que ele assumiu ter feito todas as infrações que é acusado.

– Ele passará agora por uma audiência disciplinar, em março. A denúncia será ouvida pela Comissão e o lutador terá a chance de se defender. Nessa data, ele terá de comparecer pessoalmente, não podendo se defender apenas por telefone ou ser somente representado por um advogado.

– Não foi pedida a contraprova de nenhum exame.

– Ele foi submetido a dois exames de sangue, em 19 e 31 de janeiro. Como ambos deram negativo, as amostras já foram descartadas.

– Antes de voltar a lutar, ele terá de passar por um exame de urina e o resultado terá de dar negativo para qualquer substância proibida para que consiga pedir sua licença.


UFC 187 terá Jones x Johnson e Weidman x Belfort em 23 de maio
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Jorge Corrêa

A photo posted by Dana White (@danawhiteufc) on


Como tínhamos adiantado na semana passada, a tão aguardada luta entre Chris Weidman e Vitor Belfort já tem nova data. Ela vai acontecer no UFC 187, em 23 de maio, em Las Vegas. Era para eles se enfrentarem agora em 28 de fevereiro, mas o campeão peso médio sofreu uma lesão na costela e a luta teve de ser adiada pela terceira vez.

Mas o curioso dessa nova data é que essa disputa de cinturão dos médios não será a luta principal da noite. A luta principal foi confirmada alguns minutos depois: será a disputa de cinturão dos meio-pesados entre Jon Jones e Anthony Johnson.

Todos os lados envolvidos (Chris, Vitor e UFC) já tinham aceitado essa data previamente, mas faltava ainda a liberação por parte de Weidman, se ele estaria apto a recomeçar sua preparação a tempo para a luta acontecer no feriado norte-americano mo Memorial Day, depois de se recuperar da contusão.

O Ultimate aproveitou para anunciar o card principal completo do evento. E ele ficou incrível. Além das duas disputas de cinturão, teremos Donald Cerrone x Khabib Nurmagomedov (definindo quem será o próximo desafiante pelo cinturão dos leves), o duelo peso-pesado Travis Browne x Andrei Arlovski e os pesos mosca Joseph Benavidez x John Moraga.


Doping duplo enterra chance de inocência de Anderson. Pena deve ser pesada
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UOL Esporte

Não é só o Spider: lembra destes outros casos de doping?

Veja Álbum de fotos

Por Maurício Dehò

Ser flagrado em um teste antidoping já foi um baque para Anderson Silva. Mas a confirmação de um segundo exame positivo, sendo reincidente no uso de uma das substâncias e acrescentando ansiolíticos à lista de drogas ilegais em seu organismo, tem tudo para enterrar qualquer chance de defesa do ex-campeão dos médios do UFC. Diante de um quadro tão complicado, pode ser o fim do Spider como lutador, com uma pena pesada e exemplar..

Nesta terça-feira, a Comissão Atlética de Nevada (NSAC) confirmou que, além de ter sido pego em um antidoping surpresa em 9 de janeiro – com os anabólicos drostanolona e androsterona -, Anderson foi flagrado no dia do combate. Agora, ele teve encontrada a mesma drostanolona e ainda dois ansiolíticos, medicações para dormir, oxazepam e temazepam. O peso médio foi suspenso preventivamente, até seu julgamento.

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O maior problema para Anderson é a reincidência no uso da drostanolona, um anabolizante muito utilizado por fisiculturistas, que melhora a qualidade muscular e dá mais força. A substância poderia ter sido usada para ajudar na recuperação da perna fraturada contra Chris Weidman, ou para incrementar a condição física em geral do lutador.

Ser testado duas vezes para a mesma substância neste prazo de cerca de 20 dias indica que o brasileiro teve a entrada da drostanolona, de fato, duas vezes em seu organismo, já que o anabolizante tem vida curta e pode desaparecer em uma semana.

O comentário de Bob Bennet, presidente da Comissão Atlética de Nevada, explica bem: “Uma coisa que particularmente me preocupa é ele ter testado positivo em 9 de janeiro e negativo em 19 de janeiro. Se ele tomou algo oralmente, ele fica no seu organismo de 5 a 7 dias apenas. Então, obviamente, ele usou algo próximo de 9 de janeiro e de novo muito perto da noite da luta. Ele testou positivo em dois de três exames, isso é certamente preocupante e inaceitável. Isso dá vantagem injusta sobre os rivais.”

Com este cenário, um dos caminhos para uma possível defesa de Anderson fica impossibilitado. Um cenário possível, é claro, é a admissão de culpa. Mas, se o brasileiro escolher negar o doping, as alegações de manipulação ou contaminação da amostra deixariam de ter fundamento, pelo fato do resultado mais recente também indicar a drostanolona e, como dito, ela não ficar no organismo por tanto tempo.

Apesar de um delito menor, a presença dos ansiolíticos também só faz crescer as chances de a comissão aplicar uma pena pesada para o ex-campeão. Neste caso, a NSAC explicou que o maior problema foi o brasileiro não ter comunicado no formulário oficial que fez uso dos medicamentos, algo previsto no regulamento e obrigatório.

A NSAC tem um histórico de aplicar ganchos longos, principalmente em momentos-chave da luta contra o doping, a exemplo de agora, em que se tenta ampliar os testes surpresa. Um caso que mostra isso foi o de Wanderlei Silva, banido pela vida de lutar MMA com licença do estado de Nevada, por fugir de um exame. Com um total de quatro substâncias ilegais no corpo, sendo uma delas pega duas vezes, Anderson não deve ser poupado e as estimativas de ele pegar de nove meses a um ano de afastamento podem ser ampliadas para um prazo até maior.