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A hora do irlandês: salto no ranking e salário maior que de campeão
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Jorge Corrêa


“Posso destruir os dois. O Chad [Mendes] ele é só um pequeno fisiculturista que está preso na divisão dos penas. Ele se cansa rápido. Já o [José] Aldo, sinto que ele está naquele caminho de deterioração. Ele conseguirá de novo mais uma vitória fácil. Parece para mim que a divisão está cheia de novatos e ultrapassados. Estou apenas me divertindo, coletando cheques pelo caminho e eliminando um a um.”

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A moral de Conor McGregor não para de crescer dentro do UFC e dois novos números deixam isso bem claro. Com sua vitória no UFC 178 no último sábado, o irlandês saltou quatro posições no ranking oficial dos penas, indo para a quinta colocação.

Além disso, ele recebeu o segundo maior salário do card, com US$ 175 mil (US$ 75 mil de bolsa e mais US$ 75 mil de bônus pela vitória), ficando atrás apenas do campeão do moscas Demetrious Johnson, que fez sua quinta (!!!) defesa de cinturão.

Para se ter uma ideia de o qual alto é esse salário, no mesmo evento, ex-campeão dos galos Dominick Cruz recebeu US$ 100 mil, e Donald Cerone, que fez sua 15ª luta no UFC, ganhou US$ 126 mil. Já no UFC 177, o atual dono do cinturão dos galos, TJ Dillashaw, recebeu US$ 100 mil por sua primeira defesa.

Quando Conor McGregor venceu Diego Brandão em julho, levando a torcida irlandesa a uma das maiores loucuras da história do UFC, escrevi aqui que o falastrão tem tudo para ser o cara do evento em pouco tempo. Seu nocaute ainda no primeiro round sobre Dustin Poirier deixou isso ainda mais claro.

A frase que coloquei na abertura deste post mostra a moral que ele está dentro da categoria. Ele se apontou como próximo desafiante pelo cinturão dos penas e estará no UFC Rio para ver de perto a revanche entre José Aldo e Chad Mendes. Juntando esse cenário e o quanto Dana White gosta do irlandês, dificilmente isso não acontecerá.


Como o UFC 178 mexeu com o topo de seis categorias
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Jorge Corrêa


Antes de o portão do octógono em Las Vegas fechar pela primeira vez, o UFC 178 não alimentava grandes expectativas. Mas ao final do evento, além das grandes lutas que tivemos, o card mexeu diretamente com o topo de seis categorias da franquia. Vou explicar o que aconteceu em cada uma delas.

Novo desafiante pelo cinturão dos galos O brasileiro Raphael Assunção tem de lamentar: vai esperar mais para disputar o título, mesmo que vença Bryan Caraway no próximo fim de semana. Isso porque o ex-campeão Dominick Cruz voltou de um hiato de quase três anos com uma atuação de gala, nocauteando o japonês Takeya Mizugaki em 1min. Dana White já avisou que ele será o próximo rival do campeão TJ Dillashaw.

Nova desafiante pelo cinturão feminino peso galo A brasileira Amanda Nunes até chegou perto de ter essa chance quando bateu muito no início da luta, mas Cat Zingano mostrou por que é a número 1 da categoria. Com a mesma gana que superou a grave lesão no joelho e o suicídio do marido, a norte-americana se recuperou na luta para conseguir no nocaute no terceiro round. Com isso, finalmente vai enfrentar Ronda Rousey.

Campeão dos moscas sem desafiante Único campeão na história da categoria no UFC, Demetrious Johnson acabou de despachar com facilidade o número 8 do peso, Chris Cariaso. Agora, restam apenas um rival direto: o brasileiro John Lineker, que teve atrasada sua disputa de cinturão por conta do seu eterno problema com a balança. Se vencer Ian McCall em novembro, será o próximo desafiante do Might Mouse.

Penas com um novo top contender Conor McGregor ainda não tinha enfrentado um grande rival no UFC. Mas sua impressionante vitória sobre Dustin Poirier deixou claro que ele está muito perto de disputar o cinturão dos penas. Mais que isso, ele pediu e dificilmente não será atendido: deve enfrentar o vencedor de José Aldo x Chad Mendes, no Rio, em outubro. E o irlandês já avisou que quer lutar com o brasileiro em um estádio por aqui.

Um rival para Jacaré Com o adiamento da disputa de cinturão dos médios entre Chris Weidman e Vitor Belfort, por conta da lesão do campeão, Ronaldo Jacaré teria de esperar muito tempo até disputar o cinturão. Agora, ele rival em potencial bem ranqueado: o cubano Yoel Romero. Isso só não acontecerá se o UFC marcar uma revanche contra Tim Kennedy por conta das polêmicas que envolveram o combate.

Cerone finalmente chegou lá Ninguém nunca discutiu a qualidade do caubói Donald Cerone. Mas na hora de chegar perto do cinturão, sempre perdi. Não foi o que aconteceu. Mesmo contra o duríssimo Eddie Alvarez, que finalmente estreava no UFC, conseguiu fazer um combate consciente e teve uma vitória consistente. Ainda deve fazer mais uma luta antes de ir para a cinta, mas nada que deve lhe trazer um grande desafio.

Tags : ufc 178


Amanda é nocauteada por Zingano; Dominick Cruz volta aniquilador
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Jorge Corrêa

Amanda Nunes até começou bem no UFC 178, mas acabou dominada por Cat Zingano e desperdiçou a chance de se aproximar da disputa de cinturão peso galo. Mas com uma grande superação nessa luta e na vida – depois de ter sofrido uma grave lesão no joelho e ter passado pelo suicídio do marido – a norte-americana deve ser a próxima rival de Ronda Rousey.

Amanda começou a luta em grande rítmo. Nos primeiros segundo, derrubou a norte-americana, ficou por cima e bateu muito no ground-and-pound. Ficou perto até mesmo de conseguir o nocaute, mas acabou tentando uma chave de perna e acabou sofrendo a inversão de posição. O segundo round foi completamente da norte-americana, que passou quase os 5min por cima, batendo e tentando finalizações.

Cat Zingano mostrou que estava completamente recuperada do primeiro round e voltou arrasadora para o terceiro round. Dominou a brasileira, derrubou e conseguiu rapidamente no nocaute técnico com uma série de cotoveladas no ground and pound.

Dominick Cruz volta aniquilador

Depois de quase três anos parado por conta de uma série de graves lesões, o ex-campeão do galos Dominick Cruz mostrou que está pronto para retomar o cinturão que perdeu sem ser derrotado. O norte-americano precisou de apenas 1min para atropelar o Takeya Mizugaki no fechamento do card principal do UFC 178.

Depois de uma pequena trocação, Cruz conseguiu uma bela queda com uma facilidade incrível. No chão, levou o japonês para grade e passou a castigá-lo no ground and pound. Travando uma das mãos do rival, o ex-campeão batia quase sem defesa. O juiz teve de interromper o combate e decretar o nocaute técnico.

Com uma atuação de gala como essa, é difícil de pensar que Dominick Cruz não será o próximo desafiante pelo cinturão dos galos, atualmente nas mãos de TJ Dillashaw. Azar do brasileiro Raphael Assunção, que era o próximo da fila nesse momento.

Card preliminar
Dominick Cruz nocauteou Takeya Mizugaki a 1min01 do 1º round
J Masvidal venceu James Krause por pontos, em decisão unânime dos juízes
S. Thompson venceu Patrick Côté por pontos, em decisão unânime dos juízes
Brian Ebersole venceu John Howard por pontos, em decisão dividida dos juízes
Kevin Lee venceu Jon Tuck por pontos, em decisão unânime dos juízes
Manny Gamburyan finalizou Cody Gibson (guilhotina) a 4min56 do 2º round


UFC 178: o evento com três lutas principais
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Jorge Corrêa

Este sábado era para ficar marcado pelo aguardado encontro entre Jon Jones e Daniel Cormier, depois daquela famigerada briga. Mas, com a lesão do campeão dos meio-pesados, o UFC teve de se virar para montar um evento que tivesse nível o suficiente para ser em Las Vegas e ainda vender pay-per-views.

A primeira solução foi trazer a disputa de cinturão dos moscas entre Demetrious Johnson e Chris Cariaso, que seria no UFC 177. Mas, vamos combinar, é difícil vender um card tendo apenas os levinhos como astros. O que o Ultimate fez, então? Arrumou mais duas lutas principais para o card.

Nesse meio tempos, o UFC divulgou e vendeu as lutas entre os penas Conor McGregor e Dustin Poirier, assim como a aguardada estreia de Eddie Alvarez contra Donald Cerone, com o mesmo entusiasmo que o combate final valendo o título. Para ser sincero, em muitos momentos, Johnson x Cariaso nem mesmo pareceu a luta mais bem divulgada da noite.

Foi uma grande maneira que o evento achou para resgatar o card e trazer grandes lutas para os fãs. Veja bons motivos assistir ao UFC 178.

1) Pela primeira vez Conor McGregor terá um rival de grande técnica e bem ranqueado dentro do UFC. É a grande chance de o irlandês mostrar que é mesmo o futuro dos pesos pena, que pode ser o grande ídolo europeu que o Ultimate tanto procura e, principalmente, que pode se aproximar de uma disputa de cinturão.

2) Depois de anos de espera e negociação, finalmente Eddie Alvarez poderá mostrar toda sua técnica no maior evento do mundo, depois de tanto tempo especulando-se se ele brilhava no Bellator apenas por nunca ter enfrentado os melhores de sua categoria. Promessa de muita porrada contra o caubói Cerrone.

3) Amanda Nunes tem uma missão dificílima contra a número 1 do peso galo feminino na abertura do card principal. Porém, se vencer bem e convencer contra a norte-americana Cat Zingano, Dana White não terá como não para ele a chance de disputar o cinturão de Ronda Rousey em janeiro de 2015.

4) Depois de quase três anos sem pisar no octógono e tendo sido destituído de sua posição de campeão peso galo, o norte-americano Dominick Cruz finalmente dará aos fãs de MMA a chance de rever uma das mais refinadas técnicas do esporte. Agora é ver se o tempo parado pesará contra o japonês Takeya Mizugaki.

Tags : ufc 178


Amanda Nunes explica por que será a 1ª brasileira a disputar título do UFC
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Jorge Corrêa

Confiante. Essa é a melhor maneira de definir a baiana Amanda Nunes antes de enfrentar Cat Zingano no card principal do UFC 178, neste sábado, em Las Vegas. O motivo de tanta animação é estar perto de ser a primeira brasileira a disputar um cinturão do Ultimate.

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“Esse sempre foi meu objetivo, desde que vim morar nos Estados Unidos para buscar meu espaço. Essa é minha meta e vou ser a número um do mundo. Tenho certeza que se vencer essa luta, vão me dar a disputa de cinturão. Sonho com isso há muito tempo”, disse.

Um dos motivos de tanta confiança de Amanda é o fato de sua adversária estar a quase um ano e meio sem lutar. A norte-americana venceu Miesha Tate em abril do ano passado e seria a técnica do TUF 18 ao lado de Ronda Rousey, mas sofreu uma grave lesão no joelho. Depois, quando estava na reta final de recuperação, seu marido, o brasileiro Maurício Zingano, cometeu suicídio, o que atrasou ainda mais seu retorno.

“Com certeza isso vai me ajudar. A pessoa precisa ter ritmo de luta, é complicado ficar tanto tempo sem lutar e sem treinar. Mas não é só por isso que sou favorita nesse combate. Pelo meu estilo de luta, levo vantagem em todas as partes. Acho que ela até vai tentar trocar um pouco, mas buscará a luta agarrada. Estou pronta para tudo.”

Nessa disputa para ser a primeira campeã feminina do Brasil, Amanda Nunes se vê à frente de suas compatriotas por ter feito combates mais duros que Bethe Correia e Jéssica Andrade, por exemplo. “É só ver contra quem eu lutei e como eu lutei. Meu desempenho foi muito superior. E é por isso que nenhuma delas vai furar a minha fila.”

“Essa é uma oportunidade muito boa para o Brasil voltar a ter mais uma cinturão. Estamos só com o do José Aldo hoje em dia. Além disso, pode ser uma grande chance de começarem a investir mais nas meninas. Estou confiante em sair vitoriosa e isso será bom para todos nós.”


Wanderlei diz que UFC vai acabar com o MMA: “Não respeitam os lutadores”
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Jorge Corrêa

Quando Wanderlei Silva anunciou sua aposentadoria do MMA no final da última semana, ficou claro que aquele desabafo, principalmente contra o UFC, era apenas a ponta do iceberg. Então decidi ir atrás do Cachorro Louco para tentar entender melhor os motivos de ele ter abandonado uma das mais bem sucedidas carreiras.

Consegui encontrá-lo aqui em São Paulo e pudemos conversar por mais de meia hora. Não é muito, mas já deu para clarear uma série de pontos do agora ex-lutador. É apenas o começo da análise da caixa-preta que ele tem em mãos. O rancor contra o UFC e seus mandatários é óbvio, mas é até engraçado como ele não cita, em momento algum, o evento ou seus mandatários nominalmente. No entanto, deixa claro de quem se trata em suas falas e sua revolta.

Wanderlei não consegue conceber a maneira com que o Ultimate vem tratando seus atletas e fez um alerta: se o maior evento não começar a se preocupar com os lutadores, o MMA vai acabar em breve – pelo menos com a atenção que ele tem hoje em dia. Ele tem um plano para virar esse jogo e, mais que isso, se coloca para liderar um movimento que moralize a relação entre atletas e eventos.

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Nesse papo, ele ainda falou sobre seu banimento de lutar nos Estados Unidos, como ele não reconhece o trabalho da Comissão Atlética do Estado de Nevada, como são as negociações com o UFC, os motivos de ter fugido de um exame antidoping surpresa, sua rivalidade com Vitor Belfort e – acreditem vocês – perdoou seu até então desafeto Chael Sonnen.

Quando você decidiu parar de lutar? Qual foi o momento em que você percebeu que não dava mais? Não teve um momento, as coisas foram acontecendo, não foi de agora, foi de algum tempo. Até pouco tempo atrás estava com vontade, me sentido bem, mas começaram a acontecer sucessivos fatos que tiraram minha gana de lutar. O problema é que não tive o suporte do evento e o diretor lá começou a falar bobagem de mim, falar coisas ao meu respeito. Como que vou lutar para esses caras, continuar fazendo o show? Isso me tirou a vontade até de treinar. Essas declarações como as dele e de alguns veículos me tiraram a gana.

Mas essa parada é para sempre? Nos Estados Unidos sabemos que você não pode mais lutar, mas e se daqui algum tempo surgir um evento no Brasil e algum amigo seu te chamar? Hoje, nesse exato momento, eu não voltaria por nada. O físico se cura, se fosse para fazer mais uma luta ou outra, arrumaria uma maneira de ficar bom, mas do jeito que está andando o esporte, não estou vendo como voltar. Os dirigentes não estão cuidando dos atletas. Isso são todas as organizações, elas não dão suporte, não promovem, fora do monopólio as pessoas não conseguem aparecer. Conseguiram ser tão competentes para estabelecer o monopólio, mas não cuidam dos seus empregados. Ou você está ali ou não está em lugar nenhum. Não pode ser assim.

O UFC perdeu muito evento esse ano, muita luta principal. Acha que esse fato é sintoma dessa falta de cuidado? É muita pressão, o cara te dá um tempo e a pressão vai aumentando… Não somos máquinas. Por exemplo, você vai se preparar para uma luta. Eu treino duas vezes por dia, mas tem gente que treina até três ou quatro. O corpo vai se desgastando e você começa a ler notícias falando ‘ah, já perdeu duas, se perder a terceira…’ Várias vezes entrei para lutar e gente falando que o patrão lá, o mestre dos magos, já tinha dito que ia me mandar embora se perdesse mais uma, que iria me aposentar. Como assim vai me aposentar?! Quem tem de decidir se vai se aposentar é o atleta. Eu decidi me aposentar porque eu quis. Não ia deixar que chegasse um cara desse e falasse que eu não lutaria mais. Não ia me prestar a esse papel, porque eu sei o quanto eu contribui para esse esporte. O mínimo que precisamos é que o cara, quando for nos dirigir, lave a boca para falar de nós. Porque assim não dá.

Qual é sua opinião sobre o trabalho do Dana White? Para onde ele vai levar o UFC? Quero deixar bem claro que a minha posição não é contra essa pessoa ou contra esse evento, não estou contra ninguém, estou a favor do esporte, dos atletas. Se não começarmos a cuidar dos atletas agora, esse esporte vai acabar. Isso porque tivemos uma ascensão meteórica, teve a minha fase, a fase do Minotauro, teve a fase do Anderson, glorioso, criou-se o ídolo. Você via clássicos, você via lutas que paravam a cidade. Hoje em dia vocês veem isso acontecer? Vocês chamam seus amigos para ver? Fazem um churrasco? Não! Eu não faço isso. Porque as lutas têm pessoas que eu nunca vi. Os eventos não estão investindo na promoção dos atletas. Tem de fazer a divulgação do lutador, tem de fazer o vídeo, contar a história. Nem isso está sendo feito. Vou te falar que tem luta principal que os caras ganham uma miséria. Dá até vergonha. Como você vai querer criar estrelas, criar ídolos sem cuidar dos caras?

E você tem alguma ideia de como resolver esse problema? O maior exemplo disso foi o basquete americano. Era tocado como o MMA, aí criou-se uma coalizão dos atletas, pressionou-se os dirigentes. Num primeiro momento tiveram de pagar um pouco a mais para os atletas, tinha de se pagar um piso mínimo. Com isso, os jogadores começaram a ganhar mais. Ganhando mais, o cara consegue comer melhor, se vestir melhor, consegue ter um carro bom, consegue cuidar da mãe dele e não ficar se preocupando, contrata treinador, compra suplemento. Tranquilo, ele pode ser profissional. Não dá para ser profissional ganhando como amador. Não é colocar o cara na televisão e achar que isso está bom. Damos entrevista como artista, damos autógrafo como artista, mas não recebemos como artista.

Então no fundo a grande questão é o dinheiro? E não é só o lado financeiro, o que mais me deixou chateado é como estão se referindo aos atletas. Manda o cara embora, escorraça o cara. Isso não se faz. O maior caso disso foi o Barão. Quando estavam promovendo a luta, ele era o maior peso por peso do mundo. Perdeu o cinturão, foi fazer outra luta, o corpo dele não aguentou. A luta foi casada na maior irresponsabilidade, em tempo curto. Por que? Porque eles não têm clássicos, não tem luta principal. Coloca o Barão! Agora, caiu a luta do Weidman com o Belfort, chamaram o Lawler contra o Hendricks, que acabaram de lutar também. Não tem quem colocar. E se eles não baterem o peso, o corpo acusar? Chama quem? E se um cara desse morre? Quem vai cuidar da família dele? Se não estão cuidando agora que o cara está vivo! Está faltando bom senso no mundo da luta.

Você acha que tudo isso faz diminuir o interesse pelo MMA? O que está acontecendo: não tem mais clássico, não tem mais luta emocionante, está se perdendo o interesse, o público não quer mais assistir ao UFC. As lutas estão chatas. Tem uma luta ou outra boa, mas não tem aquele clássico que para o povo. Pessoal não dá mais bola porque ninguém conhece. Se não houver uma atenção agora dos dirigentes com esses lutadores, tudo vai acabar. Já está em um declínio muito grande, é só ver como os números de pay-per-view estão caindo, mesmo quando o evento é de graça, audiência está caindo. Nem de graça estão vendo! Daqui a pouco, os ginásios vão esvaziar. É só esperar.

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Você pensa em liderar os lutadores em algum tipo de movimento para reverter essa situação? Se eu for escolhido pela classe, faria com o maior prazer. Acho que precisamos de alguém, que tenha atitude e moral. O problema é que quando você quer defender uma classe, as pessoas te julgam como se você quisesse tirar alguma vantagem com isso. Mas quero deixar uma coisa clara: conhecido eu já sou, famoso eu já sou, até demais, não consigo andar na rua, dinheiro para viver o resto da minha vida eu já tenho também. Se o motivo não fosse realmente o de dar mais dignidade para os atletas, eu não estaria aqui dando a cara a tapa. Se não fizer isso, esse esporte vai acabar. E esse é o esporte que eu amo. Não posso chegar agora no final de tudo e ver o esporte acabar, ver os atletas serem tratados dessa maneira, ver um campeão mundial como era o Barão, com 32 lutas invicto, tirando foto com o cinturão em um beliche de madeira com um colchãozinho de espuma. Que dignidade é essa? O cara tem 32 lutas invicto e não conseguiu fazer o pé de meia, vai fazer quando?! Não tem mais ninguém ganhando dinheiro com isso! Me fala cinco caras que você pode cravar que estão bem? Anderson, GSP, Jon Jones talvez. Só isso! Estamos falando do principal evento, imagine nos outros.

Como são as negociações entre o UFC e seus lutadores? O evento coage os atletas de alguma forma? Eu não tenho empresário. Para que vou querer um cara para só assinar, não fazer nada e ainda ganhar uma porcentagem? Então eu mesmo negociava minhas lutas. Mas a negociação são dois contra um. Os dois maiores. Então você entra na sala já meio coagido. São os caras que você respeita, são os patrões – agora meus antigos patrões. Como foi na minha última luta: o reality acabaria no final de maio e disse que não lutaria, porque não estaria pronto nessa época. Eu falei na cara deles que não podia. Passou uma semana e disse que talvez poderia lutar no final do ano. Ficaram meio assim, mas não estaria pronto antes. Passou um tempo, me chamaram de novo e falaram 31 de maio de novo. Me ofereceram um valor de 7 dígitos. Uma quantia muito boa. Falei que não pegaria o dinheiro porque não estaria pronto naquela data. Seria fácil para mim, poderia ficar 10s no ringue, vencendo ou perdendo, já teria aquele dinheiro. Me falaram: ‘Você sabe quanto tempo demoraria para você juntar esse dinheiro?’ Respondi: ‘Sei muito bem e esse dinheiro não vai mudar nada para mim e nem para você’. Eles pensaram: ‘Achamos alguém que não conseguimos comprar’. Expliquei que não entraria para não fazer exatamente o que eu sempre fiz. Não tenho preço. Então mudaram para julho e teve toda outra negociação.

Lá dentro da sala é Dana White, Lorenzo Fertitta e Joe Silva? Ali não posso citar nome. São os patrões lá dentro. Eles fazem o esquema policial bom e policial mau. É aquela história de ‘por mim tudo bem, mas por ele sabe como é…’

Hoje você se arrepende de ter fugido do teste antidoping surpresa que culminou com essa série de problemas e, até mesmo, sua aposentadoria? Tudo isso é muito nebuloso, eles têm a lei deles, que eles mesmos fizeram e eles mesmos estão descumprido. Ninguém sabe quem eles são, quem é o presidente, que caras eles têm, não aparece em lugar nenhum, só aparece para ferrar os atletas, mas logo logo vamos saber. Vamos pedir para colocar as cartas na mesa, colocar a cara lá, para vermos quem são as pessoas.

Os lutadores vão se organizar de alguma maneira para pedir para que essas pessoas da Comissão Atlética do Estado de Nevada apareçam? Acho que é do interesse de todo mundo. Porque se você quer julgar alguém, precisamos saber quem você é, de onde veio, quem te colocou lá. Ninguém sabe de onde vieram essas pessoas, se eles trabalham para alguém. Eu não sei quem são esses caras e eles querem me julgar? Quem deu todo esse poder para eles?

Em outra situação, você teria feito o teste? Naquele momento eu não poderia fazer, por conta das lesões que eu tive, estava tomando medicamentos fortes, comecei a inchar e por isso também tomava diuréticos, que é tido como máscara para outras substâncias que eu não estava tomando. Fiz até depois o exame de testosterona e estava bem abaixo do normal. Tem antiinflamatórios que aparecem no antidoping, mas não são doping. É medicamento para o cara treinar. Mas ninguém quer saber disso. Eu sabia disso, sabia que não passaria no exame, então resolvi não fazer.

Mas você chegou a usar alguma substância proibida em algum momento de sua carreira? Você já utilizou doping? No dia da luta eu estaria limpo, eu sempre lutei limpo, nunca testei positivo para nada, sempre tive uma carreira limpa. Ao contrário de muita gente que vai disputar cinturão aí e já caiu várias vezes no doping, caiu em fevereiro e iria lutar pelo título em dezembro. Outro cara testou a mesma coisa e pegou dois anos. Que lei é essa? De onde vem esse interesse? Qual é o interesse das pessoas que julgam?

Então você acha que o Vitor Belfort não deveria disputar o cinturão por causa do histórico dele com doping? Quem sou eu para falar? Não sou eu que decido. Mas tem de ver o histórico das pessoas que decidiram e porque elas decidiram isso.

Você sente falta do Pride, de suas lutas no Japão? Acho que os eventos de agora são bons, me sentia em casa, mas é duro quando o dirigente quer aparecer mais que o atleta. Quem tem de aparecer são os atletas. Agora ficar sentado apontando quem é bom, quem é ruim, quem vai esculachar. No Japão isso não acontecia. Lá éramos tratados com respeito, respeito marcial. Os fãs são os mesmo no mundo inteiro, mas foi o tratamento dos dirigentes que me tirou a gana de lutar.

É verdade a história que no Pride tinha no contrato que eles não fariam exame antidoping? Você conhecia alguém que fazia uso do doping no evento? De maneira nenhuma isso é verdade. Todas as lutas lá eu fiz xixi no copinho antes e depois. Não sei os outros, mas eu sempre fiz testes lá. Essa história de que no Pride não tinha antidoping é tudo mentira. Desde o primeiro até o último evento que lutei lá eu fui testado.

Como está sua relação com Chael Sonnen? Vocês se encontraram depois de todos os problemas no TUF Brasil? Ele até te elogiou, disse que você deveria estar no Hall da Fama… Essa história do Hall da Fama já falei e falo de novo: não quero! Não aceito e se me chamarem eu não vou aceitar. Não quero mais nada dessa organização. Do jeito que esses caras estão tratando os esportistas não quer mais nada. Não me chamem, porque eu não vou. Hall da Fama são os fãs que dão, não é a plaquinha. Não quero mais meu nome relacionado ao UFC.

Então você perdoou o Sonnen por tudo que aconteceu antes e durante o programa? Sobre o Sonnen, muita hombridade por parte dele. Tivemos as nossas desavenças, acho que ele foi punido de uma maneira extrema, até demais. Ele tem seu lado controverso, eu não gostava do estilo dele de vender as lutas, assim como muita gente não gostava do meu por ser muito sincero. Cada um tem seu público. Mas uma coisa que eu não aceito e injustiça. Ele foi cassado por dois anos no mesmo julgamento que o outro foi liberado para disputar o cinturão. Depois demitiram da televisão, onde ele fazia um ótimo trabalho. Ótimo mesmo. A mesmo organização que colocou ele lá agora tira o trabalho dele na luta e na televisão. Depois, ele foi disputar um campeonato de jiu-jítsu e queriam multar o cara. Vocês vão pagar o aluguel dele, o financiamento do carro, a comida da família? Ninguém vai pagar nada. Eles querem mostrar força oprimindo o lutador e indo acima da lei, uma lei que não existe.

Você se arrepende da briga com ele no TUF Brasil? Aquilo aconteceu. Somo adultos, repreendemos qualquer tipo de briga ou ato violento fora do ringue, mas houve um erro da produção, que viu que o clima estava esquentando e não fez nada para separar. Deixaram a câmera ligada para ver o circo pegar fogo. Com isso e uma edição tendenciosa, eles acabaram ganhando a audiência deles e enganaram o povo. Aquilo foi uma cama de gato que foi feita para mim. Mas quem ficou contra já voltou para meu lado porque viu que foi uma armação e culpa da direção do programa.

O que você vai fazer agora? É isso que vou fazer agora. Não sei o que vou fazer agora, se vai ter uma associação, mas eu sei o que acontece, estou vendo o que acontece. E eu não tenho medo de ninguém. Estou aqui para botar a cara para bater. Nunca fugi de luta e não vai ser agora que vou fazer isso.

Wanderlei Silva

Wanderlei Silva

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Mendes contra-ataca Aldo: “É um babaca”
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Jorge Corrêa

José Aldo

José Aldo

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“Esse cara é baita de um babaca. Aquilo realmente me irritou. Estávamos lá para vender a luta e o cara vai lá e me empurra. Depois, dá entrevistas falando que fez aquilo apenas para ‘vender a luta’. Das duas, uma. Ou você é um idiota ou você perdeu o controle.”

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Chad Mendes ainda não esqueceu o empurrão que sofreu de José Aldo no mês passado, no estádio do Maracanã, durante a divulgação do UFC 179, que acontecerá em outubro. É o que mostrou o desafiante pelo cinturão dos penas nessa entrevista ao site MMA Junkie.

O norte-americano não engoliu ter sido confrontado daquela maneira diante da imprensa. O ato do campeão parece ter fomentado uma gana de vingança ainda maior, superando até mesmo a derrota que ele sofreu no Rio de Janeiro em 2012.

“Não faz sentido para mim você empurrar alguém em uma encarada. Isso faz parte do nosso trabalho. Devemos ir lá, ficar de frente um para o outro, posar para as câmeras e tudo mais. Se você não de me ter ali, não me encare!”

“Obviamente eu adoraria arrebentar esse cara, mas eu sempre tento acabar rapidamente com minhas lutas, especialmente contra alguém como José Aldo e em uma luta que vale o cinturão. Com certeza isso me daria ainda mais prazer.”


Wanderlei Silva: multado e banido por fugir de antidoping
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Jorge Corrêa

Mesmo depois de anunciar sua aposentadoria, Wanderlei Silva ainda vai pagar por um de seus últimos atos como lutador do UFC. A Comissão Atlética do Estado de Nevada puniu o agora ex-atleta por ter fugido de um teste antidoping surpresa.

Em audiência acontecida nesta terça-feira, sem a presença do brasileiro, a entidade definiu uma multa de US$ 70 mil dólares (cerca de R$ 170 mil), além de bani-lo de qualquer evento de luta no Estado, entenda-se, em Las Vegas.

Quando ainda tinha luta marcada contra Chael Sonnen em julho, Wanderlei fugiu pela porta dos fundos de de sua academia em Las Vegas quando um funcionário da comissão foi até lá para fazer um teste surpresa. Depois, ele explicou que fez isso porque estava tomando um diurético para tentar acelerar a recuperação de uma fratura na mão, ou seja, ele seria flagrado no antidoping.

Essa dura punição também explica muito o fato de Wanderlei Silva ter anunciado sua aposentadoria na última semana. Seu advogado já devia saber que algo nessa proporção viria. E é um efeito cascata para o lutador. Proibido de lutar em Nevada, principal palco do mundo das lutas, o UFC dificilmente marcaria um combate para ele em qualquer outro lugar. A entidade com sede em Las Vegas é o farol para todas as outras similares ao redor do mundo.


Belfort se dá bem com lesão de Weidman. E Jacaré pode buscar rival
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Jorge Corrêa

Vitor Belfort

Vitor Belfort

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Enquanto muitos de seus detratores apostavam em um problema de Vitor Belfort, que o tiraria da disputa do cinturão dos médios em dezembro, foi na verdade o campeão Chris Weidman que acabou se lesionando. Com isso, a luta foi adiada para fevereiro de 2015.

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Mas se tem alguém que não pode reclamar dessa nova data é o brasileiro.

O primeiro motivo é o óbvio: ele não tem contusões, continuará treinando normalmente até lá, enquanto seu rival terá de passar por uma cirurgia para corrigir a fratura em sua mão, além de seis semanas de recuperação. O norte-americano terá menos tempo de preparação até o combate.

Mas para Vitor a grande questão sobre o adiamento é o tempo que ele ganhou para que seu corpo fique ainda mais acostumado com o fim do polêmico tratamento de reposição de testosterona, o TRT que ele fazia uso até fevereiro passado.

Já deu para ver que como efeito imediato ele está com um porte físico menor que no último ano. Agora, ele ganhou mais pelo menos dois meses para recuperar um pouco mais de sua antiga forma e chegar na luta sentindo menos os efeitos do fim do TRT.

E o Jacaré? Quem não deve ter gostado nada do adiamento dessa luta é Ronaldo Jacaré. Isso porque ele é o primeiro colocado no ranking dos médios e deve ser o próximo desafiante pelo cinturão dos médios. Mais que isso, ele era um backup caso acontecesse algo com Belfort.

Agora é que ele não pode mesmo esperar essa disputa de cinturão para ter a sua chance, o brasileiro pode começar a procurar um adversário para lutar ainda este ano. Depois da vitória de Jacaré sobre Gegard Mousasi, escrevi sobre as opções que ele tem. Ainda acredito que ele deve enfrentar o vencedor de Tim Kennedy x Yoel Romero, que acontece neste sábado no UFC 178


Wanderlei tem a chave da caixa preta e sinaliza Bom Senso no UFC
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Jorge Corrêa

Não foi exatamente uma surpresa o anúncio da aposentadoria de Wanderlei Silva, depois de 18 anos carreira profissional no MMA – na verdade, começou em sangrentos combates de vale-tudo – com 49 lutas, sendo 35 vitórias e apenas 12 derrotas, além de título no Pride e idolatria de fãs de todo o mundo. Mas o preço de tanto tempo lutando foi cobrado nos últimos anos, com lesões em sequências e atuações fracas.

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O chocante foi o discurso usado por Wanderlei em um vídeo de mais de 13 minutos. Ele mostrou todo seu rancor contra o UFC e seus mandatários. “Esse lugar me tirou a vontade de lutar”, resumiu. Ele se mostrou completamente revoltado com a maneira que o evento trata os atletas. Para Silva, a gota d’água foi como Dana White lidou com o corte de Renan Barão do UFC 177 depois de ter desmaiado durante o processo de corte de peso.

(Vale a pena ver o vídeo inteiro acima)

Ao fazer esse denso desabafo, Wanderlei Silva escancarou uma série de problemas e mostrou que tem a chave da caixa preta que é a relação entre a direção do UFC e seus lutadores. Claro que eles vivem sob contratos empregatícios e comerciais que podem ser rompidos unilateralmente por qualquer parte, mas o evento tem suas responsabilidade sendo o maior de todos e flertando com o monopólio.

O Cachorro Louco não é o primeiro ex-Ultimate a desancar os antigos patrões (Rampage e Tito Ortiz que o digam), mas é o mais representativo lutador a fazê-lo. Por sua história no esporte e entrega nos ringues, Wanderlei é muito respeitado por colegas lutadores e fãs de MMA. Seu desabafo deixa muito claro que ele pode comandar uma mudança de postura dos atletas.

Como disse acima, ninguém é obrigado a lutar no UFC, existem outras casas na modalidade, mas é completamente compreensível a tentativa de qualquer lutador de chegar – e ficar – na maior de todas as franquias. Salários maiores, plano de carreira e, principalmente, visibilidade para conseguir outras fontes de renda, como patrocínios polpudos.

No entanto, os lutadores podem, sim, se organizar para cobrar melhores condições, como qualquer outra classe trabalhista, assim como está acontecendo no futebol brasileiro com o movimento Bom Senso FC, liderado pelo zagueiro Paulo André. Aposentado e sem qualquer tipo de amarra com o UFC, Wanderlei Silva seria um bom líder para esse projeto (Rodrigo Minotauro é outro nome perfeito para isso, assim que conseguir deixar o octógono de vez).

ATENÇÃO: Preciso deixar claro que a comparação que faço no título deste post pode ser feita guardadas as devidas proporções. O motivo é muito simples: O Ultimate é uma empresa, com donos e um presidente que podem fazer o que querem com seu próprio negócio. É apenas um dos eventos do esporte MMA. Não é como a CBF, uma associação privada que rege um bem público, que é a modalidade futebol em um país inteiro, assim como seus torneios.