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Gadelha provoca campeã: ‘não dorme à noite, sabe que perdeu para mim’
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Maurício Dehò

Claudia Gadelha

Claudia Gadelha

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Bethe Correia tem a chance de ser a primeira brasileira campeã do UFC neste sábado, no Rio. Enquanto isso, outra lutadora do país luta para ganhar a chance de lutar pelo cinturão: Claudia Gadelha, que abre o card principal na HSBC Arena. A potiguar está de olho no outro título, o das peso palha da organização. E com um detalhe: ela já enfrentou a atual campeã, Joanna Jedrzejczyk, em um combate que muitos consideram que teve a vitória dada injustamente à polonesa.

O desafio de Claudia neste fim de semana é contra a estreante  no UFC, mas veterana no MMA Jessica Aguilar. Mesmo com a rival só em 15º lugar do ranking, a expectativa criada pelo UFC é de que uma boa vitória da brasileira, líder da lista, resulte na revanche com Joanna. É tudo que a potiguar quer – e, de acordo com ela, que a campeã também deseja.

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“Eu acho que vai acontecer, porque ela (Joanna) também quer. Tenho certeza de que quando ela deita no travesseiro, não dorme à noite, fica incomodada, porque sabe que perdeu a luta”, provoca Claudinha, potiguar de Mossoró, de 26 anos, e cujo cartel mostra 12 vitórias e uma derrota.

“Eu ainda me sinto invicta, para mim, foi algo administrativo, erraram ao pontuar. Quem viu a luta, sabe que tomei um knockdown, mas voltei e briguei dois rounds. Ela ganhou 10 segundos da luta, e deram a vitória para ela”, reclama ela, adicionando. “Ela faz um pouco de tudo, mas eu também faço. Acho que sou melhor em tudo que ela. Ela é completa, mas também sou”.

A única derrota de Claudia, contra Joanna, aconteceu em dezembro. Para muitos – este que vos escreve inclusive -, a pontuação dos árbitros laterais foi injusta. Fato é que a polonesa saiu com a vitória, ganhou a chance de enfrentar a então campeã Carla Esparza e a partir daí virou uma estrela do UFC. Deu uma surra em Esparza, conquistou o título, construiu uma imagem carismática e até já fez sua primeira defesa, batendo Jessica Penne por nocaute.

A evolução de Joanna é notável, mas não chega a espantar a brasileira.

“Não acho que ela evoluiu tanto, acho que as adversárias que não estavam no nível dela. A Carla não sabe nada em pé, não sabe dar um soco. Para lutar com a Joanna, tem que trocar, fazer ela andar para trás. A Jessica Penne é boa, mas vinha de outra categoria, então, era outro jogo. A Joanna vai mostrar que evoluiu quando enfrentar as top da categoria. Eu a vi mais solta, mais tranquila, confiante, mas ela evoluiu como qualquer um, não tanto quanto se fala”, analisou a pupila de Dedé Pederneiras e companheira de José Aldo e Renan Barão.

Barão, por sinal, foi uma das armas de sua preparação, já que eles estavam com calendário parecido – o conterrâneo de Rio Grande do Norte perdeu para TJ Dillashaw no último sábado. “A gente é muito amigo, muito irmão, se ajuda sempre”, elogiou ela.

Claudia conta que fez um trabalho físico mais intenso, para otimizar sua performance e não perder o gás. A intenção é estar até o fim do terceiro assalto andando para frente. E, claro, manter o foco em Jessica, e não em Joanna.

“Todo mundo está falando sobre cinturão, e até o UFC deu a entender que se vencer serei a desafiante, mas meu foco está na Jessica”, garantiu a número 1 do ranking peso palha. A norte-americana Jessica Aguilar tem 19 vitórias e quatro derrotas, vem de nove vitórias seguidas – incluindo uma contra Esparza – e foi campeã do WSOF.

Claudia poderia torcer contra Bethe para ser a primeira campeã do Brasil entre as mulheres, mas não liga para isso. Para ela, uma arquirrival de Ronda é quem tem esse título, e ver Bethe Correia como campeã também seria algo a se comemorar.

“Eu quero que o Brasil se encha de campeões, eu sou patriota, amo meu país, por mim todos os cinturões seriam do Brasil”, disse ela, sobre o confronto Ronda x Bethe. “Não tenho a ambição de ser a primeira. E, para mim, Cris Cyborg é a melhor do mundo, pra mim ela é quem foi a primeira campeão mundial de MMA, então, por mais que eu conquiste o cinturão do UFC, já tenho uma número 1.”


Ronda desconstrói vilã do octógono e revela perrengues reais em livro
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Jorge Corrêa

Ronda-Rousey---Capa-e-contracapa

Em quase seis anos cobrindo eventos do UFC in loco, uma das cenas que mais me marcou foi o final da disputa de cinturão entre Ronda Rousey e Miesha Tate na edição 168, em dezembro de 2013. Mesmo depois de vencer de forma contundente e se manter como campeã do Ultimate, Ronda ouviu uma das maiores vaias da história do evento, com um ginásio lotado e diante de um público predominantemente norte-americano. Tudo porque se recusou a cumprimentar sua rival após ser anunciada como vencedora.

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Dona de uma carreira impecável e cada vez mais próxima da invencibilidade, a dona do primeiro cinturão feminino do UFC nunca fez questão de parecer legal diante das câmeras ou diante de suas rivais. Sua gentileza vai até onde sua adversária merece. Sempre franca e sem papas na língua, dividiu os fãs de MMA: de um lado os admiradores de sua técnica apuradíssima, do outro os “haters” que não gostam da maneira que ela se porta. Ela nunca se importou com o papel de vilã. Pelo contrário, a carapuça lhe serviu muito bem.

Isso até vir seu livro. Lançado nos Estados Unidos em maio deste ano, “Rousey – My Fight/Your Fight” (no Brasil sai nesta semana em português com o título “Ronda Rousey – Minha Luta, Sua Luta”, pela editora Abajour Books), se prepõe a ser uma biografia de uma personalidade de apenas 28 anos. Como bem disse Dana White, no prefácio, esse com certeza será apenas o volume 1 da história da lutadora.

Mas, mais que contar histórias desconhecidas de Ronda Rousey – ou detalhar outras que já eram públicas – a publicação (feita a quatro mãos entre ela e sua irmã, a jornalista esportiva Maria Burns Ortiz) desconstrói de forma sincera esse papel de vilã que ela assumiu. Ela o faz revelando os inúmeros perrengues que passou em sua vida até chegar ao panteão dos maiores lutadores de MMA da atualidade. Ela se aproxima do público mostrando seu lado humano, como ela se tornou uma heroína se sua própria história.

De tempos em tempos, sua vida foi marcada por tragédias pessoais, dos mais diversos graus. Sua mãe teve uma complicação no parto que a levou a falar apenas perto dos quatro anos. Ainda muito nova, seu pai cometeu suicídio por ter uma doença degenerativa irreversível que o deixaria em estado vegetativo. Ela passou por momentos de fuga de casa, briga com mãe, falência (que a levou a morar em seu carro) e arriscou sua carreira tendo três empregos ao mesmo tempo, isso enquanto treinava.

A linha narrativa do livro gira em torno de como Ronda conseguiu superar cada uma desses problemas e como isso formou sua personalidade, como pessoa e como lutadora. Flertando com a autoajuda, o texto nos explica a origem de tanta confiança e como ela se prepara para evitar seu maior medo: a derrota.

Nessa formação, temos como personagem chave sua mãe, Ann-Maria Burns primeira campeã mundial de judô dos Estados Unidos. Ela é responsável por ter transformado a pequena Ronda em uma judoca talentosa e empurrá-la ao seu limite – muitas vezes, fora do saudável. Os altos e baixos da relação entre as duas fez a campeã do UFC chegar até aqui, seja por motivações físicas, seja por puro, clássico e eterno desafio entre mãe e filha. Uma frase de Ann-Maria deixa isso claro: “Campeões sempre fazem mais”. Foi assim que mesmo gravemente machucada ela desenvolveu sua chave de braço indefectível, por exemplo.

Os namorados e as lágrimas também são parte importante, principalmente nos últimos anos de sua trajetória. E mais uma vez vemos que ela é “gente como a gente”. Apenas citando rapidamente, ela teve o primeiro namorado que a traía, o namorado perfeito que depois mostrou ter um sério problema com drogas, o namorado que achava ela feia, o namorado tarado que tirava fotos dela pelada sem ela saber…

E a prova de que a campeã deve ter escondido pouca coisa é o fato de ter revelado de onde veio o rumor de que ela teria um caso com Dana White, ou como odiou ser treinadora do reality show The Ultimate Fighter ao lado de Miesha Tate e porque nunca mais vai repetir essa experiência. É muita sinceridade contra uma das meninas dos olhos do UFC.

Depois de ler quase 300 páginas de um texto simples, direto, fluido e com tantos palavrões, é difícil de não criar alguma empatia por Ronda Rousey. Daqui para frente vai ser difícil imaginá-la sempre como a personagem má da história.

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Capa da versão em inglês


Lutadora minimiza seio de fora no UFC: ‘não tenho vergonha do meu corpo’
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Maurício Dehò

O medo de tantas lutadores se tornou realidade para uma delas neste fim de semana. Durante o UFC realizado em Chicago a norte-americana Elizabeth Phillips acabou sofrendo com seu uniforme e, em dois momentos, ficou com o seio de fora durante o combate com Jessamyn Duke. Poderia ser um drama, motivo de vergonha, mas você acha que ela ligou muito para isso? Quase nada.

A peso galo de 28 anos conta que percebeu na hora que estava, digamos, mais exposta do que deveria no octógono. Primeiro, no round inicial, quando estava nas costas de Duke. E depois no terceiro assalto, quando nos instantes finais tentava evitar uma chave de braço da rival. Tudo foi muito rápido – tanto que passou despercebido pela maioria que assistiu ao combate.1972531_679376912124635_1625459003_n

“Sim, eu percebi o que aconteceu enquanto estava lutando”, riu a lutadora, em entrevista ao blog, falando com bom humor sobre o flagra inesperado. “Eu tentei ajeitar, mas no meio da luta tem hora que não dá. Mas, tudo bem, isso acontece, segue o jogo.”

Elizabeth conta que alguns amigos próximos viram a cena, que virou motivo de riso para todos, até pelo fato de ela não se incomodar. “Não é tão vergonhoso, poderia acontecer com qualquer uma. Não reagi tipo: ‘ohhh, não!’. Não foi assim. Para mim, não é tudo isso, não foi minha culpa e não acho que preciso ter vergonha do meu corpo”, afirmou a peso galo. “Meus amigos fizeram piada, ficamos rindo disso que aconteceu. Não perdi o sono com isso.”

A norte-americana afirmou que nunca havia passado por isso em sua carreira. Um detalhe é que o UFC conta com uniformes há duas semanas, e uma das promessas era de que as mulheres receberiam atenção especial e que suas vestes lhes dariam mais segurança – Ronda Rousey foi uma que exigiu isso.

“Acontece, não vou culpar a Reebok, mas acho que eles farão alguns ajustes para as próximas peças. Eu nunca precisei fazer como outras meninas e usar dois tops, mas com certeza na próxima luta vou vestir”, disse ela.

Seios à parte, Elizabeth comemorou vencer sua primeira luta no UFC, em seu terceiro compromisso com a organização. Vinda de duas derrotas, ela precisava afastar o fantasma da demissão, e conseguiu isso com um triunfo por pontos sobre Jessamyn Duke.

“Foi uma sensação ótima. Depois de tantas coisas que aconteceram, me senti bem em vencer, tirou um peso dos ombros”. Sobre sua atuação, não ficou totalmente contente. “Sempre há espaço para melhorar. Eu não fui bem no terceiro round. Queria ter conseguido acabar a luta mais cedo, então fui muito intensa no começo. Talvez pudesse ter diminuído o ritmo. São coisas que você aprende”, concluiu.

Aos 28 anos, Elizabeth Phillips tem 5 vitórias e três derrotas na carreira. Com o resultado, sua intenção é conseguir uma luta contra alguém do ranking, para vencer, embalar e avançar rumo ao top 10 da categoria de Ronda Rousey.


Cerveja amplia patrocinados no UFC. Depois de Ronda, Werdum
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Jorge Corrêa

Ronda Rousey participa de comercial da Budweiser

A marca de cerveja Budweiser fez uma grande aposta no MMA/UFC ao firmar patrocínio com o Spider e fazer dele um grande garoto-propaganda – a ponto de o ex-campeão figurar em edições especiais de suas latinhas. Sem ele, que perdeu o apoio e segue afastado por conta de um caso de doping, a empresa resolveu se manter no mundo das lutas e até ampliar o número de competidores que lhe representam.

A primeira foi Ronda Rousey, cujo acordo deu origem a uma propaganda bastante elogiada na última semana (veja no vídeo acima). Agora, o blog apurou que Fabrício Werdum é o novo patrocinado da Budweiser.

O acordo começa a valer já nesta semana de UFC 190. O novo campeão dos pesos pesados não luta, mas já fará ações com a marca. A principal será comentar os combates da noitada, que acontece no Rio, no Twitter da Bud.

Werdum passa a ser a nova cara da marca no Brasil, e com um slogan que combina com sua jornada, já que foi campeão do UFC aos 37 anos. “Mantenha-se obstinado'', será a frase.

O gaúcho venceu Cain Velásquez em junho, unificou cinturões e se garantiu no topo da organização. O UFC ainda não anunciou seu próximo compromisso. Já a outra patrocinada, Ronda Rousey, encara Bethe Correia em mais uma defesa de cinturão, neste sábado.


Nova surra dá a Barão duas duras opções para seu futuro no UFC
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Jorge Corrêa e Maurício Dehò

Foi doída a derrota de Renan Barão para TJ Dillashaw. Como falamos aqui no blog no domingo, a surra tomada pelo brasileiro, perdendo a revanche que valia o cinturão dos galos do UFC, lembrou muito o que Cigano passou contra Cain Velásquez, que na segunda luta contra seu maior rival tomou uma surra tão dura quanto na primeira. Mas, virada esta página, o ex-campeão terá de pensar – e muito – sobre qual será seu próximo passo. As opções não são simples, darão muito trabalho, mas o potiguar tem apenas 28 anos e muito com que sonhar.

Dana White foi o primeiro a indicar um caminho para Barão: subir de peso. E, realmente, esta é uma opção que sempre esteve ali, próxima do potiguar, já que não é mistério para ninguém as dificuldades que ele têm para se adequar ao peso galo (até 61 kg), assim como acontece com José Aldo, sempre ligado a uma ida à categoria pena. Essas dificuldades fazem com que o corte para a pesagem seja duro e afeta até a sua performance, já que a recuperação e reidratação também fica mais complicada. O gás de Barão em comparação ao de Dillashaw mostra isso.

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Os pontos negativos desta opção passam pela chance de ele enfrentar rivais maiores fisicamente e também de entrar em um plantel de lutadores de qualidade ainda maior do que se via nos galos: Frankie Edgar, Chad Mendes, Ricardo Lamas… Isso é, ele teria de comer grama e trabalhar muito para provar que pode chegar ao topo.

Além disso, há José Aldo. Para sonhar com um título, sua opção seria torcer para que o companheiro de time cumpra o esperado há tanto tempo e passe para o peso pena – de preferência ao vencer Conor McGregor.

Por outro lado, há boas vantagens. Potencial nunca faltou a Barão. Talentoso, com armas preciosas tanto em pé quanto no chão e um dos lutadores mais ousados da organização, há uma boa chance de o sofrimento em cada pesagem inutilizassem parte do seu arsenal. Barão é tão bom, que venceu mesmo assim todos que passaram por seu caminho, antes de Dillashaw – este sim um peso galo realmente adequado à categoria – aparecer como uma locomotiva em seu caminho.

Como peso pena, ele poderia chegar mais forte às lutas, com o gás em cima e teria mais condições de se apresentar com 100% do seu potencial. Vale citar que, no começo da carreira, era como pena que Barão lutava, até optar por seguir sua carreira no peso de baixo.

A segunda opção é seguir como está e se manter no peso galo. Isso significaria seguir se matando para bater os 61 kg, e, por enquanto, sem grandes recompensas pela frente. Com duas derrotas para Dillashaw, a chance de um terceiro combate tende a zero. Portanto, qual a motivação de se manter nesta categoria?

Caso siga, o melhor cenário para Barão seria virar o “gatekeeper”, o guardião do cinturão, aquele lutador que “controla” o acesso ao campeão e que testa quem de fato tem chances de lutar pelo título. Um exemplo: Chad Mendes. O norte-americano perdeu para José Aldo duas vezes, mas tem um status de muito respeito na organização. Tanto que disputou o cinturão interino contra Conor McGregor, foi derrotado e, com esse resultado, ficou provado que o irlandês ganhou com justiça sua chance de enfrentar Aldo. Barão se manteria como um forte número 2, só esperando TJ cair e ele voltar a ter uma chance pelo título – mas sem saber quanta paciência precisaria ter nesta fila.

Mais do que apenas escolher quanto pesará em sua próxima luta, o brasileiro deixou claro que a outra grande questão está em sua evolução como lutador, e como ele poderá sair de tudo isso como um novo Renan Barão.

Quando um lutador perde duas vezes para um mesmo rival, de forma tão acachapante e em lutas tão semelhantes, seus pontos fracos são esmiuçados e vistos como se estivessem sob uma lupa por seus rivais. Então, Barão tem não só de retomar seu melhor jogo, mas também ir além. O novo Barão, seja ele ainda melhor tecnicamente na trocação, seja usando mais seu jogo de chão, precisa se apresentar, para que não vire mais um na organização e para que seu futuro dentro do UFC faça jus ao legado que deixou enquanto reinou entre os galos.

Leia também:
Barão teve surra menor na 2ª luta, mas caiu com combo de 22 socos
Barão revive drama de Cigano. E a fila dos pesos galo no UFC andou
Dana White já costura terceira luta entre Ronda e Miesha Tate

*Errata do Dehò: Na versão inicial, o correto era falar em mudança para os PENAS, e não LEVES, como apareceu em alguns momentos. Erro corrigido.


Barão teve surra menor na 2ª luta, mas caiu com combo de 22 socos
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Maurício Dehò

Não deu para Renan Barão. Se alguém ainda imaginava que TJ Dillashaw teve uma noite dos sonhos no UFC 173, quando tomou o cinturão dos galos do brasileiro, agora se certificou de que não foi só uma noite e sim que ele vive uma fase dos sonhos. O norte-americano foi superior em todos os momentos e aplicou nova surra. E os números são interessantes. O campeão bateu menos, foi mais preciso do que na primeira luta e ainda fechou a conta com um combo de 22 socos – pareceu game de lutas…

Vamos às estatísticas – via Fightmetric. Se em 2013 Dillashaw aplicou 309 golpes, com 140 golpes significativos acertados, desta vez foram 212, com 115 pancadas certeiras. A maior diferença está no aproveitamento. O norte-americano foi mais preciso, com 54% de efetividade, contra 45% da primeira luta.

Barão, por outro lado, não conseguiu mostrar a evolução prometida. Conseguiu aplicar apenas 62 golpes de um total de 181, dois a menos que há dois anos. Lá, teve 64 golpes acertados e 273 lançados na primeira luta. A única melhora foi no aproveitamento, 34% contra 23%.

Dillashaw teve ótimo aproveitamento batendo na cabeça, com 71% dos golpes neste setor. Foram 16% no corpo e 12% nas pernas. Não houve quedas aplicadas na luta.

O mais impressionante do combate não foram todos esses números, mas a forma com que Dillashaw deu seu “fatality”. Logo no começo do quarto round, ele aplicou uma saraivada de golpes. Um cruzado de esquerda no queixo de Barão balançou o brasileiro, e o campeão capitalizou, disparando socos de todos os jeitos, até o árbitro Herb Dean separá-los e decretar o nocaute técnico.

Só nestes 35 segundos de round, Dillashaw 35 golpes, acertando 22 no combo devastador.

Vale salientar que, na comparação das lutas, é preciso colocar as estatísticas em perspectiva, já que Dillashaw chegou ao quinto round com o brasileiro no primeiro encontro entre eles, enquanto desta vez a luta parou no quarto assalto. Ainda assim, o fato de Barão ter se perdido no round inicial da primeira luta e passar o resto do combate “no automático”, sem chances de resposta, deixa claro que a coisa foi mais brutal em 2013. Desta vez, o brasileiro se manteve ativo, só não teve chances mesmo…


Barão revive drama de Cigano. E a fila dos pesos galo no UFC andou
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Jorge Corrêa


A luta principal do UFC do último sábado foi cheia de reprises para o Brasil. A primeira é a mais clara. Mais uma vez Renan Barão foi dominado por TJ Dillashaw, acabou nocauteado e sem o cinturão dos galos. Além disso, vimos o potiguar reviver um drama que Junior Cigano sofreu ao encarar Cain Velásquez anos atrás.

Assim como aconteceu com o peso pesado, Barão encontrou um adversário que entendeu e dominou completamente seu jogo. Se TJ era um célebre desconhecido quando venceu o brasileiro pela primeira vez, agora ele mostrou que é um campeão do UFC com porte e grife. Tem potencial para ficar com o cinturão por muito tempo.

Com um jogo de pernas exemplar e uma velocidade difícil de ver até nas categorias mais leves de peso, Dillashaw virou o antidoto perfeito para um Renan que, até então, parecia invencível.  Foi dessa maneira que Cigano também perdeu duas vezes para Velásquez – e acredito que também aconteceria com Weidman se Anderson não tivesse quebrado a perna.

Isso deixa Barão em uma situação muito delicada dentro da categoria, afinal, perdeu duas vezes de forma muito contundente para o campeão. Enquanto Dillashaw esticar com o cinturão, Renan não terá outra chance de disputá-lo.

Mas isso deve dar tempo para o brasileiro repensar sua carreira e tomar algumas decisões importantes. A primeira é se ele quer mesmo continuar entre os pesos galo. Ele teve sérios problemas com gás e sabemos seu sofrimento para bater o peso da categoria. Além disso, ele precisa se reinventar com lutador, repensar seu jogo depois dessas duas derrotas.

Agora, a fila dos pesos galo andou – Renan Barão virou passado para TJ Dillashaw e não há mais dúvidas sobre sua capacidade como campeão. Mas ele deve ter outro brasileiro em seu caminho: Raphael Assunção. Ele é o terceiro do ranking da categoria e já tinha prometida uma disputa de cinturão. Mais que isso, o pernambucano tem uma vitória polêmica sobre o americano, em 2013, o que deve apimentar ainda mais esse combate.

Mas o grande sonho do campeão, e do próprio UFC, é uma luta com Dominick Cruz, que era o dominante dono deste cinturão até encarar uma surreal sequência de lesões que o deixaram fora do octógono por quase três anos já. O problema é que ninguém sabe quando ele estará apto a lutar novamente.


‘Novo UFC’ acaba com imitações e fantasias do maior showman das pesagens
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Maurício Dehò

Tom Lawlor, o showman das pesagens do UFC

A onda de profissionalização no UFC, em busca de se adequar a modelos como os da NFL e NBA, tem deixado vítimas pelo caminho. Uma delas, muito falada nessa semana, foi o cutman Jacob “Stitch” Duran, que criticou a derrubada dos patrocinadores pessoais de seus uniformes – do mesmo modo como aconteceu com os lutadores – e foi demitido da organização sumariamente. Na sexta-feira, a ausência não foi de um indivíduo, mas das fantasias de um lutador acostumado a ser o showman das pesagens, que teve de abandonar sua fanfarronice.

– SIGA TODOS OS LANCES DO UFC: DILLASHAW X BARÃO

Tom Lawlor não tem os melhores resultados dentro do octógono, mas ficou muito conhecido por suas graças nas pesagens e entradas de lutas. O cara caprichava nas fantasias, homenageando ídolos das lutas e da música, mas foi “barrado no baile” desta vez.

Tudo porque o acordo com a Reebok é extremamente restrito quanto às vestimentas. Fabricante do primeiro uniforme padronizado para todo o plantel, a marca de material esportivo os veste em toda a semana de luta, incluindo coletivas e pesagens, além dos combates, é claro.

Então, Lawlor teve de se apresentar como todos os outros, abandonando as figuras lendárias que levou à pesagem. Até cabisbaixo ele estava. Ele, que já foi Apollo Creed, personagem de Rocky Balboa, imitou o ex-campeão Dan Severn, vestiu-se de Steven Seagall e apareceu até de balde na cabeça como o Buckethead, o bizarro guitarrista que tocou no Guns N’ Roses. Também imitou Art Jimmerson, Hulk Hogan… Enfim, a brincadeira já era tradição.

“O que vou fazer?”, disse, ao MMA Fighting. “Eu não posso me fantasiar. A Reebok não faz um monte de roupas diferentes para mim. Eles não fazem um bigode da Reebok do Don Frye para mim. Então, estou preso em ser eu mesmo.”

E o pior é que ele nunca colocou em prática a sua performance preferida. “Minha favorita era uma imitação do New Kids on the Block. Eu tenho a fantasia, o microfone, ensaiei, mas nunca poderei usar no UFC”, lamentou.

Apesar de perder esse personagem icônico, o UFC tem maiores preocupações com Lawlor. O meio-pesado precisa provar que se recuperou de um longo período afastado por lesionar o joelho e passar por cirurgias.

A última luta do norte-americano aconteceu em abril de 2013 – mais de dois anos, portanto – e teve vitória por finalização contra Michael Kuiper. O retrospecto é fraco: quatro reveses nos últimos setes combates. Seu rival, Gian Villante, vem embalado por dois triunfos, ambos com prêmios de luta da noite.

“Foi uma longa jornada de recuperação. Eu machuquei bem feio o joelho, precisei de cirurgias… Fiquei pronto para lutar no ano passado, mas me machuquei de novo. Não é que parei, eu ralei muito na academia, só que ainda não podia lutar”, explicou ele.

Como Barão pode se recuperar de sua maior derrota e retomar o cinturão?

Tags : tom lawlor


Casal ‘quente’ do UFC luta e é corner um do outro na mesma noite
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Maurício Dehò

Há dois meses, o lutador Bryan Caraway surpreendeu ao soltar uma pérola em entrevista a um programa de rádio e falar abertamente sobre a vida sexual com sua namorada e colega de trabalho no UFC Miesha Tate.

“Eu não vou mentir. É bem incrível. Ela é maluca – mas não de um jeito esquisito. Mas vou deixar a sua imaginação fantasiar o resto. É bem desafiador, eu não podia pedir por nada melhor. Pense nas suas melhores fantasias… É melhor!”

É claro que as declarações repercutiram à beça, ainda mais pelo status de gata de Tate. Mas, neste sábado, o assunto é outro. De volta ao MMA. O casal estará em ação em Chicago, na primeira vez em que ambos vão para o octógono no mesmo evento. E mais, se tudo der certo, eles vão para o corner um do outro para dar um suporte a mais na hora do combate.

Namorados desde os tempos de faculdade, quando ambos começaram a treinar MMA, eles já estiveram no mesmo evento no CageSport e no Strikeforce, em três oportunidades: duas em 2008 e uma em 2009. E o saldo foi perfeito, três vitórias para cada lado.

Agora, quem está em posição de destaque é a ex-campeã do Strikeforce, Tate. Ela, que já perdeu duas vezes para Ronda Rousey, tenta sua quarta vitória seguida contra Jessica Eye – que busca seu segundo triunfo consecutivo. Ela faz a luta coprincipal. Para contar com o namorado no corner, Caraway precisa estar bem após encarar Eddie Wineland no card preliminar.


Mais que o bom retrospecto, eles puderam curtir viver a mesma rotina, o mesmo ritmo, e veem vantagens nisso. “Os treinos foram ótimas porque tivemos a mesma agenda e dividimos treinos, dietas, tudo… Ambos estavam comendo de forma saudável, e sem vontade de sair, então foi legal. Mas, sobre a noite da luta, não sei. Vai ser interessante e muito emocional”, disse Tate, ao MMAJunkie.

“Só se ele for correndo para o hospital, inconsciente e de ambulância eu poderia enlouquecer e querer deixar a luta. Mas ele é resistente, tem um queixo duro e é talentoso. Acho que será uma boa luta para ele, tenho certeza de que vai vencer e chegar numa ótima vibe para a minha luta”, acrescentou. “Independentemente, quando a porta se fecha, eu não levo bagagem extra. Sei lutar sob pressão.”

O histórico do casal

Lá no começo da relação entre eles, nos tempos de faculdade nos EUA, Bryan Caraway errou feio com a hoje namorada. Ele, achando ser superior, mandou um: “o MMA ou eu”. “Eu achei que ela me escolheria. Eu era o cara popular da faculdade. Mas, lá veio ela para o treino.”

Na verdade, ele não queria ter o problema de capitanear um time e namorar uma integrante. Então, acabou tudo com ela… Por pouco tempo. “Acho que ele não notou que eu estava tentando ficar mais próxima dele. Eu ainda nem estava na faculdade e ia às aulas. Eu queria o esporte e o Bryan”. No fim, conseguiu.

Além de causar com aquela frase do começo da matéria, Caraway e Tate tem no histórico a rivalidade ferrenha com Ronda Rousey. Não é só Tate, que perdeu duas vezes para a campeã, que é inimiga. Caraway sempre foi o ponto maior de discórdia entre elas, com Ronda chegando a dizer que ele estragou Miesha Tate.


Stitch, o ‘funileiro do UFC’, explica críticas e por que arriscou o emprego
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Maurício Dehò

É curioso ver como a saída de um rosto conhecido que só calça as luvas nos outros, mas não as veste no octógono, causou tanto rebuliço entre os seguidores do UFC. A demissão do cutman Jacob Duran, o Stitch, foi o assunto mais falado do MMA na quarta-feira, com diversos desdobramentos. O que começou como crítica ao acordo do Ultimate com a Reebok, que lhe afastou patrocinadores, caminhou para declarações pesadas sobre os culhões de Dana White e agora chegou ao momento das explicações.

Dana White não falou oficialmente, mas passou algumas horas respondendo de forma irônica – e muito pouco educada – a perguntas no Twitter criticando as últimas polêmicas do UFC. Já a própria Reebok achou por bem sair a público para explicar que não tem poder algum sobre a demissão de Stitch – jogando o problemão exclusivamente no colo do parceiro UFC – e o próprio norte-americano esclareceu o por que de ter colocado sua carreira em uma organização no qual trabalhava havia 13 anos fazendo bandagens e cuidando de cortes e sangramentos em risco.

“Eu estava tentando falar pelos cutmen e ser o líder deles para levar esse assunto (da Reebok) ao UFC. Nós não fazíamos ideia do que aconteceria. Não fomos sequer colocados na equação do patrocinador. E eu dependo muito dos meus financeiramente”, disse ele, que acabou tendo de usar vestes sem menção a apoiadores desde que o UFC vetou os patrocínios individuais no UFC 189.

“De todos, eu seria o que perderia mais financeiramente. Mas eu estava falando por todos os cutmen. Mas o UFC basicamente falou que não havia nada para nós”, explicou Stitch.

“Eu não disse nada errado. Dei minha opinião: nós, como cutmen, deveríamos ser compensados por vestir uma roupa da Reebok. Como podemos vestir e não receber? Para mim, não é correto. Mas acho que a reação dos fãs com tudo isso criou uma tempestade e o UFC não estava preparado para lidar. Eu tomei um tiro pelo time”, concluiu o norte-americano.

Quanto à Reebok, o esclarecimento foi sucinto: “Fãs do UFC: não temos poder nas decisões do UFC sobre empregados e compensação aos lutadores. Nosso foco é prover o melhor material esportivo para lutadores e fãs.''

Ah, e pra completar, já tem gente de olho no Stitch. E não é o Bellator. Ray Sefo, presidente do World Series of Fighting é quem mostrou interesse. “Somos amigos há anos. Agora que ele está livre… Queremos os melhores caras, e queremos um cara que saiba cuidar dos lutadores. Estou interessado em tê-lo com a gente”.

Veja, em vídeo de 2012, o trabalho do cutman: