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Lyoto brilha, mas segue atrás na fila. Agora, terá de torcer por Belfort
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Jorge Corrêa

Com José Ricardo Leite

A contundente vitória sobre CB Dollaway na madrugada deste domingo, no UFC Barueri, com um chute nas costelas com apenas 1min02 de lutas, fez Lyoto Machida fechar o ano com saldo positivo de duas vitórias e uma derrota e se fortalecer como um dos principais nomes dos médios. No entanto, deve se movimentar quase nada na fila da categoria e terá que ser paciente por numa nova disputa de cinturão.

O ex-campeão dos meio-pesados é hoje o atual quarto colocado do ranking dos médios, atrás de Anderson Silva, Vitor Belfort e Ronaldo Jacaré. O triunfo sobre Dollaway, apenas o décimo da lista, não deve fazê-lo ultrapassar o trio de brasileiros, mas apenas reforçá-lo como um nome dominante na categoria.

Suas chances de disputar um cinturão serão reduzidas se Weidman vencer Belfort no dia 21 de fevereiro, em Los Angeles, já que a organização não dará uma revanche a Machida tão rapidamente (perdeu para o americano em julho por decisão unânime). Já uma vitória de Belfort poderia render um atalho mais fácil a uma nova disputa. E, vamos combinar, uma luta entre Lyoto e Vitor venderia muito bem no Brasil e encheria qualquer estádio.

Mesmo com essa hipótese de ter caminho facilitado, Machida ainda dependerá das atuações de Anderson Silva e Ronaldo Jacaré no primeiro semestre para saber os rumos que os médios terão em relação aos potenciais desafiantes. Spider volta ao octógono no dia 31 de janeiro, contra Nick Diaz, enquanto Jacaré enfrentará o cubano Yoel Romero no fim de fevereiro.

Tudo dependerá da forma como ambos vencerem seus duelos (caso triunfem) e o apelo de público que terão para uma disputa com Weidman ou Belfort. No caso de vitória de tanto de Anderson como de Jacaré, a tendência é que Machida ainda faça pelo menos mais duas lutas no próximo anos até que possa pensar em nova oportunidade de um title shot.

Um potencial combate para Machida em 2015 é enfrentar Luke Rockhold, atual quinto colocado na categoria e que vem de boa sequência de vitórias. O norte-americano já pediu a luta para Dana White, o chefão gostou da ideia e o brasileiro também aceitou o desafio. Falta só marcar a data.


Rampage está de volta ao UFC
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Jorge Corrêa


O UFC aproveitou o último card do ano para fazer um anúncio interessante. O ex-campeão dos meio-pesados Quinton “Rampage'' Jackson está de volta ao maior evento de MMA do mundo.

Após muitas brigas e declarações duras contra Dana White, Rampage decidiu não renovar seu contrato com o Ultimate em janeiro de 2013, após três derrotas consecutivas, a últimas delas para o brasileiro Glover Teixeira. Quase que como uma provocação, o norte-americano assinou com o Bellator, onde chegou com status de estrela máxima.

No maior rival do UFC, teve boa passagem, com três vitórias e a conquista o GP dos meio-pesados do evento. No entanto, ele não chegou a disputar o cinturão da categoria. E, como não poderia ser diferente, brigou e falou poucas e boas do evento.


Werdum se vê à frente de Velasquez e revela quando a luta deve acontecer
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Jorge Corrêa

Werdum fala que se sente campeão de fato do UFC
Boa praça, piadista e… campeão do UFC. Não tem como desligar a personalidade de Fabrício Werdum do que ele faz dentro do octógono. Sua chegada à redação do UOL mostrou bem isso: chamando a atenção, conversando, fazendo caretas, com selfies no Instagram. A questão é que agora ele é um gente boa dono de um cinturão no maior evento de MMA do mundo.

O gaúcho é o campeão interino dos pesados depois de nocautear Mark Hunt no mês passado. E está lidando muito bem com o fato de o cinturão linear ainda estar nas mãos do lesionado Cain Velasquez. “Eu me sinto como o campeão de fato, por tudo que trabalhei para conseguir isso. Não tenho culpa de o cara ter se machucado. Eu estava lá e lutei.”

Werdum ainda se mostrou muito confiante para o confronto que eles devem fazer. E adiantou a data em que muito provavelmente enfrentará Cain, caso ele esteja recuperado: 13 de junho de 2015, na cidade do México. “Não tem como negar que vou estar na frente. Estou 100% há muito tempo. E o psicológico pesa muito nessa hora.”

Ele também está muito confiante em fazer uma defesa de cinturão no Rio Grande do Sul, seu estado natal. “Eu sempre peso no futuro. Não é menosprezar meu adversário, mas é confiança. Na minha cabeça, eu já venci o Cain no México, em junho, e vou fazer a defesa de cinturão em Porto Alegre. Sei que isso vai acontecer.”

Nesse papo, ele ainda falou de sua relação com o presidente Dana White, por que foi demitido do UFC na primeira vez, se Velasquez está com medo da luta ou até mesmo arrumou esta contusão. Nessa playlist abaixo, os amigos internautas ainda podem ver dois causos divertidos – e tensos – do campeão.


Lutadores abrem processo trabalhista contra UFC
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Jorge Corrêa

Cung Le é um dos representantes dos lutadores no processo contra o UFC

 

Se dentro do octógono o UFC não teve o melhor dos seus anos, com grandes lutas canceladas e muitos casos de doping, a franquia pode se complicar ainda mais nos bastidores. Nesta terça-feira, um grupo de lutadores entrou com um processo trabalhista contra a Zuffa, empresa dona do Ultimate, alegando prática de monopólio por parte de Dana White e seus pares.

Não foram divulgados até agora os nomes de todos os reclamantes, que podem chegar a uma centena, mas eles foram representados em um tribunal na Califórnia por Nate Quarry e Carlos Newton, ex-atletas do UFC, além de Cung Le, que ainda é contratado, mas já demonstrou interesse em deixar a franquia.

O processo alega que, com a política de aquisição de eventos rivais (como fez com o WEC e o Strikeforce), o UFC monopoliza o mercado do MMA e faz com que os lutadores ganhassem menos do que se pudessem usufruir da livre concorrência.

“Hoje em dia, há apenas uma opção para os lutadores de elite, o UFC. A razão disso é o fato de o UFC fechar, sistematicamente, seus rivais. [Estamos aqui] Para corrigir o que está errado, mudar o status quo e introduzir uma competição saudável a indústria.O UFC se construiu em cima dos corpos dos lutadores. Mesmo assim, os atletas recebem uma fração do que é praticado no boxe. As margens de lucro do UFC são as maiores entre os grandes esportes profissionais. Com o fechamento do Strikeforce, em 2011, o UFC passou a dominar, virtualmente, todos os lutadores de elite'', diz o processo.

Ainda não se sabe quais são os valores envolvidos no processo, se serão pedidos indenizações retroativas ou apenas mudanças para contratos futuros, ou até mesmo se será pedida algum tipo de divisão do Ultimate.

Poucas horas depois de a ação ser apresentada, o UFC deu uma curta resposta em seu site oficial:

“O UFC está ciente da ação ajuizada hoje, mas não teve a oportunidade de rever o documento. O UFC vai vigorosamente se defender e defender suas práticas comerciais.''

Tags : ufc


Rafael dos Anjos é o novo líder do ranking dos leves; Charles fica no Top10
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Jorge Corrêa


Saiu na noite da última segunda-feira a nova atualização do ranking oficial do UFC, aquele que é feito a partir da opinião de uma centena de jornalistas especializados em MMA ao redor do mundo e que definirá no ano que vem o valor que os lutadores receberão do patrocínio da Rebook. E tem dois brasileiros que podem comemorar muito essa atualização depois dos dois eventos da semana passada.

Depois da surra que aplicou no norte-americano Nate Diaz no sábado passado, Rafael dos Anjos se tornou o primeiro colocado no ranking peso leve, corroborando a chance que ele terá de disputar o cinturão da categoria contra Anthony Pettis.

Mas ele está empatado nessa posição com o, vamos dizer assim, líder de fato: o russo Khabib Nurmagomedov. Seria ele a ter o title shot nesse momento se não tivesse sofrido uma grave lesão no joelho. Ele tem, nesse momento, 22 lutas em uma impressionante carreira invicta.

Quem também ficou muito bem neste último ranking foi o paulista Charles do Bronx. Depois de dominar e vencer Jeremy Stephens na última sexta-feira, ele subiu quatro posições entre os pesos pena e agora é o 10o. colocado, sua melhor posição. Ele vem de três vitórias consecutivas.


Com resistência e coração, Cigano vence na precisão. Mas ainda repete erros
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Jorge Corrêa


Se alguém viu apenas o rosto desfigurado de Junior Cigano, como na foto acima ao lado de Steven Seagal, a sensação seria de ele foi mais uma vez derrotado, levando um enorme atraso como nos últimos combates com Cain Velasquez. Mas esses machucados escondem uma atuação – no mínimo – satisfatória do brasileiro.

Depois de ser dominado por Stipe Miocic nos dois primeiros rounds, Cigano conseguiu mostrar um bom poder de reação e um knockdown no terceiro período marcou o início da virada. Um dos juízes viu 3 a 2 para o vencedor, mas outros dois deram 4 a 1, na decisão unânime por pontos.

Mas as estatísticas oficiais do combate podem explicar um pouco melhor o que aconteceu nos 25 minutos de um belo combate de pesos pesados, com oportunidades para os dois lados, muita porrada, sangue e entrega.

Junior Cigano acertou mais golpes (140 x 102) e brilhou ainda mais nos golpes significativos (123 x 89). Se olharmos esse quesito, round a round, podemos identificar o placar de 5 a 0 para o ex-campeão: 20 x 18, 16 x 14, 21 x 12, 26 x 20 e 40 x 25.

Assim como já tinha feito nas lutas passadas contra Cain Velasquez, o catarinense mostrou que tem muita resistência e coração. Não é para qualquer um ser atingido como foi por Miocic e ainda ficar em pé, sem sofrer nenhum knockdown. É difícil achar alguém que apanhe tanto e continue lutando como ele.

Pudemos ver um Cigano mais rápido e com sequências de boxe mais longas, além de uma ótima defesa de queda. Nesse ponto, pudemos sentir o dedo do técnico Dedé Pederneiras e do time da Nova União, equipe em que Cigano passou a treinar esse ano.

No entanto, alguns erros foram repetidos, como a guarda baixa em muitos momentos e a abertura para contra-ataques. Foi dessa maneira que Velasquez acabou com ele, mas, como pudemos ver, Miocic não é o campeão linear dos pesados.

Junior Cigano precisa realmente se preocupar com a quantidade de golpes que ele leva, por mais resistência que ele tenha e por mais que consiga as vitórias. Nem pela carreira ou por possíveis derrotas, mas por sua saúde. O próprio Dana White falou que ele deve ficar um tempo longe do UFC por conta disso.


Rafael dos Anjos é a melhor coisa que aconteceu no MMA brasileiro em 2014
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Jorge Corrêa


Ainda falta um evento para a temporada 2014 do UFC ser encerrada, mas o card o último sábado mostrou algo que dificilmente será mudado: Rafael dos Anjos é a melhor coisa que aconteceu para o MMA brasileiro nesta temporada.

Falando desse jeito pode parecer que estou falando de menino em início de carreira ou estou maluco e esqueci da grande luta que José Aldo fez contra Chad Mendes e da conquista do cinturão de Fabrício Werdum. Mas eu posso me explicar.

Aos 30 anos, Rafael fez contra Nate Diaz sua 17ª luta no UFC – é um dos atletas mais rodados dentro da franquia na atualidade – mas parece que apenas agora ele chegou à maturidade total. Finalmente ele se tornou um [ótimo] lutador completo.

Ele chegou ao Ultimate como faixa preta de jiu-jitsu com um jogo de chão muito forte, mas uma trocação limitada. Agora, estamos vendo ele brilhar como se tivesse lutado, a vida toda, muay thai. O grande culpado por essa evolução é treinador Rafael Cordeiro, que lapidou e transformou dos Anjos em um monstro – o mesmo que fez com Werdum.

E por que esse foi o ano da virada para ele? Rafael tem uma sequência de sete vitórias em oito lutas, mas abriu 2014 com uma derrota acachapante para o russo Khabib Nurmagomedov. Mas parece que aquela luta fez com que ele virasse de vez a chave para completar essa evolução. Ele já vinha lutando muito bem, mas deu um show após o outro depois daquele revés.

A grande questão é que o lutador nascido na cidade de Niterói provou que é possível evoluir, mesmo depois de um bom tempo lutando como profissional. Ele mostrou que é capaz de se reinventar sem deixar a peteca cair – ou encarar uma série de derrotas e chegar a ser demitido do UFC.

Após perder para Khabib, passou fácil por Jason High, nocauteou ninguém menos que o ex-campeão dos leves Benson Henderson e, no último sábado, aplicou uma surra histórica no duro Nate Diaz. Não é para qualquer lutador um retrospecto como esse. A prova disso é o fato de Dana White já ter dito que ele será o próximo desafiante pelo cinturão da categoria, já que Nurmagomedov ainda se recupera de uma cirurgia no joelho.

Com o russo baleado, Dos Anjos é, nesse momento, o melhor peso leve do UFC. Sim, melhor até mesmo que o campeão. E digo mais: se Rafael lutar como lutou em seus últimos três combates e se Anthony Pettis se apresentar como o fez contra Gilbert Melendez, o brasileiro pode ser o primeiro campeão peso leve do país.


Cigano volta ao UFC para apagar surra e provar que pode se reinventar
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Jorge Corrêa

Ao lado de Anderson Silva, não dá para negar que Junior Cigano foi um dos principais responsáveis pela massificação do UFC e do MMA no Brasil. Foi marcante sua vitória e sua conquista de cinturão dos pesados logo na estreia do evento na TV Globo no final de 2011. Mas agora, sem o título nas mãos, ele precisa mostrar que ele é um novo lutador.

Neste sábado, o catarinense volta ao octógono após mais de um ano sem lutar. Recuperado de uma fratura na mão, ele enfrenta o norte-americano Stipe Miocic na luta principal do UFC em Phoenix, o mesmo rival que teria pela frente em São Paulo no meio deste ano se não fosse a lesão. O problema é que, mesmo depois de tanto tempo, sua última imagem no octógono ainda é a segunda surra que levou de Cain Velasquez.

Não foram poucas as críticas que Junior recebeu depois daquele combate em outubro de 2013. A principal delas dava conta da previsibilidade de seu jogo. O que antes era uma grande arma, agora seu boxe agora faz com que sua tática fique fácil de ser lida. Mas ele não ficou parado depois de ouvir tudo isso.

Essa será a primeira luta do brasileiro depois que passou a treinar na famosa academia Nova União, do Rio de Janeiro. Especializado em comandar lutadores de pesos mais leves, como os astros José Aldo e Renan Barão, Dedé Pederneiras aceitou o desafio de ajudar Cigano a se reinventar e se recolocar no caminho de uma nova disputa de cinturão.

“Acredito que estou em uma posição muito boa dentro da categoria e no ranking. Em todas as lutas eu entro para dar meu máximo e uma vitória sobre o Miocic vai mostrar isso. Mereço ser o primeiro ou o segundo dos pesados. Não estou pensando em título agora, estou pensando no Stipe. Se eu vencer, posso ter minha chance logo, independente de quem for o campeão. Se você está bem no ranking, as pessoas querem vê-lo disputar o cinturão”, disse.

Rafael dos Anjos perto do cinturão

Superada a fase em que era apenas um faixa-preta de jiu-jítsu no MMA, Rafael dos Anjos está brilhando na trocação e em sua melhora fase. Agora, pode ficar muito perto de uma disputa de cinturão dos leves se vencer neste sábado o bad boy Nate Diaz. Com sete vitórias nas últimas oito lutas, incluindo um nocaute sobre o ex-campeão Ben Henderson, ele pode furar a fila e enfrentar o campeão Anthony Pettis se o russo Khabib Nurmagomedov não se recuperar.

Brasil perto do primeiro cinturão feminino

Não é apenas Rafael que pode ter a chance de um title show em caso de vitória. Claudinha Gadelha está em situação ainda melhor. Fazendo sua segunda luta no Ultimate, a potiguar tem tudo para disputar o cinturão peso palha feminino se vencer Joanna Jędrzejczyk no card preliminar. Ela já entrou bem no evento, mesmo sem ter participado do TUF 20.

Serviço - O UFC: Cigano x Miocic será transmitido apenas pelo canal em pay-per-view Combate a partir das 18h30 (de Brasília). Mas você também poderá acompanhar todos os lances no Placar UOL Esporte.

Card principal
Junior Cigano x Stipe Miocic
Rafael dos Anjos x Nate Diaz
Alistair Overeem x Stefan Struve
Gabriel Napão x Matt Mitrione
Card preliminar
John Moraga x Willie Gates
Claudia Gadelha x Joanna Jedrzejczyk
Joe Riggs x Ben Saunders
Jamie Varner x Drew Dober
Derek Brunson x Ed Herman
Bryan Barbarena x Joe Ellenberger
David Michaud x Garrett Whiteley
Henry Cejudo x Dustin Kimura
Anthony Birchak x Ian Entwistle


Allianz Parque terá treino aberto e se aproxima de receber evento do UFC
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Jorge Corrêa

Post com o parceiro Danilo Lavieri

Nunca esteve tão perto o sonho do UFC de realizar um evento em um estádio de futebol no Brasil. Nos próximos dias, a franquia anunciará que o treino aberto do UFC Barueri – marcado para 20 de dezembro – será no Allianz Parque, nova arena do Palmeiras. Mas esse deve ser apenas um aperitivo.

Segundo apuração do blog, esse pequeno evento de promoção do último card deste ano é a aproximação que UFC precisava para conhecer a arena mais de perto e fechar os últimos detalhes para levar para o local um grande show ainda no primeiro semetre de 2015.

Tanto o treino aberto quanto um futuro evento foram negociado junto da AEG, empresa norte-americana que gere o novo estádio palmeirense. O UFC já tem relações com AEG nos EUA, o que facilitou essa aproximação.

Nessa nova estrutura, o Allianz Parque conta com um anfiteatro em um dos lados do campo, em uma área coberta (onde ficou o palco do show do Paul McCartney, por exemplo). Nesse formato, o evento pode ter no mínimo 12 mil lugares, mas é possível modular as arquibancadas de maneira que chegue a até 30 mil expectadores.

Para 2015, o UFC já marcou pelo menos dois eventos em grandes estádios. O primeiro será em janeiro, na Suécia, e o segundo na Austrália.

O treino aberto do UFC Barueri acontecerá na próxima quinta-feira, 18 de dezembro, pela manhã, e deve ser aberto a um público de 600 pessoas e contará com os principais nomes do card, como Lyoto Machida e Renan Barão. Os detalhes serão divulgados nos próximos dias.

Tags : UFC Barueri


Com atalho e sem dramas, brasileira luta para ir direto ao cinturão
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UOL Esporte

Claudia Gadelha

Claudia Gadelha

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Por Maurício Dehò

O Brasil está perto de colocar uma mulher na briga por cinturão do UFC. E não é na categoria galo, a primeira criada pela organização e que tem Amanda Nunes, Jessica Andrade e Bethe Correia em boa fase. No recém-criado peso palha é que a chance está mais próxima. Claudia Gadelha faz seu segundo combate no Ultimate neste sábado, em Phoenix (EUA), e uma vitória a colocará contra a primeira campeã de sua divisão. É o que os patrões prometeram.

Claudinha tem algo a comemorar: o atalho que ela pegou que a permitiu fugir dos dramas do TUF, o reality show do UFC. Se, por um lado, ela não pôde ser a primeira campeã peso palha da história do Ultimate, por outro, evitou se colocar em uma situação em que ela saberia que “não ia dar certo”, por conta das intrigas e brigas que o programa gera, além da exigência física do seu curto período de gravação.

Gadelha só observou do sofá de caso enquanto todas as suas possíveis futuras rivais se digladiaram na casa do UFC em Las Vegas – e houve muita rixa, lágrimas e aquelas brigas típicas de reality shows. Na Nova União, no Rio, manteve seu treino normal e encara Joanna Jedrzejczyk um dia depois de ser definida a primeira campeã peso palha. A final do TUF será realizada na sexta-feira, em Las Vegas.

“Estou assistindo e dando graças a Deus de não ter entrado na casa”, ri Gadelha. “É muita confusão, muito drama… Eu sabia que não ia dar certo. Eu não ia me dar bem com elas. Fiquei aliviada em relação a isso também quando o Dedé (Pederneiras, técnico) me avisou que eu não ia. Já não me dou bem com algumas delas, se juntasse tudo dentro de uma casa, não ia dar certo.”

Tanto Claudia quanto as garotas que foram para o reality show eram do plantel do Invicta FC. A brasileira não entrou no TUF por considerar que não tinha condições físicas de perder o peso e bater o limite de 52 kg diversas vezes em um período tão curto, como exige a disputa do programa.

Nem tudo é vantagem, a exemplo de Claudinha não poder lutar para ser a primeira campeã peso palha. “Eu também fiquei atrás em relação ao marketing, à visibilidade que está em cima delas, mas tive a vantagem de não passar pela casa, por essa maratona e estar na boca para disputar o cinturão”, explica ela, que também tem o detalhe importante de precisar bater Joanna a todo custo e torcer para nenhuma grande rivalidade do TUF ofuscar a oportunidade prometida pelo UFC.

A organização não queria, originalmente, marcar luta para a brasileira, mas achou melhor colocá-la em ação mais uma vez e dar mais legitimidade ao seu title shot, já que Claudia só tinha um combate no Ultimate, a vitória por pontos contra Tina Lahdemaki, em julho.

Hoje, Claudia Gadelha tem 12 vitórias e está invicta, tendo triunfado duas vezes por nocaute e seis por finalização. “Minha rival de agora é boa na trocação, foi seis vezes campeã mundial de muay thai, é bem contundente. Mas acredito que tenho o antídoto pro jogo dela, que é encurtar e jogar da média pra curta distância, não a deixar fazer o jogo dela”, analisou a brasileira.

Ronda no futuro?

Questionada se poderia enfrentar Ronda Rousey no futuro, em uma luta na categoria de cima, Claudia diz que tudo pode acontecer. O foco, é claro, está no peso palha por um bom tempo, mas nada impede que um desafio para uma superluta possa ser considerado em um momento oportuno.

“Já lutei uma vez como peso galo, contra uma menina que hoje é do UFC, e venci. Hoje me achei no peso, estou forte e é onde quero ficar, mas, no futuro, quem sabe não pode acontecer algo assim”, afirmou Claudinha.

Sobre o estilo de Ronda como campeã e sua pose de durona em frente às câmeras, a brasileira acha que é só tipo: “Ela vende a imagem dela muito bem. Não acho que ela é marrenta daquele jeito, quem a conhece me diz que ela não é. Ela vende essa imagem: ela vai, fala e faz. E está muito acima de todas as outras da categoria, mesmo. Eu só tenho a agradecer pelo que ela fez pelo MMA feminino.”