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Sim. Renan Barão vai subir de categoria no UFC.
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Jorge Corrêa


Como falamos muito aqui na última semana, Renan Barão teve uma atuação muito aquém do esperado UFC do sábado passado, quando acabou levando uma segunda surra de TJ Dillashaw em uma disputa de cinturão. Todos apontaram, entre tantos motivos, o corte de peso como uma das falhas do brasileiro para essa luta.

Mas esse problema vai acabar em breve. Conversei com Dedé Pederneiras, técnico e agente de Barão, e ele confirmou que o ex-campeão peso galo vai fazer algo que pedem para ele há muito tempo: subir de seu peso atual (até 61kg) para a categoria peso leve (até 66kg).

“É real a chance do Barão descer de peso, essa realidade existe. Só não sei se para a próxima luta porque ainda não conversamos. Essa ideia existe há algum tempo.É uma conjunção de fatores que cada ponto vai fazer a diferença para essa decisão de subida'', disse Dedé ao blog.

Renan Barão sempre teve sérios problema para alcançar o peso dos galos. Claro que um corte brutal de peso sempre afeta sua recuperação para a luta no dia seguinte. A questão é que até encontrar TJ pela frente, ele sempre tinha uma atuação suficientemente boa para atropelar seus rivais. Só que o campeão é um peso galo de verdade e um grande lutador.

 


Provocações à parte, Ronda revela por que respeita Bethe como lutadora
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Jorge Corrêa

Ronda lidera card estelar em volta do UFC em grande estilo ao Rio

Ouvimos Ronda Rousey e Bethe Correia falando tudo e mais um pouco uma à outra, numa rivalidade que se acendeu como uma das mais quentes do UFC. Mas, nem tudo é trash talk antes do combate deste sábado, no Rio de Janeiro. Para a norte-americana, a desafiante pelo cinturão peso galo na edição 190 também tem seus pontos a se elogiar.

Para Ronda, o fato de Bethe se entregar na hora da luta, buscar encerrar as lutas rapidamente e fazer combates emocionantes é algo a se destacar.

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“Eu realmente respeito que ela vai para a luta. Não é uma lutadora de vencer por pontos, ela sempre tenta finalizar a luta, põe tudo em jogo, não é uma lutadora cautelosa. Sempre respeito isso”, afirmou a campeã, invicta no MMA – assim como a paraibana.

Outro detalhe é que a curta carreira de Bethe foi direcionada diretamente ao MMA. Ela começou no kung fu, mas o objetivo rapidamente apareceu à sua frente, e a apenas três anos ela fez sua primeira luta profissional. E isso é um diferencial importante durante um combate, de acordo com a norte-americana.

“Também [respeito] que ela sempre só fez MMA, não vem de uma disciplina específica, não vai apelar para uma delas quando em perigo. É algo em que posso contar contra outras garotas, que, quando estão num lugar desconfortável, imediatamente vão reverter aos seus 'lugares seguros'. Bethe não tem isso, todos os lugares são seguros para ela, porque ela é uma lutadora de MMA. Ela representa o próximo estágio da evolução do esporte, em que você só treinará MMA na sua carreira toda. Estou ansiosa para me testar contra esse estilo”, explicou Ronda.


Bethe vem prometendo nocautear a campeã e tomar seu cinturão, e Ronda não pretende fugir da luta em pé. Apesar de sua especialidade ser o judô e ela ter vencido nove lutas por finalização, um nocaute é sempre valorizado por ela. Mas, na terra do jiu-jítsu dos Gracie, encerrar a disputa no chão seria especial.

“Acho que qualquer um [nocaute ou finalização] seria muito satisfatório, pois estou constantemente tentando desenvolver mais meu jogo. Venho passando muito tempo na minha trocação, e seria satisfatório conseguir um nocaute, mas estando no país que desenvolveu o jiu-jítsu, também seria muito legal conseguir uma finalização e homenagear um esporte brasileiro tão prestigioso”, concluiu a campeã.

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Serviço – O UFC 190, na HSBC Arena, Rio, conta com a disputa de cinturão peso galo do UFC entre a campeã Ronda Rousey e a desafiante, também invicta, Bethe Correia, além de ter o duelo de técnicos do TUF Minotouro x Maurício Shogun, numa revanche do Pride, as duas finais do reality show e astros como Demian Maia, Minotauro e Pezão. A noitada começa às 20h, com o card preliminar. O principal tem início às 23h, com sete lutas. A Rede Globo anuncia o evento ao vivo a partir das 0h10, com quatro combates na íntegra. O Placar UOL acompanha todos os detalhes do evento.

Card principal:
Galos Feminino (cinturão): Ronda Rousey x Bethe Correia
Meio-pesados (técnicos do TUF): Minotouro x Maurício Shogun
Leves (final do TUF): Glaico França x Fernando Bruno
Galos (final do TUF): Reginaldo Vieira x Dileno Lopes
Pesados: Stefan Struve x Minotauro
Pesados: Pezão x Soa Palelei
Palhas feminino: Claudia Gadelha x Jessica Aguilar

Card preliminar:
Meio-médios: Demian Maia x Neil Magny
Meio-pesados: Rafael Feijão Cavalcante x Patrick Cummins
Médios: Warlley Alves x Nordine Taleb
Galos: Iuri Marajó x Leandro Issa
Médios: Vitor Miranda x Clint Hester
Galos: Hugo Wolverine x Guido Cannetti


Ofuscadas, finais do TUF são marcadas por 2ªs chances e duelo de ‘classes’
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Maurício Dehò

Post com Vinícius Castro

Ronda x Bethe, Minotouro x Shogun, Minotauro, Demian, Pezão, Feijão, Gadelha… Só estrelas né? O UFC 190 tem esse card galáctico, instigante, mas acabou ofuscando uma outra atração: as finais do TUF Brasil 4.

Pesa para isso o fato de que essas lutas deveriam ter acontecido há um mês, mas foram adiadas… As decisões do reality show nas categorias galo e pena aconteceriam em Miami, naquele card em que o Lyoto Machida perdeu para Yoel Romero, mas um problema com vistos emitidos pelo consulado dos EUA impediu a viagem dos brasileiros, postergando os combates para o UFC 190.

Passado a polêmica, a gente vai conhecer no sábado, durante o card preliminar na HSBC Arena quem entra na lista de campeões do TUF e se junta a Cezar Mutante, Rony Jason, Léo Santos, Antonio Cara de Sapato e Warlley Alves. Vamos às lutas:

Pego galo: As segundas chances

A final da categoria galo deste TUF tem a curiosidade de se tratar, de diferentes formas, de dois lutadores que ganharam uma segunda chance no programa. Dileno Lopes participou da primeira edição do reality e caiu nas eliminatórias. Mais maduro, fez uma temporada segura para conquistar sua vaga na final. Com duas finalizações e uma vitória por pontos, ele prova que supera o fato de ser pequeno com sua potência para bater e derrubar.

“As coisas acontecem na nossa vida. Tive a possibilidade de viver essa experiência duas vezes e aproveitei ao máximo. É diferente, mas nunca desisti de treinar e do sonho de viver da luta. Sigo perseguindo isso e sábado será mais uma etapa da caminhada'', disse ele.

Já Reginaldo Vieira foi eliminado, mas foi chamado de volta nesta edição do TUF. Ele venceu nas eliminatórias por finalização, foi para a casa, em Las Vegas, mas perdeu para Matheus Nicolau. Quando Giovanni Soldado se lesionou, não chamaram ele. Leandro Higo era a opção, mas recusou. E então a vaga caiu no colo de Reginaldo. Ele aproveitou sua chance e bateu em sequência Matheus Mattos e o favorito Bruno Korea, com sua maior arma, que é o jogo de chão (9 de suas 12 vitórias no profissional foram assim).

“Sou um cara sentimental. Sempre penso nas pessoas. Quando perdi a luta na casa só pensava na minha mulher e nas contas para pagar. Já recebi muita merreca para lutar e nem pensava em voltar para a competição. Treinei, ajudei os meus amigos e as coisas conspiraram ao meu favor'', afirmou Vieira.

Peso leve: Duelo de classes

O legal da outra final do TUF não está só no octógono, mas nas histórias de fora dele, totalmente diferentes – e que mostram a diversidade da galera que chega ao MMA. De baixo, vem Fernando Bruno, o Açougueiro. Ele até hoje é cozinheiro em um hotel. Longe de ser novato, já tem 33 anos, 15 vitórias, duas derrotas e quase desistiu do MMA, em uma jornada bem dura.

“Perdi vários amigos, inclusive dois primos, mortos pelo tráfico. Ainda bem que tive pessoas que me guiaram para não seguir esse caminho”, contou ele, ao site do UFC. Ao Combate, revelou que gosta mais de ser cozinheiro, mas precisa do dinheiro do MMA. “Quero ser um exemplo, sou o lado que deu certo na comunidade. Com o esporte eu mudei de vida, ganhei bolsa de estudo em colégio e estou realizando meu sonho”. No TUF, o representante da Nova União venceu uma por finalização – sua especialidade – e duas por pontos.

Do outro lado, Glaico França pôde optar pelo MMA. Ele fazia duas faculdades, mas desafiou os pais para perseguir o sonho de se tornar um lutador. Estudante de Educação Física e Engenharia Ambiental, e jogou tudo pro ar. “A família sempre vai querer nosso melhor, mas não podia fazer uma coisa que não tinha vontade”.

Glaico tem 12 vitórias e três derrotas, é bem mais jovem com 24 anos, e tem um bom jogo em pé. São seis vitórias por nocaute e cinco por finalização na carreira. No TUF, ele venceu suas três lutas por finalização, mostrando que chega com um jogo completo para a final.

Serviço – O UFC 190, na HSBC Arena, Rio, conta com a disputa de cinturão peso galo do UFC entre a campeã Ronda Rousey e a desafiante, também invicta, Bethe Correia, além de ter o duelo de técnicos do TUF Minotouro x Maurício Shogun, numa revanche do Pride, as duas finais do reality show e astros como Demian Maia, Minotauro e Pezão. A noitada começa às 20h, com o card preliminar. O principal tem início às 23h, com sete lutas. A Rede Globo anuncia o evento ao vivo a partir das 0h10, com quatro combates na íntegra. O Placar UOL acompanha todos os detalhes do evento.

Card principal:
Galos Feminino (cinturão): Ronda Rousey x Bethe Correia
Meio-pesados (técnicos do TUF): Minotouro x Maurício Shogun
Leves (final do TUF): Glaico França x Fernando Bruno
Galos (final do TUF): Reginaldo Vieira x Dileno Lopes
Pesados: Stefan Struve x Minotauro
Pesados: Pezão x Soa Palelei
Palhas feminino: Claudia Gadelha x Jessica Aguilar

Card preliminar:
Meio-médios: Demian Maia x Neil Magny
Meio-pesados: Rafael Feijão Cavalcante x Patrick Cummins
Médios: Warlley Alves x Nordine Taleb
Galos: Iuri Marajó x Leandro Issa
Médios: Vitor Miranda x Clint Hester
Galos: Hugo Wolverine x Guido Cannetti


Bethe Correia dá aula de como usar o trash talk para chegar ao cinturão
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Jorge Corrêa


Post com o parceiro Vinícius Castro

Um fator sempre diferenciou os lutadores brasileiros do UFC dos estrangeiros: como cada um usa a provocação, o famoso trash talk, de maneira diferente. Por aqui, sempre foi pregado o respeito ao adversário e a falar o mínimo possível, enquanto lá fora a promoção das lutas passa muito pelo poder de retórica – e de provocar – seu adversário.

Isso até surgir Bethe Correia. Com apenas três anos de carreira como lutadora profissional de MMA, a paraibana alcançou em tempo recorde o ponto máximo de sua carreira: disputar o cinturão do UFC contra Ronda Rousey, isso tendo apenas nove lutas, sendo apenas três no maior evento do mundo.

E foi dando uma aula de como usar o trash talk que Bethe conseguiu alcançar tão rápido algo que lutadores levam uma carreira inteira para conseguir. Algo que nenhum brasileiro tinha feito no UFC até então. Claro que, antes de mais nada, ela venceu seus combates. Ninguém luta tanto tempo sem perder apenas por sorte. Ela tem talento e treina duro, mas ela soube como potencializar e catalisar suas vitórias no UFC.

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Uma das mais bem instruídas lutadores do Brasil que já passou pelo UFC, ela soube desde o começo como usar a provocação, aliada às vitórias, para atingir Ronda Rousey. Bateu duas das melhores amigas da campeã – Jessamyn Duke e Shayna Baszler – e espezinhou tanto a dona do cinturão que ela não teve outra saída a não ser aceitar o desafio da brasileira.

Com a luta já confirmada, Bethe continuou atacando Ronda até que pegou em uma ferida muito dolorida: a morte de seu pai, que se suicidou quando ela era criança. “Acho que foi maluquice da Ronda esse negócio sobre o pai dela. Quem acompanha as entrevistas sabe que não falei nada da família ou do pai. Ela que usou isso para promover a luta, não eu.”

“Ela não podia ver uma câmera, um repórter, que se fazia logo de coitadinha. A Ronda sempre foi a vilã, a arrogante, mas só fala em se aposentar e quer o público apaixonado. Quer ser a mocinha. Ela veio ao Brasil com a intenção de me humilhar, quis botar uma pressão com esse tema e jogar o público contra mim. Mas eu confio no meu povo. Ou ela é uma ótima atriz, ou realmente é muito abalada com esse tema'', disse Bethe, já no Rio de Janeiro.

Para contra-atacar e tentar apagar o mal-entendido da história do suicídio, Correia agora promete o nocaute para chocar o mundo. “A Ronda sabe que não tem como sair da luta de forma rápida. Ela não pode garantir que vai trocar e me nocautear, pois nunca trocou com ninguém. As lutas da Ronda são agarradas. Eu sei o que é um soco na cara. A luta vai ser rápida, mas do meu jeito. Estou com a mão pesada, afiada e vou para nocautear no primeiro round''.

Agora, é esperar para ver se Bethe vai morrer como o peixe.

Serviço – O UFC 190, na HSBC Arena, Rio, conta com a disputa de cinturão peso galo do UFC entre a campeã Ronda Rousey e a desafiante, também invicta, Bethe Correia, além de ter o duelo de técnicos do TUF Minotouro x Maurício Shogun, numa revanche do Pride, as duas finais do reality show e astros como Demian Maia, Minotauro e Pezão. A noitada começa às 20h, com o card preliminar. O principal tem início às 23h, com sete lutas. A Rede Globo anuncia o evento ao vivo a partir das 0h10, com quatro combates na íntegra. O Placar UOL acompanha todos os detalhes do evento.

Card principal:
Galos Feminino (cinturão): Ronda Rousey x Bethe Correia
Meio-pesados (técnicos do TUF): Minotouro x Maurício Shogun
Leves (final do TUF): Glaico França x Fernando Bruno
Galos (final do TUF): Reginaldo Vieira x Dileno Lopes
Pesados: Stefan Struve x Minotauro
Pesados: Pezão x Soa Palelei
Palhas feminino: Claudia Gadelha x Jessica Aguilar

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Meio-médios: Demian Maia x Neil Magny
Meio-pesados: Rafael Feijão Cavalcante x Patrick Cummins
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Galos: Hugo Wolverine x Guido Cannetti


Como a vinda de Ronda coloca o UFC no Brasil em novo patamar
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Jorge Corrêa

Em agosto deste ano completa-se quatro anos desde a primeira vinda do UFC ao Rio de Janeiro e a estreia do evento no Brasil com os atuais donos. Foi uma experiência ousada em um evento de grandes proporções e, com seu sucesso avassalador, abriu as portas para a expansão do Ultimate por aqui. Agora, com o card deste sábado, a franquia está pronta para iniciar uma nova fase no país.

Ter a campeã peso galo Ronda Rousey como principal estrela do UFC Rio deixa clara a posição da franquia: o Brasil está em um novo patamar. Mas qual seria ele? “Tê-la aqui, estrangeira e mulher, como estrela da noite, mostra a maturidade do público brasileiro'', resumiu Giovani Decker, chefão do UFC no Brasil.

Vou explicar essa maturidade. Até agora, os eventos do Ultimate em terras brasileiras eram ancorados exclusivamente por astros nacionais, como Vitor Belfort, Mauricio Shogun, Lyoto Machida, Demian Maia, Rodrigo Minotauro e, principalmente, Anderson Silva – menina dos olhos do UFC por muito tempo e principal responsável pela expansão da marca por aqui.

Com o início da decadência natural destes nomes, era o momento de dar um passo adiante: ter um estrangeiro brilhando aqui. Ronda Rousey é a primeira não-brasileira a protagonizar um evento nacional. Claro que ela terá Bethe Correia como rival, mas a potiguar não tem um décimo do brilho da norte-americana. Ela tem potencial, claro, mas para ele ser cumprido imediatamente, Bethe precisa de uma improvável vitória neste sábado. Neste momento, a campeã atrairá muito mais público e atenção que a desafiante brasileira.

Este UFC Rio ainda é predominante nacional, como nomes como Shogun, Minotauro e Minotouro, mas a luta principal deixa clara essa movimentação. O próximo passo é ter lutas apenas entre astros gringos liderando um card. “O dia vai chegar com o crescimento do esporte. Os brasileiros serão fãs dos lutadores estrangeiros, e poderemos fazer uma luta principal com atletas não-brasileiros'', previu Dana White, lá em 2012.

O que vimos no treino aberto nesta quarta-feira no Rio de Janeiro deixou claro que o “Efeito Ronda Rousey” no Brasil é algo real e está em andamento. A torcida toda que foi à praia do Pepe, na Barra da Tijuca, estava lá para ver a norte-americana. Vi cenas de histeria que apenas Anderson Silva tinha protagonizado em passagens anteriores do UFC no Brasil.

Entre gritos, choros e selfies, a campeã peso galo feminino ficou surpresa com a recepção que teve. Mais que isso, tomou total controle da situação e deve utilizá-la muito bem a seu favor. O torcedor brasileiro está pronto para ficar ao lado de uma lutadora estrangeira. O futuro do esporte no país agradece.

Serviço – O UFC 190, na HSBC Arena, Rio, conta com a disputa de cinturão peso galo do UFC entre a campeã Ronda Rousey e a desafiante, também invicta, Bethe Correia, além de ter o duelo de técnicos do TUF Minotouro x Maurício Shogun, numa revanche do Pride, as duas finais do reality show e astros como Demian Maia, Minotauro e Pezão. A noitada começa às 20h, com o card preliminar. O principal tem início às 23h, com sete lutas. A Rede Globo anuncia o evento ao vivo a partir das 0h10, com quatro combates na íntegra. O Placar UOL acompanha todos os detalhes do evento.

Card principal:
Galos Feminino (cinturão): Ronda Rousey x Bethe Correia
Meio-pesados (técnicos do TUF): Minotouro x Maurício Shogun
Leves (final do TUF): Glaico França x Fernando Bruno
Galos (final do TUF): Reginaldo Vieira x Dileno Lopes
Pesados: Stefan Struve x Minotauro
Pesados: Pezão x Soa Palelei
Palhas feminino: Claudia Gadelha x Jessica Aguilar

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Meio-médios: Demian Maia x Neil Magny
Meio-pesados: Rafael Feijão Cavalcante x Patrick Cummins
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Médios: Vitor Miranda x Clint Hester
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Wanderlei Silva é processado pelo UFC após acusar liga de ter lutas armadas
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Maurício Dehò

Estava demorando, mas enfim o UFC resolveu contra-atacar Wanderlei Silva. Desde que foi banido pela Comissão Atlética de Nevada por fugir de um antidoping, o brasileiro se opôs à organização em que lutava e ao seu presidente, Dana White. Na última semana, ele chegou a dizer que tem provas de que há lutas armadas no Ultimate. E acabou processado.

O Ultimate entrou com um processo contra o ex-campeão do Pride, segundo o site Bloody Elbow, e terá de responder sobre todas as acusações e mostrar provas do que falou, para não ser incriminado por calúnia.

De acordo com o site, o UFC deu entrada em um processo em Nevada nesta terça-feira – pela data, fica claro que a última investida do curitibano foi o limite para a organização. Na última semana, conversando com seguidores no Twitter, Dana White já havia respondido com uma piscadela quando um deles pediu para que o Ultimate fosse à Justiça contra Wand.

Wanderlei fez a acusação da existência de lutas armadas no UFC em um post em que defendeu o cutman Jacob Stitch Duran, demitido por criticar o acordo da organização com a Reebok, que limou seus patrocinadores policiais de sua vestimenta nas noites de luta. O brasileiro cobrou também a empresa por não demití-lo, já que seu contrato segue em vigor, amarrando seu futuro.

Postou ele: “Demitiram-no, isso mesmo, demitiram o Stich por se posicionar contra esse roubo que está sendo feito contra os atletas. Aí pergunto, porque não me demitem? Eu já disse que não quero e não vou trabalhar mais pra esse evento, e não me demitem, é isso o que acontece com quem fala a verdade nesta empresa: é escorraçado. Eles não têm respeito por ninguém, eu já deixei bem claro pra vocês: não luto nunca mais pra esse evento, UFCirco!!! Lutas compradas, e posso provar isso! Ainda não soltei a bomba, não falei tudo que sei!!!''.

E teve mais, em outro post no Instagram: “Já tentaram me comprar, mas não estou e nunca estive à venda. Vou lutar até o fim para desmascarar esses promotores, que estão iludindo o povo!! E trapaceando, tirando a dignidade e a honra do nosso esporte! Esta virando WWE, telequete!!! Com lutas armadas. Temos que parar esses caras, pois isso é o fim da linha pra nós !!!''

É claro que Wanderlei Silva tem todos os direitos de fazer acusações contra o UFC. Mas, é claro, ele precisa ter provas para bancar algo tão sério quanto vem prometendo revelar. Fazer promessas em redes sociais sem um único ponto que lhe resguarde e dê credibilidade complica o brasileiro. E, lá nos EUA, se for provado que Wanderlei apenas “jogou um verde'' e mentiu, a coisa pode ficar feia frente à Justiça. Aguardemos os próximos capítulos, a história vai dar muito pano pra manga…


Casada com técnico, Bethe era contadora que queria perder peso antes do MMA
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Maurício Dehò

Em dezembro de 2013, Bethe Correia, a Pitbull, chegou de mansinho ao UFC. Era a terceira brasileira em ação pela organização, invicta em seis lutas, faixa roxa de kung fu e azul de jiu-jítsu e com o desafio de encarar o fuso horário da Austrália para vencer manter a boa fase. Menos de dois anos depois, o estrondo feito pela paraibana de Campina Grande foi tão grande, que ela virou desafiante ao cinturão de Ronda Rousey no UFC 190 e fez a campeã chorar com suas provocações.

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Se a gente perguntasse à Bethe de quatro anos atrás se era possível imaginar tal desfecho, certamente, ela diria que não. Naquela época, ela ainda deixava de ser uma contadora e trocaria o escritório pela academia, em uma trajetória que virou sua vida do avesso. Da garota que queria perder uns quilinhos à lutadora que se casou com seu técnico e tem a chance de chocar o mundo, Bethe venceu sete combates, sendo dois por nocaute, e tenta neste sábado ser a primeira brasileira a ter um cinturão do Ultimate.

Pra quem ainda não conhece essa jornada da paraibana, vale a pena saber como ela chegou tão longe, atraindo os olhos do mundo para a cidade em que vive, Natal.

Da contabilidade ao MMA

Natural de Campina Grande, Bethe Correia tinha uma vida tranquilinha. Tudo mudou com sua mudança para Natal, cidade em que começou a treinar MMA.

"Eu desde bebezinha nunca gostei de ficar presa em nada kkkkk", postou Bethe, no Instagram

“Eu desde bebezinha nunca gostei de ficar presa em nada kkkkk'', postou Bethe, no Instagram

“Em Campina Grande, eu tinha uma vida comum: faculdade, trabalho, namorava, nada ligado a luta (risos)… Sentia que faltava algo e encontrei em Natal onde me descobri como lutadora. Sou formada em contabilidade, trabalhei um tempo como contadora e deixei tudo para me dedicar a lutar. Hoje vivo só pra treinar'', contou ela, em entrevista de 2013.

“Comecei treinando para emagrecer, daí passei a competir no amador e rápido fui para o profissional de MMA. Tudo foi rápido e foi uma grande surpresa chegar ao UFC”. A profissionalização da paraibana tem tudo a ver com a relação com os irmãos Pitbull, Patricio e Patricky Freitas, lutadores de destaque do Bellator e que tem uma equipe em Natal.

Técnico que vira marido

O companheiro de todas as horas Edelson é técnico e marido de Bethe

O companheiro de todas as horas Edelson é técnico e marido de Bethe

Outro ponto fundamental para entender a carreira de Bethe está no seu corner. Ela é casada com seu técnico. Edelson Silva, lutador de boxe por 18 anos e técnico com experiência com lutadores como Anderson Silva, certa vez foi a natal para apresentar um seminário. A troca de olhares começou ali. Uma faísca se acendeu, mas foi apenas quando ele retornou para lá e passou a dar aulas na cidade que houve uma aproximação.

“Sempre quis ter uma mulher pra treinar. Certa vez estava em natal, ela estava treinando com uns casca grossa. Eu falei: ‘essa menina, se cai na minha mão, eu faço campeã. Eu fiquei admirado pela parte de luta”, contou ele, ao SporTV. A proximidade acabou em namoro, e eles moram juntos há um ano. “Eu me apaixonei, mulher apaixonada sempre muda. Só me trouxe coisa boa. Quando o conheci, já era lutadora de MMA, mas ter ele ao meu lado, ter alguém ao seu lado só faz crescer.”

O mundo das lutas está tão presente, que às vezes o programa de sábado à noite é ver UFC ou uma luta de boxe. E Edelson admite que tem dias em que toma bronca, por ser técnico também em casa, quando deveria ser apenas marido. “Eu sou romântica, gosto de sair para jantar, essas coisas”, disse Bethe. Além de romântica, também admite ser vaidosa. Gosta de arrumar os cabelos, fazer as unhas e aparecer sempre que possível de maquiagem, como mostrou em vídeo recente do UFC.

No UFC, amigas de Ronda caem

Bethe gesticula e provoca o time de lutadoras de Ronda Rousey. Deu certo.

A carreira de Bethe começou em maio de 2012, com uma vitória por pontos. Foram seis combates, sendo o último no Jungle Fight, até chegar ao UFC. Na primeira luta, ela bateu a experiente Julie Kedzie em decisão dividida.

Já na segunda, causou um estrondo que não pôde deixar de ser ouvido. Parecia ser uma luta normal contra a grandalhona Jessamyn Duke, queridinha de Ronda Rousey no TUF, mas um gesto ao fim do combate a fez chamar a atenção da Ronda. Ela mostrou quatro dedos e abaixou um: era um sinal de que vencera uma das “quatro amazonas”, nome que Ronda deu ao seu time (em inglês, The Four Horsewomen).

Com a provocação certeira, ela encarou outra protegida de Ronda, Shayna Baszler. Por nocaute no segundo round, arrasou a rival e ganhou a chance de lutar pelo cinturão – com a vantagem de Ronda ter aceito lutar no Brasil.

Polêmica fora do octógono

Um caso movimentou a vida da paraibana fora do MMA, com uma briga no Rio de Janeiro. Ela e o marido se envolveram em uma confusão com um taxista em março. A disputa aconteceu depois de o casal pedir um táxi por um aplicativo no celular.

Bethe e Edelson sairiam para jantar, mas mudaram de ideia. O valor da corrida acabou gerando uma discussão, e isso evoluiu para uma briga, em que Edelson acabou agredindo o taxista Cleonardo de Freitas. Cada lado teve uma versão para os incidentes, com a lutadora alegando que o taxista os ameaçou com uma suposta arma que estaria no carro, e o agredido os acusando de calúnia.

O caso acabou na polícia, já que Cleonardo fez boletim de ocorrência e pediu uma indenização.

Entrando na cabeça da campeã?

Por fim, o fator que fez crescer o interesse no combate entre Bethe e Ronda foi o “trash talk”. A troca de provocações sempre foi grande entre elas, e Bethe acabou causando uma enorme polêmica quando disse: “espero que Ronda não se mate depois de perder para mim”.

O problema é que Ronda tem um caso de suicídio na família, justamente de seu pai, que se matou quando ela era garotinha – e enquanto ela estava em casa. A norte-americana não engoliu a provocação e nem o pedido de desculpas, já que Bethe alegou desconhecer essa parte da história da campeã. Mas a impressão que ficou é a de que a brasileira tentou entrar na cabeça da rival e desestabilizá-la.

“É algo bem documentado e sabido que meu pai se matou. Foi aí que ela passou do limite”, disse, entre lágrimas, Ronda. “Entre mexer com minhas amigas e pegar uma chance de lutar pelo título, ela desrespeitou a maior tragédia que minha família já viveu. E deu risada. Isso não é promover a luta. Ela foi longe demais e eu não perdoo coisas assim.”

Bethe se desculpou, mas manteve o ataque, “Chega de fazer imagem de menininha. Você não é uma coitadinha. Eu bati mesmo nas amigas dela, mas não falei do seu pai”.

Ronda já prometeu dar uma longa surra, para garantir que Bethe “não saia do octógono como entrou”, e isso já até gerou uma bronca de sua mãe, que quer um desfecho rápido. Já Bethe afirma que quer mostrar o que é ser nocauteada a Ronda. No sábado saberemos o desfecho…


Gadelha provoca campeã: ‘não dorme à noite, sabe que perdeu para mim’
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Maurício Dehò

Claudia Gadelha

Claudia Gadelha

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Bethe Correia tem a chance de ser a primeira brasileira campeã do UFC neste sábado, no Rio. Enquanto isso, outra lutadora do país luta para ganhar a chance de lutar pelo cinturão: Claudia Gadelha, que abre o card principal na HSBC Arena. A potiguar está de olho no outro título, o das peso palha da organização. E com um detalhe: ela já enfrentou a atual campeã, Joanna Jedrzejczyk, em um combate que muitos consideram que teve a vitória dada injustamente à polonesa.

O desafio de Claudia neste fim de semana é contra a estreante  no UFC, mas veterana no MMA Jessica Aguilar. Mesmo com a rival só em 15º lugar do ranking, a expectativa criada pelo UFC é de que uma boa vitória da brasileira, líder da lista, resulte na revanche com Joanna. É tudo que a potiguar quer – e, de acordo com ela, que a campeã também deseja.

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“Eu acho que vai acontecer, porque ela (Joanna) também quer. Tenho certeza de que quando ela deita no travesseiro, não dorme à noite, fica incomodada, porque sabe que perdeu a luta”, provoca Claudinha, potiguar de Mossoró, de 26 anos, e cujo cartel mostra 12 vitórias e uma derrota.

“Eu ainda me sinto invicta, para mim, foi algo administrativo, erraram ao pontuar. Quem viu a luta, sabe que tomei um knockdown, mas voltei e briguei dois rounds. Ela ganhou 10 segundos da luta, e deram a vitória para ela”, reclama ela, adicionando. “Ela faz um pouco de tudo, mas eu também faço. Acho que sou melhor em tudo que ela. Ela é completa, mas também sou”.

A única derrota de Claudia, contra Joanna, aconteceu em dezembro. Para muitos – este que vos escreve inclusive -, a pontuação dos árbitros laterais foi injusta. Fato é que a polonesa saiu com a vitória, ganhou a chance de enfrentar a então campeã Carla Esparza e a partir daí virou uma estrela do UFC. Deu uma surra em Esparza, conquistou o título, construiu uma imagem carismática e até já fez sua primeira defesa, batendo Jessica Penne por nocaute.

A evolução de Joanna é notável, mas não chega a espantar a brasileira.

“Não acho que ela evoluiu tanto, acho que as adversárias que não estavam no nível dela. A Carla não sabe nada em pé, não sabe dar um soco. Para lutar com a Joanna, tem que trocar, fazer ela andar para trás. A Jessica Penne é boa, mas vinha de outra categoria, então, era outro jogo. A Joanna vai mostrar que evoluiu quando enfrentar as top da categoria. Eu a vi mais solta, mais tranquila, confiante, mas ela evoluiu como qualquer um, não tanto quanto se fala”, analisou a pupila de Dedé Pederneiras e companheira de José Aldo e Renan Barão.

Barão, por sinal, foi uma das armas de sua preparação, já que eles estavam com calendário parecido – o conterrâneo de Rio Grande do Norte perdeu para TJ Dillashaw no último sábado. “A gente é muito amigo, muito irmão, se ajuda sempre”, elogiou ela.

Claudia conta que fez um trabalho físico mais intenso, para otimizar sua performance e não perder o gás. A intenção é estar até o fim do terceiro assalto andando para frente. E, claro, manter o foco em Jessica, e não em Joanna.

“Todo mundo está falando sobre cinturão, e até o UFC deu a entender que se vencer serei a desafiante, mas meu foco está na Jessica”, garantiu a número 1 do ranking peso palha. A norte-americana Jessica Aguilar tem 19 vitórias e quatro derrotas, vem de nove vitórias seguidas – incluindo uma contra Esparza – e foi campeã do WSOF.

Claudia poderia torcer contra Bethe para ser a primeira campeã do Brasil entre as mulheres, mas não liga para isso. Para ela, uma arquirrival de Ronda é quem tem esse título, e ver Bethe Correia como campeã também seria algo a se comemorar.

“Eu quero que o Brasil se encha de campeões, eu sou patriota, amo meu país, por mim todos os cinturões seriam do Brasil”, disse ela, sobre o confronto Ronda x Bethe. “Não tenho a ambição de ser a primeira. E, para mim, Cris Cyborg é a melhor do mundo, pra mim ela é quem foi a primeira campeão mundial de MMA, então, por mais que eu conquiste o cinturão do UFC, já tenho uma número 1.”


Ronda desconstrói vilã do octógono e revela perrengues reais em livro
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Jorge Corrêa

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Em quase seis anos cobrindo eventos do UFC in loco, uma das cenas que mais me marcou foi o final da disputa de cinturão entre Ronda Rousey e Miesha Tate na edição 168, em dezembro de 2013. Mesmo depois de vencer de forma contundente e se manter como campeã do Ultimate, Ronda ouviu uma das maiores vaias da história do evento, com um ginásio lotado e diante de um público predominantemente norte-americano. Tudo porque se recusou a cumprimentar sua rival após ser anunciada como vencedora.

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Dona de uma carreira impecável e cada vez mais próxima da invencibilidade, a dona do primeiro cinturão feminino do UFC nunca fez questão de parecer legal diante das câmeras ou diante de suas rivais. Sua gentileza vai até onde sua adversária merece. Sempre franca e sem papas na língua, dividiu os fãs de MMA: de um lado os admiradores de sua técnica apuradíssima, do outro os “haters” que não gostam da maneira que ela se porta. Ela nunca se importou com o papel de vilã. Pelo contrário, a carapuça lhe serviu muito bem.

Isso até vir seu livro. Lançado nos Estados Unidos em maio deste ano, “Rousey – My Fight/Your Fight” (no Brasil sai nesta semana em português com o título “Ronda Rousey – Minha Luta, Sua Luta”, pela editora Abajour Books), se prepõe a ser uma biografia de uma personalidade de apenas 28 anos. Como bem disse Dana White, no prefácio, esse com certeza será apenas o volume 1 da história da lutadora.

Mas, mais que contar histórias desconhecidas de Ronda Rousey – ou detalhar outras que já eram públicas – a publicação (feita a quatro mãos entre ela e sua irmã, a jornalista esportiva Maria Burns Ortiz) desconstrói de forma sincera esse papel de vilã que ela assumiu. Ela o faz revelando os inúmeros perrengues que passou em sua vida até chegar ao panteão dos maiores lutadores de MMA da atualidade. Ela se aproxima do público mostrando seu lado humano, como ela se tornou uma heroína se sua própria história.

De tempos em tempos, sua vida foi marcada por tragédias pessoais, dos mais diversos graus. Sua mãe teve uma complicação no parto que a levou a falar apenas perto dos quatro anos. Ainda muito nova, seu pai cometeu suicídio por ter uma doença degenerativa irreversível que o deixaria em estado vegetativo. Ela passou por momentos de fuga de casa, briga com mãe, falência (que a levou a morar em seu carro) e arriscou sua carreira tendo três empregos ao mesmo tempo, isso enquanto treinava.

A linha narrativa do livro gira em torno de como Ronda conseguiu superar cada uma desses problemas e como isso formou sua personalidade, como pessoa e como lutadora. Flertando com a autoajuda, o texto nos explica a origem de tanta confiança e como ela se prepara para evitar seu maior medo: a derrota.

Nessa formação, temos como personagem chave sua mãe, Ann-Maria Burns primeira campeã mundial de judô dos Estados Unidos. Ela é responsável por ter transformado a pequena Ronda em uma judoca talentosa e empurrá-la ao seu limite – muitas vezes, fora do saudável. Os altos e baixos da relação entre as duas fez a campeã do UFC chegar até aqui, seja por motivações físicas, seja por puro, clássico e eterno desafio entre mãe e filha. Uma frase de Ann-Maria deixa isso claro: “Campeões sempre fazem mais”. Foi assim que mesmo gravemente machucada ela desenvolveu sua chave de braço indefectível, por exemplo.

Os namorados e as lágrimas também são parte importante, principalmente nos últimos anos de sua trajetória. E mais uma vez vemos que ela é “gente como a gente”. Apenas citando rapidamente, ela teve o primeiro namorado que a traía, o namorado perfeito que depois mostrou ter um sério problema com drogas, o namorado que achava ela feia, o namorado tarado que tirava fotos dela pelada sem ela saber…

E a prova de que a campeã deve ter escondido pouca coisa é o fato de ter revelado de onde veio o rumor de que ela teria um caso com Dana White, ou como odiou ser treinadora do reality show The Ultimate Fighter ao lado de Miesha Tate e porque nunca mais vai repetir essa experiência. É muita sinceridade contra uma das meninas dos olhos do UFC.

Depois de ler quase 300 páginas de um texto simples, direto, fluido e com tantos palavrões, é difícil de não criar alguma empatia por Ronda Rousey. Daqui para frente vai ser difícil imaginá-la sempre como a personagem má da história.

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Capa da versão em inglês


Lutadora minimiza seio de fora no UFC: ‘não tenho vergonha do meu corpo’
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Maurício Dehò

O medo de tantas lutadores se tornou realidade para uma delas neste fim de semana. Durante o UFC realizado em Chicago a norte-americana Elizabeth Phillips acabou sofrendo com seu uniforme e, em dois momentos, ficou com o seio de fora durante o combate com Jessamyn Duke. Poderia ser um drama, motivo de vergonha, mas você acha que ela ligou muito para isso? Quase nada.

A peso galo de 28 anos conta que percebeu na hora que estava, digamos, mais exposta do que deveria no octógono. Primeiro, no round inicial, quando estava nas costas de Duke. E depois no terceiro assalto, quando nos instantes finais tentava evitar uma chave de braço da rival. Tudo foi muito rápido – tanto que passou despercebido pela maioria que assistiu ao combate.1972531_679376912124635_1625459003_n

“Sim, eu percebi o que aconteceu enquanto estava lutando”, riu a lutadora, em entrevista ao blog, falando com bom humor sobre o flagra inesperado. “Eu tentei ajeitar, mas no meio da luta tem hora que não dá. Mas, tudo bem, isso acontece, segue o jogo.”

Elizabeth conta que alguns amigos próximos viram a cena, que virou motivo de riso para todos, até pelo fato de ela não se incomodar. “Não é tão vergonhoso, poderia acontecer com qualquer uma. Não reagi tipo: ‘ohhh, não!’. Não foi assim. Para mim, não é tudo isso, não foi minha culpa e não acho que preciso ter vergonha do meu corpo”, afirmou a peso galo. “Meus amigos fizeram piada, ficamos rindo disso que aconteceu. Não perdi o sono com isso.”

A norte-americana afirmou que nunca havia passado por isso em sua carreira. Um detalhe é que o UFC conta com uniformes há duas semanas, e uma das promessas era de que as mulheres receberiam atenção especial e que suas vestes lhes dariam mais segurança – Ronda Rousey foi uma que exigiu isso.

“Acontece, não vou culpar a Reebok, mas acho que eles farão alguns ajustes para as próximas peças. Eu nunca precisei fazer como outras meninas e usar dois tops, mas com certeza na próxima luta vou vestir”, disse ela.

Seios à parte, Elizabeth comemorou vencer sua primeira luta no UFC, em seu terceiro compromisso com a organização. Vinda de duas derrotas, ela precisava afastar o fantasma da demissão, e conseguiu isso com um triunfo por pontos sobre Jessamyn Duke.

“Foi uma sensação ótima. Depois de tantas coisas que aconteceram, me senti bem em vencer, tirou um peso dos ombros”. Sobre sua atuação, não ficou totalmente contente. “Sempre há espaço para melhorar. Eu não fui bem no terceiro round. Queria ter conseguido acabar a luta mais cedo, então fui muito intensa no começo. Talvez pudesse ter diminuído o ritmo. São coisas que você aprende”, concluiu.

Aos 28 anos, Elizabeth Phillips tem 5 vitórias e três derrotas na carreira. Com o resultado, sua intenção é conseguir uma luta contra alguém do ranking, para vencer, embalar e avançar rumo ao top 10 da categoria de Ronda Rousey.