Blog Na Grade do MMA

O recado de Ronda Rousey para a torcida brasileira
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Jorge Corrêa

“Eu amo o público brasileiro. Eles já me vaiaram, mas também foram os únicos a torcer por mim. Nas semifinais do campeonato mundial, em 2007, eu estava enfrentando a atleta que era campeã, e ela tinha dois metros de altura. Ela deslocou meu braço, e eu tive que colocá-lo no lugar. Estava perdendo no placar, faltavam 20 segundos para o fim, e a derrubei com o braço que havia acabado de colocar no lugar. Todo mundo explodiu e torceu por mim, porque não importava que eu não era brasileira. O que importava era que eles viram algo grandioso. Amo aquele público''

Se alguém acha que Ronda Rousey está preocupada com o que vai encontrar no Rio de Janeiro, onde defenderá seu cinturão do UFC contra Bethe Correia em 1º de agosto, está muito enganado. A norte-americana tem um grande passado na cidade na época em que estava na seleção norte-americana de judô. Ele esteve na capital fluminense duas vezes em 2007, para um Mundial e para os Jogos Pan-Americanos.

A passagem que ela cita acima foi no Mundial, quando enfrentou a holandesa Edith Bosch pela vaga na decisão. Ela acabou perdendo a final para a francesa Gevrise Emane, naquela que ela aponta como a maior derrota de sua vida. Agora, ela terá mais uma chance de encontrar o calor do público brasileiro. Não duvido nada que a maioria torça pela norte-americana e não pela desafiante brasileira.


Aldo critica UFC por título interino: Não luto por dinheiro, luto por amor
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Jorge Corrêa


Um dia depois de o UFC ter confirmado que José Aldo estava fora da luta contra Conor McGregor por conta de uma lesão na costela, o brasileiro finalmente veio a público para dar sua versão da história, afinal, o Ultimate chegou a dizer que não era uma fratura o que ele tinha sofrido na última semana. O comunicado foi publicado em primeira mão pelo Combate.com.

Com a ausência do campeão linear, o UFC 189 terá na luta principal no próximo dia 11 uma disputa de cinturão interino entre o irlandês e o norte-americano Chad Mendes, que já foi derrotado por Aldo em duas oportunidades.

Confira o comunicado completo:

Durante três meses, diariamente, realizei três períodos de treinamento. Investi meu tempo e dinheiro, trazendo parceiros de treino, tanto do país quanto de fora, para realizar o melhor camp da minha vida e estar pronto para defender, pela oitava vez, o meu cinturão no dia 11 de julho. Infelizmente, sofri uma fratura na costela durante um treino, que está comprovada por laudo oficial, e apesar de fazer todo o possível para lutar, fui obrigado ao contrário e isso me entristeceu muito. Somente eu, minha família, treinadores e companheiros sabemos quanto eu me esforcei para representar o Brasil novamente.

A decisão foi tomada em respeito aos fãs e ao UFC, que hoje me consideram o melhor lutador peso-por-peso do mundo. Eu não poderia lutar sem ter 100% das minhas condições físicas e com uma fratura na costela que poderia se agravar caso sofresse um golpe no local. Muitas pessoas me disseram para lutar mesmo assim, por conta do dinheiro que poderia ganhar, mas não me venderia por quantia alguma, seja ela qual fosse. Luto por amor ao que eu faço e pelo meu país. O dinheiro, para mim, vem em segundo plano, é igual sombra: quando você tenta pegar, não consegue, mas quando você anda para frente, ele te segue. O dinheiro acaba em algum momento, mas o legado de conquistas ficará para a história, e é isso que mais valorizo.

Sou campeão do UFC desde abril de 2011, defendi meu cinturão sete vezes em quatro anos, e farei a oitava defesa ainda em 2015, uma média de duas lutas de título por ano. Isto sem contar o WEC, evento de propriedade da Zuffa, assim como o Ultimate, e do qual fui campeão em 2009 para depois colocar o cinturão em jogo por mais duas vezes em menos de um ano. Por isso, não posso concordar com a decisão do UFC em ter um campeão interino da minha categoria, justificando isso com as cinco oportunidades que não pude defender o cinturão.

Caso essas lutas tivessem ocorrido, eu teria feito, apenas no UFC, 12 lutas de título em quatro anos, com uma média de três disputas por ano, uma média que nenhum campeão teve. Raramente algum campeão fez três defesas em um ano. Então, esse não pode ser o motivo principal para ser dado um título interino, mas como o UFC é uma empresa privada da qual sou contratado, não posso reclamar das suas decisões, mas nem por isso posso dizer que concordo.

Com relação ao meu adversário, que falou para eu me apresentar para a luta como homem, não posso falar nada sobre um cara que imita na vida um personagem de série de TV (o ator Travis Fimmel, da série Vikings). Esse é realmente quem ele realmente queria ser, porque deve ter vergonha de ser quem é de verdade, tanto que imita as falas, jeito de ser e tatuagens desse ator. Ele é um artista, mas não das artes marciais, e sim de comédia barata. É até um desrespeito com o ator e, principalmente, com atletas de verdade. Ele deveria procurar um palco e não um octógono. O octógono é meu reino e lá só existe espaço para um rei, que sou eu, e se ele quiser participar, vai ter que ser como bobo da corte que já é.

Se vencer o Chad Mendes, a única coisa que ele terá será um cinturão de brinquedo para mostrar aos amigos, bêbado nos bares do país dele, porque é isso que um título interino representa para mim: um brinquedo. O campeão sou eu.


Cinturão interino injusto fará José Aldo torcer [muito] por Conor McGregor
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Jorge Corrêa


A notícia que nenhum fã de MMA queria ouvir veio na noite da última terça-feira. José Aldo não conseguiu se recuperar da lesão na costela sofrida na semana passada e está fora da luta contra Conor McGregor, o combate mais esperado do UFC neste ano. Foi gasto um caminhão de dinheiro, valores sem precedentes na história do Ultimate. Talvez isso tenha deixado Dana White e seus pares tão irritados a ponto de tomarem uma decisão bem equivocada.

Assim como foi anunciada a saída do brasileiro, a franquia também confirmou a execução do seu plano B: Chad Mendes fará contra o irlandês uma disputa de cinturão interino no combate principal do UFC 189, em Las Vegas, no próximo dia 11. Nunca um título interino foi anunciado em um espaço de tempo tão pequeno depois da lesão de um campeão.

Fica claro que neste momento foi usado dois pesos e duas medidas. Em janeiro deste ano, Chris Weidman sofreu uma lesão muito parecida e sua luta contra Vitor Belfort foi adiada em três meses, sem qualquer suposição de título interino. É o mesmo tempo que Aldo precisaria para voltar. Dominick Cruz sofreu uma lesão de o afastaria do octógono por 8 meses para que um título não linear fosse colocado em jogo.

A desculpa dada por Dana White foi que José Aldo já ficou de fora de cinco disputas de cinturão por conta de lesões desde que chegou a UFC em 2011. Ok, esse pode ser um dos motivos, mas ele poderia ter sido um pouco mais sincero, como normalmente é.

Ao criar essa disputa relâmpago de cinturão interino, o UFC tenta diminuir um pouco o prejuízo que terá com a ausência de José Aldo. Traz um pouco mais de apelo para um card que ficaria como luta principal a disputa de cinturão dos meio-médios entre Robbie Lawler e Rory MacDonald. Ter um títulozinho a mais em jogo sempre ajuda a vender um pouco mais de pay-per-view.

Mais que isso, o Ultimate não poderia dispensar a propaganda (ou como gosto de falar, o hype) em cima do Conor McGregor. Ele já é um astro do evento, mesmo tendo feito só cinco lutas no octógono. Milhares de irlandeses já tinham comprado passagem e ingressos para Las Vegas e Dana White não tem o menor interesse em decepcionar esse enorme mercado consumidor em potencial. A Irlanda pode abrir as portas para a Europa continental.

E com essa nova disputa de cinturão, teremos uma situação que beira o surreal: podem ter certeza que José Aldo vai torcer muito para o falastrão. A matemática é simples. Se Chad Mendes vencer, o brasileiro fará uma unificação de cinturão que contra um cara que já venceu duas vezes de forma contundente. Essa trilogia forçada teria pouco apelo e, com isso, renderia pouco dinheiro para o campeão.

Por outro lado, se Conor vencer, a rivalidade com Aldo sairia ainda mais fortalecida. O irlandês finalmente terá vencido um top da categoria e terá referendada sua posição como desafiante pelo cinturão linear. Além disso, teremos mais muitos meses de promoção e bate boca entre os dois, criando ainda mais expectativa sobre esse encontro.

Qual seria o resultado? Muito, mas muito dinheiro para todos os envolvidos.


Aldo está fora do UFC 189. McGregor disputa cinturão interino contra Mendes
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Jorge Corrêa


Acabou a novela. Uma semana depois de o campeão dos penas ter sofrido uma lesão na costela, Dana White confirmou que José Aldo não vai enfrentar Conor McGregor no UFC 189 no próximo dia 11, em Las Vegas, valendo o cinturão da categoria. A informação foi dada pelo presidente da franquia em entrevista ao canal norte-americano ESPN.

Dessa forma, o irlandês fará uma disputa de cinturão interino contra o norte-americano Chad Mendes. Esse já era o plano B do Ultimate desde a última semana, quando o brasileiro sofreu a contusão.

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  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/06/30/jose-aldo-acertou-em-nao-ir-para-a-luta-no-ufc-189.js

“André Pederneiras, seu técnico, me ligou e basicamente disse que a costela ainda estava doendo muito e ele não faria a luta. Então Chad Mendes agora vai enfrentar Conor McGregor pelo cinturão interino. José Aldo já teve de sair de cinco lutas pelo cinturão, Conor está pronto para seguir em frente. O número 1 da categoria, Chad Mendes, também está pronto. Então isso faz sentido. Assim que Aldo estiver pronto, faremos a unificação dos cinturões. Essa foi a sua decisão. Não me sinto bem com isso, nós gastamos muito dinheiro promovendo esse combate, muita gente estava empolgada com essa luta, então isso é definitivamente desapontador'', disse Dana White.

Aldo levou um chute de um colega de treino no local e o primeiro prognóstico foi de uma fratura, que dificilmente o deixaria lutar. Mas um novo laudo foi feito por médicos americanos, que detectaram uma lesão menor. Com isso, Aldo ficou em tratamento intensivo nos últimos dias, mas nesta terça-feira foi constatado que ele não teria condições de ir para a luta na próxima semana por conta das dores que estava sentindo.

No dia que a contusão foi confirmada, o UFC veio a público com esta possibilidade deste cinturão interino, que acabou sendo confirmada. Mas até o último momento, Dana White estava confiante que a luta acontecesse. No evento de lançamento dos uniformes da Reebook neste terça, o presidente disse que acreditava que o confronto rolaria no dia 11.

O UFC e José Aldo podem começar a contabilizar o prejuízo, como o próprio Dana White disse lá em cima, foi investido muito dinheiro para a promoção deste combate. Mais que isso, essa foi a luta em que o Ultimate mais gastou dinheiro. Tivemos tour mundial, superprodução para as propagandas de TV, ingressos vendidos com muita antecedência…

O campeão linear também tem muito a lamentar. Como publicamos em um post aqui mais cedo, com essa ausência no UFC 189 no dia 11 de julho, deixará de ganhar ao menos R$ 11 milhões, entre bolsa, verba de patrocinadores e percentual de venda de pay-per-view na América do Norte. É, tranquilamente, mais dinheiro do que ele já ganhou em toda sua carreira.

Tags : josé aldo


A encruzilhada de Aldo: R$ 11 mi ou o reinado no UFC. Vale a pena arriscar?
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Maurício Dehò

“Quanto vale o show?”. A frase usada por Silvio Santos no seu “Show de Calouros” e, relembrada pelos Racionais Mc’s, em uma música de seu mais recente álbum, parece casar com a encruzilhada vivida por José Aldo a 11 dias do UFC 189. Prestes a fazer a sua luta mais importante na organização – pelo investimento do Ultimate, e não necessariamente pelo potencial técnico de seu rival -, o manauara precisa decidir entre engolir os riscos e dores de uma lesão, ou deixar o card e liberar Conor McGregor para lutar por um cinturão interino contra Chad Mendes. E essa decisão tem mais desdobramentos.

Muito além de lutar ou não, Aldo e sua equipe têm de pesar na balança dinheiro, status, ética e legado para darem uma posição firme ao UFC, principalmente depois de o técnico Dedé Pederneiras revelar que um laudo diagnosticando fratura na costela do campeão dos penas desmentiu nota do Ultimate. Pense você, internauta: arriscaria seu posto de melhor lutador da atualidade, único campeão de sua categoria e atleta com mais defesas de cinturão do momento para entrar no octógono e, ganhando ou perdendo, faturar um valor que pode chegar a US$ 3,5 milhões (R$ 11 milhões)?

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  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/06/29/aldo-deve-lutar-com-mcgregor-apesar-da-lesao-na-costela.js

Esta sinuca de bico é preocupante, devido à revelação de Pederneiras de que Aldo está em repouso absoluto para curar a costela lesionada durante um treino. Segundo o técnico, Aldo sentiu muitas dores e precisa ficar totalmente parado para tentar se curar. Porém, isso impacta não apenas tecnicamente, no que Aldo ainda teria a crescer nesta reta final de preparação, mas principalmente no corte de peso, uma vez que o manauara nunca teve grande facilidade para bater os 66 kg do peso pena. Se o campeão mal pode se mexer, como vai para uma luta de cinco rounds daqui a 11 dias?

Essa discussão pautou diversos especialistas. Chael Sonnen foi quem jogou a cifra de R$ 11 milhões, citando o que o brasileiro ganhará também com a venda de pay per views e que o vazamento da notícia pode prejudicá-lo. “Aldo está em um evento de PPV e ganha a mais caso atinja metas predeterminadas. Ele nunca conseguiu isso. E essa luta deve vender 1 milhão de pacotes, rendendo uns US$ 3,5 milhões. Machucado ou não, ele vai entrar no octógono? Quem vazou essa informação da lesão pode ter custado a Aldo US$ 3,5 milhões”.

Para o ex-lutador Brian Stann, se Aldo entrar no octógono, é só pela cifra. “Acho que ele luta, pensando apenas no impacto financeiro. Essa luta rende muita grana, vença, empate ou perca. E, mesmo que perca, ele teria uma revanche imediata. Então, ele ganharia agora e ganharia depois”, afirmou Stann, para concluir: “Se vencer, estamos falando do legado de um cara que já tem um legado incrível.”

Realmente, Aldo está na melhor fase de sua carreira. Varreu sua categoria e poderia ter se aventurado como peso leve, não fosse o surgimento de McGregor. Coleciona sete defesas de cinturão no peso pena, que nunca teve outro dono. E herdou conquistou o posto de número 1 do ranking peso por peso, reinando entre todas as categorias do Ultimate. O momento é esse para o brasileiro consolidar seu nome e se garantir no panteão do MMA. Mas, nada pode lhe obrigar a ter pressa e assumir uma posição que seu corpo não pode permitir ocupar. Além disso, quão ético seria fazer isso que Stann está falando?

Antes de tudo isso, o reflexo da lesão já apareceu até nas casas de apostas. Hoje, McGregor é o favorito para se jogar. No site BestFightOdds, é preciso apostar 145 dólares em McGregor para ganhar 100. Se jogar 100 dólares no triunfo de Aldo, ganha-se 125 caso ele se concretize. Se deixar a luta, Chad Mendes é o favorito contra o irlandês.

Se quiser lutar, Aldo ainda precisa realizar novos exames e, se mantiver a viagem para Las Vegas para encarar McGregor, será avaliado pela Comissão Atlética de Nevada. Só após ser liberado por ela o brasileiro poderá defender seu cinturão.

Um ponto a se pensar é que, como Stann disse, há certas situações que acrescentam à mística de um lutador. Anderson Silva ter falado que venceu a primeira luta contra Sonnen com uma costela quebrada adicionou um toque de genialidade ao brasileiro. Aldo, um cara bacana, mas não tão carismático, precisa dessas coisas para alcançar ao patamar de herói, como o do compatriota. Mas isso é a menor das coisas com que ele teria de se preocupar numa hora dessas.

Quanto vale o show? Isso o UFC pode colocar em uma planilha e mostrar gastos, lucros e demais cifras. Quanto vale uma carreira de superação, vitória e domínio como a de José Aldo, um lutador que não deve nada a ninguém? Isso não se põe preço. E é o que está em jogo nesta decisão…


Surras mostram Lyoto Machida no caminho para o fim no UFC
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Jorge Corrêa


Na semana passada, escrevemos aqui um post falando os motivos que levaram Lyoto a nunca concretizar a “Era Machida” profetizada quando ele conquistou o cinturão dos meio-pesados do UFC em 2009. Parece que estávamos prevendo a tragédia que aconteceria em sua luta contra Yoel Romero, no último sábado.

MAIS: Lyoto é operado após fraturar o nariz em derrota no UFC

Pela segunda vez em pouco mais de 40 dias, o brasileiro acabou duramente nocauteado por um adversário. Antes, tinha sido vítima de Luke Rockhold, resultado que deu ao norte-americano a chance de disputar o cinturão dos meio-pesados. Mesmo tendo mais derrotas que vitórias desde que perdeu seu título, Lyoto nunca tinha sido surrado duas vezes consecutivas em sua carreira.

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  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/06/29/qual-deve-ser-o-futuro-de-lyoto-machida-no-mma.js

Aos 37 anos, Machida dá sinais de que seu grande momento no maior evento de MMA do mundo chegou ao fim. Mais que isso, ele se encaminha a passos largos para o término de uma história que tinha tudo para ser gloriosa no UFC, mas pode ser muito mais lembrada pelo “quase” ou por um fim melancólico.

Lyoto nunca se reinventou de verdade dentro do Ultimate. Ele sempre foi muito bom em reinício. Mas seu estilo sempre esteve lá, sempre foi o mesmo. Se por um lado, seu caratê pegou muitos rivais desapercebidos, em golpes fulminantes que pareciam sair de filmes de ação, ele se tornou previsível em combates facilmente definidos como monótonos. Na mesma velocidade que ganhou fãs com sua técnica eficiente, ele os irritou em lutas que perdeu por pura falta de combatividade.

Seu melhor recomeço no UFC foi quando decidiu descer de categoria. Entre os médios, mostrou um frescor em seu trabalho que nunca tinha apresentado. Com isso, chegou a uma disputa de cinturão e, apesar da derrota, foi o rival mais duro que o campeão Chris Weidman já teve. Foram cinco rounds que deixaram o dono do cinturão machucado e torcendo para que a luta acabasse logo.

Mas essa derrota também acelerou o declínio do Dragão. Ele ganhou velocidade com a descida de peso, mas perdeu potência, punch. Não é sempre que vai tirar da cartola um chute perfeito, como fez com Mark Munoz ou CB Dollaway. Seu jogo ficou manjado e foi exatamente dessa maneira que Yoel Romero conseguiu encontrar sua vitória avassaladora, tanto que logo na primeira queda aplicada pelo medalhista olímpico de wrestling veio o nocaute.

Claro que Machida ainda pode ter alguns anos no octógono, lutando em bom nível. Mas ficou claro que ele não tem mais vez entre os tops da categoria. Acabou derrotado por todos que enfrentou. Os melhores pesos médios do Ultimate evoluíram em uma velocidade que o brasileiro não conseguiu acompanhar.

Lyoto tem espaço para fazer até algumas lutas principais no Brasil, sem almejar uma futura disputa de cinturão, mas ele precisa agora pensar em como terminar de maneira digna uma carreira que abriu muitas portas e trouxe muitos fãs para o MMA em uma época em que o esporte ainda não tinha os holofotes de agora.


Econômico e eficiente, Romero bateu mais em Lyoto a luta toda
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Maurício Dehò

Uma curiosidade na luta entre Lyoto Machida e Yoel Romero antes do combate era a semelhança no estilo deles para a trocação. Ambos gostam de contra-atacar e explodir para cima dos rivais. São econômicos, por assim dizer, mas precisos. Foi isso que se viu do cubano, mas – mais uma vez – não do brasileiro, que acabou nocauteado no terceiro assalto.

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Romero totalizou 42 de 70 golpes significativos em Lyoto, golpes de impacto, com aproveitamento de 60%. O brasileiro ficou com 31 de 64, tendo eficiência de 48%. Para efeito de comparação em relação à essa “economia'', essa luta teve um total de 73 golpes dados, enquanto Werdum x Velásquez somou 184.

Quebrando por rounds, toda a superioridade foi do cubano, que cresceu no momento do nocaute, no terceiro assalto: 15 x 12 no primeiro round, 17 x 16 no segundo e 10 a 3 no terceiro.

Apesar de ser mais velho que Lyoto, com 38 anos, um a mais que o brasileiro, Romero provou ter mais potência e nocauteou justamente quando conseguiu aplicar uma de suas especialidades, o wrestling. Foi com ele que derrubou Lyoto e, com poucas cotoveladas, quebrou o nariz do ex-campeão e garantiu o triunfo, seu sexto seguido no UFC.

Com o resultado, ele deve subir ao top 5 da categoria médio – atualmente é o sexto colocado -, aproximando-se do campeão Chris Weidman. Lyoto, que era quarto, perderá espaço, já que veio de um atropelo sofrido contra Luke Rockhold há poucos meses.


Vídeos: Lyoto é devastado por cotoveladas e Marreta aplica lindo nocaute
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Maurício Dehò

O UFC realizado neste sábado na região de Miami, nos Estados Unidos, não acabou como os brasileiros gostariam. Lyoto Machida não conseguiu impor seu jogo e foi derrotado por nocaute por Yoel Romero, devastado pelas cotoveladas do rival.

Foi a segunda derrota seguida do brasileiro e, além disso, o revés contra seu rival – teoricamente – mais fraco, distanciando o brasileiro do sonho de ser campeão novamente, agora na categoria médio. Lyoto deixou o octógono com suspeita de fratura no nariz e foi encaminhado diretamente para o hospital.

Mas, nem tudo foi ruim para o Brasil. Antonio Cara de Sapato estreou bem como peso médio e venceu Eddie Gordon. Já o destaque da noite foi Thiago Marreta, que se recuperou de uma derrota para Uriah Hall com muito estilo primeiro vencendo Andy Enz em janeiro, em menos de dois minutos, e agora embalando.

O brasileiro disparou um chute no corpo do rival Steve Bossé logo no começo da luta. Em seguida, mandou um chute alto potentíssimo. O adversário defendeu o corpo, achando que Marreta estava repetindo o movimento anterior, mas foi pego na cabeça e caiu nocauteado, apagado. Foram só 29 segundos de luta.


À la Super Homem. Bellator tem candidato a nocaute do ano; assista
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Maurício Dehò

O Bellator desta sexta-feira, realizado no Kansas (EUA), brindou os espectadores com um nocaute que vai direto para a lista dos concorrentes a nocaute do ano. O autor foi Hisaki Kato, japonês de 32 anos, que encarou Joe Schilling e cravou a vitória aos 34 segundos do segundo round.

Kato triunfou com um dos golpes mais plásticos do MMA, o Superman Punch, em que o lutador salta e desfere o soco. A potência do golpe foi tanta, que Schilling caiu desacordado.

Com o resultado, Kato se recuperou da primeira derrota da carreira e hoje tem 5 triunfos e um revés – todas as vezes em que se deu bem, foi por nocaute, e ele nunca passou do segundo round em um combate.

Na luta principal no Kansas, o peso pesado Cheick Kongo, ex-UFC, venceu Alexander Volkov, por pontos após três rounds. Kongo vinha de derrota para King Mo.

Tags : nocaute


Lyoto: bater cubano para seguir no páreo ou perder e viver sua maior crise
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Maurício Dehò

UFC bagunçado tem Lyoto tentando manter respeito na categoria

Poucos lutadores sabem o que é cair e se levantar como Lyoto Machida. Desde faturou o cinturão em 2009, o brasileiro nunca deixou de figurar entre os melhores do UFC. Mas, neste sábado, é hora do Dragão ressurgir, de se reconstruir. Mais uma vez… Em Miami, o quarto do ranking dos médios enfrenta Yoel Romero, número 6 da lista, para tentar provar que se mantém no páreo pelo cinturão e fugir do que seria seu pior momento na organização.

Aos 37 anos, Lyoto sabe que cada luta pode representar uma chance derradeira nos seus planos. Até por isso a surra levada por Luke Rockhold deve ter sido uma das mais doídas da carreira, quando foi finalizado pelo norte-americano no segundo round e não teve chances em nenhum momento – ainda que reclame de um suposto golpe ilegal.

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No Ultimate desde 2007, o veterano já tem 20 combates pela organização, com 14 vitórias e seis derrotas. Só em uma ocasião tropeçou em duas lutas seguidas, ao ter tomado o cinturão por Shogun e em seguida perder por pontos uma luta muito discutível com Rampage. Agora, pode repetir essa marca, com o agravante de um novo revés jogá-lo ainda mais longe na fila pelo título.

“Minha luta contra Rockhold não foi boa para mim. Foi devastador perder da forma que foi. Mas, a única coisa que passou por minha cabeça foi que eu gostaria de lutar de novo e agora tenho outra chance”, afirmou Lyoto. “Aprendi muitas coisas nas artes marciais. Às vezes você tem obstáculos na vida que precisa saber como reverter. Eu tenho que vencer essa luta, porque quero voltar para a fila do cinturão. Se eu aplicar minha técnicas, meus socos, meus chutes, minha mão será levantada.”

O ponto positivo para Lyoto é que nas lutas por cinturão feitas contra Jon Jones e Chris Weidman, ele chegou a ter boas chances de vencer. Mesmo que Weidman se mantenha no topo dos médios, uma revanche entre eles ainda faria sentido.

Para isso, o brasileiro tem de voltar a acreditar no seu potencial e, principalmente, soltar seu jogo. Tudo bem que seu estilo é esse mesmo. Esperar, estudar e contragolpear. Ainda assim, muitas vezes em que ele aguardou demais seus rivais, acabou derrotado. Aos 37 anos, esperar uma reinvenção a Lyoto é algo improvável. Mas, como Demian Maia fez, focar nas suas armas e aprimorar seus pontos fortes pode ser o caminho. Potencial nunca faltou a Lyoto Machida.

O problema é que do outro lado está um Romero em alta e cotado como candidato a lutar por cinturão, atrás de Rockhold – próximo rival de Weidman – e de Ronaldo Jacaré. O cubano, medalhista olímpico no wrestling, em 2000, tem cinco lutas no UFC, com quatro nocautes e tem em Lyoto o maior adversário de uma carreira de 9 vitórias e uma derrota.

Romero tem um estilo semelhante, é elusivo, gosta de contra-atacar e tem bons socos, joelhadas e cotoveladas, então, a expectativa é de que a luta seja quente.

A favor de Lyoto, há de se lembrar que Tim Kennedy quase conseguiu um nocaute no fim do segundo round, na luta mais recente do cubano, que foi salvo pelo gongo e nocauteou o norte-americano na volta ao terceiro assalto. Contra, o problema é Romero tentar levar para o chão – e ele tem facilidade para isso -, o que geralmente complica o brasileiro.

Mais do card bagunçado

O UFC deste sábado, em Miami, seria inicialmente disputado em São Paulo e teria as finais do TUF. A mudança de cidade foi um pedido da organização brasileira, na tentativa de fortalecer o card, que ganhou a luta de Lyoto como principal. Já as decisões do reality caíram por problemas de visto – culpa de uma pane do consulado dos EUA – e foram adiadas para o UFC 190. Assim, serão apenas nove lutas.

No card principal, o argentino Santiago Ponzinibbio vem embalado por duas vitórias. O “Gente Boa” encara Lorenz Larkin, que só venceu uma das últimas quatro lutas. Outro ex-TUF em destaque é Antonio Cara de Sapato, campeão da última edição no peso pesado. Ele foi derrotado por Patrick Cummins em dezembro e tem como novidade descer para a categoria médio, para tentar dar uma chacoalhada na carreira. Pega Eddie Gordon, que perdeu seus dois últimos combates.

Além disso, os problemas no visto de entrada nos EUA fizeram o UFC chamar dois lutadores às pressas: Leandro Buscapé e Alex Cowboy, este último uma agradável surpresa com sua boa luta contra Gilbert Durinho (apesar de acabar derrotado) e a rápida finalização sobre K.J. Noons, ambas em lutas também aceitas em cima da hora.

Serviço – O UFC deste sábado acontece a partir das 21h, com o card preliminar. O card principal está marcado para as 23h. O canal combate transmite toda a noitada, e a Globo entra ao vivo com as lutas principais às 0h50. O Placar UOL acompanha todos os lances.

Card principal
Médio: Lyoto Machida x Yoel Romero
Meio-médio: Santiago Ponzinibbio x Lorenz Larkin
Médio: Antônio Cara de Sapato x Eddie Gordon
Médio: Thiago Santos x Steve Bossé
Pena: Hacran Dias x Levan Makashvili

Card preliminar
Meio-Médio:
Alex Cowboy x Joe Merritt
Meio-Médio: Leandro Buscapé x Lewis Gonzalez
Meio-Médio: Steve Montgomery x Tony Sims
Galo: Danny Martinez x Sirwan Kakai