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Weidman explica por que Jacaré é seu desafiante mais perigoso
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Maurício Dehò

“Eu espero enfrentar um cara duro. Mas vou passar direto por qualquer um deles. Luke Rockhold é completo, mas não é ótimo em nada. Ele não seria o melhor striker (trocador) que eu já enfrentei, ele não seria o melhor no jiu-jítsu que já enfrentei. Jacaré traz um elemento diferente. Ele é muito bom no chão e mais perigoso em pé do que Rockhold

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Chris Weidman fez a sua avaliação do que espera para a próxima defesa de cinturão dos médios do UFC, seja quem for o adversário. Ao MMA Fighting, ele analisou Luke Rockhold, número 1 do ranking dos médios, e Ronaldo Jacaré, número 2.

A surpresa foram as críticas ao nível de Rockhold – favorito a lutar pelo cinturão após arrasar Lyoto Machida – e para os elogios a Jacaré – que, nas palavras de Dana White, também tem boas chances de conseguir a vaga. O UFC ainda não se pronunciou oficialmente, e ambos aguardam para saber o “quem'' e o “quando'' do próximo compromisso de Weidman.

“Rockhold é completo e mantém um bom ritmo durante toda a luta. Eles são completamente diferentes como lutadores. Mas, se fosse para dizer quem é o mais perigoso, provavelmente diria que Jacaré, apesar de provavelmente haver mais buracos em seu jogo do que no de Rockhold.''


Top 5: As eternas promessas do UFC
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Jorge Corrêa e Maurício Dehò

Seguimos com o nosso Top 5 semanal, agora no embalo do UFC Goiânia, que será disputado neste sábado, com Thiago Alves encarando Carlos Condit na luta principal. E, no card principal, temos como a penúltima luta da noite Charles do Bronx em destaque.

O paulista do Guarujá faz parte de uma lista interessante: a das revelações que teimam em não vingar dentro do Ultimate. Aqueles lutadores que pintam como enormes promessas, vencem alguns bons combates, deixam os fãs babando e vislumbrando aquele cinturão… que nunca vem.

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O Brasil é bom em produzir esse tipo de nome, principalmente pela atenção que se dá a quem está vencendo e pela carência de ídolos, de lutadores que possam surgir como um “novo Anderson'', “novo Wand'', “novo Minotauro'' e assim por diante. Mas a realidade do MMA é que derrotas são bem mais comuns do que se gostaria, e o caminho das pedras é árduo e cheio de reviravoltas. Vamos à lista – e queremos ver a sua nos comentários.

Menções honrosas: John Lineker, Diego Brandão, Diego Sanchez, Josh Koscheck, Chris Leben, Tony Ferguson, Ryan Bader…
 

5. Brendan Schaub: Lá nos EUA, não há como comparar o futebol americano com o MMA. Então, ter um ex-jogador, mesmo que de uma liga de acesso à NFL, no plantel do UFC foi algo pra lá de animador. Schaub foi do Utah Blaze, da Arena Football League, mas migrou para o MMA seguindo os passos na luta do pai. No TUF, chegou à final, mas perdeu para Roy Nelson. Depois, embalou com quatro vitórias, sendo três por nocaute, mas foi derrotado por Minotauro numa luta memorável no UFC Rio 1. Depois disso, mistura derrotas e vitórias. São quatro reveses nas últimas seis lutas, e agora ele tentará a sorte como meio-pesado.
 

4. Charles do Bronx: Protagonista da luta coprincipal em Goiânia, Charles tem só 25 anos, mas já está há cinco no UFC. Desde o começo, sua versatilidade e criatividade no jiu-jítsu para finalizar empolgaram os torcedores. Mas, os resultados vieram oscilantes como uma gangorra. No peso leve, ele estreou com vitórias, mas teve uma série de três lutas sem vencer – uma um no contest contra Nik Lentz, rival deste sábado, por um golpe ilegal. Agora, ele luta no peso pena. Apesar de perder para dois nomes fortes, Cub Swanson e Frankie Edgar, Charles está com três vitórias seguidas, é oitavo no ranking e tem tudo para deixar esta nossa lista para trás em breve.

 

3. Uriah Hall: Ninguém se safa de criar enormes expectativas depois de ganhar o apelido de Homem Ambulância, por conta de um nocaute com chute rodado que levou um rival ao hospital O norte-americano Uriah Hall fez isso no TUF 17, e logo se pensou que pintava um rival para o então campeão Anderson Silva nos médios. Mas, Hall sequer venceu o TUF. Ele teve atuação decepcionante na final. Depois, perdeu a luta seguinte, deu a volta por cima com três triunfos, mas no último sábado perdeu para Rafael Sapo. Hall já tem 30 anos.
 
2. Cezar Mutante (e outros campeões do TUF Brasil): A lista de eternas promessas é totalmente influenciada pelo que rola no TUF. E, nas edições brasileiras, os campeões ainda não conseguiram alcançar a fama a que pareciam destinados. Cezar Mutante, por exemplo, teve atuações arrasadoras na época da primeira temporada e ganhou fama como “braço-direito'' de Vitor Belfort. Mas, depois do título, segue vacilante. Os nocautes que tomou de CB Dollaway e Sam Alvey foram brutais, a ponto de agora ele descer para o meio-pesado. Mas não foi só ele. Rony Jason, campeão dos penas do TUF Brasil 1, tem duas derrotas em três lutas. Cara de Sapato perdeu na primeira luta pós-reality. As exceções são Léo Santos (um empate e duas vitórias após o TUF, mas sem empolgar) e Warlley Alves, que segue invicto.
 

1. Erick Silva: Campeão do Jungle Fight, Erick Silva estreou no histórico card do UFC Rio 1. Além de toda a atenção que já se dava por seus resultados, ele ainda surgiu com a benção de Anderson Silva. Sparring do então campeão, Erick tem um jogo bonito, gosta de jogar movimentos plásticos, e naquela primeira luta no Ultimate, nocauteou em 40 segundos. Bastou para virar “promessa''. Mas, apesar de alguns bons triunfos, ele sempre falhou na hora de enfrentar gente grande. Jon Fitch, Dong Hyun Kim e Matt Brown foram rivais do brasileiro em lutas emocionantes, mas que acabaram com derrota. Agora, Erick pega Rick Story para no fim de junho, para ter três vitórias seguidas pela primeira vez no Ultimate. Agora vai?


O novo – e marrento – estilo de Chris Weidman como campeão do UFC
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Jorge Corrêa


Confiança sempre foi uma das principais características do campeão dos médios Chris Weidman, isso mesmo antes de vencer Anderson Silva pela primeira vez. Até hoje ele tem como mantra: “Ele nunca me venceria”. E isso serve para qualquer rival. Mas agora, o norte-americano adicionou uma nova característica a sua personalidade: uma confiança com jeito de marra.

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Se em seus últimos combates ele ainda tenha uma atenção especial com a imprensa e dava de ombros para os “hatters”, ele agora bate de frente com tudo e com todos, com direito a repostas atravessadas, irônicas e uma cobrança aberta no octógono: “Parem de duvidar de mim!˜

Durante a semana que antecedeu o combate contra Vitor Belfort, no último sábado, ele não esteve tão atencioso com a imprensa brasileira que estava para a cobertura do evento. Sempre tinha alguma piadinha ou perguntava se éramos “Time Belfort” e se cansou de dizer que sentiria saudade de nós quando não tivesse mais “brasileiros pelo caminho”.

Ele escolheu repisar em sua história de superação, de que sempre passou por uma adversidade antes de algum momento do gloria. Anos atrás, ele preferia focar no trabalho que fez para chegar onde chegou.

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort

Mas quem mais tirou o campeão dos médios do UFC do sério, o principal alvo desse seu novo discurso, são aqueles que ainda não acreditam nele como dono do título. Ele diz que perde a cabeça com os “haters” de redes sociais, aqueles que o apontam com um cara com sorte depois de ter vencido Anderson Silva duas vezes e depois batido Lyoto Machida. Foi o que fez ele mandar

Essa nova postura de Chris Weidman se deve a dois pontos principais:

(1) deve ser bem complicado você vencer o aquele que é apontado como o maior de todos os tempos duas vezes, ter uma carreira invicta, estar no algo físico e técnico e mesmo assim não levar todos os créditos merecidos por isso. Em algum momento ele iria estourar. E foi o que aconteceu.

(2) esse tipo de comportamento ajuda qualquer lutador dentro do UFC a se vender melhor. Se ele já tem muitos fãs por conta de suas qualidade como lutadores, ele pode atrair novos pela confiança exacerbada. Assim ele vai aparecer mais, terá mais espaço na mídia e ficará mais famoso. O UFC não deve estar nenhum pouco preocupado com isso.


Gordinho fanfarrão? Não, Cormier ameaça Jones com inteligência e superação
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Maurício Dehò

Novo campeão do UFC faz paródia e dancinha bizarra

Daniel Cormier é um grande fã de bolo e de frango. Não é só pela barriga saliente que se nota isso. É que ele estrelou um vídeo cômico veiculado durante o Oscar do MMA, no começo do ano, fazendo uma paródia de uma música e cantando sobre sua carreira e sobre seus gostos alimentares. Mas, não se engane, gordinho ele é mesmo. Fanfarrão, nem tanto. No octógono do UFC 187, ele finalizou Anthony Johnson em uma performance estarrecedora, que mostrou que ele está apto a uma nova chance contra Jon Jones.

O desempenho de Cormier que lhe rendeu o cinturão coroa uma série de fatores que construíram o novo campeão do UFC. Uma trajetória marcada por derrotas e mais derrotas, mas que a cada degrau descido, o norte-americano subiu outros dois na base da superação, do trabalho e de uma inteligência acima do comum no mundo do MMA. Algo que parece até ter lhe permitido apreciar ainda mais sua conquista.

“Ei, caras, falem baixo, por favor'', provocou ele, falando aos jornalistas, quando a entrevista coletiva pós-luta começou. “O campeão está falando.''

A inteligência – e o carisma

Não é à toa que Daniel Cormier foi contratado como um dos comentaristas das transmissões do UFC na FOX. O norte-americano de 36 anos é uma figura carismática, bem articulada, sabe rir de si mesmo – como vemos no vídeo de humor que gravou para a premiação da Fighters Only – e, principalmente, tem uma visão de luta no MMA acima da média.

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E isso se vê no octógono. Cormier, com o passar do tempo, se aperfeiçoou em lutar com inteligência. Poder de nocaute, ele tem. Mas é com o seu wrestling, a luta que foi sua base no esporte e o levou a um quarto lugar nas Olimpíadas de 2004, que ele entendeu que podia desmontar seus rivais.

Foi o que aconteceu com Anthony Johnson. O norte-americano quase conseguiu o nocaute com um golpe que derrubou Cormier por metros. Sem sucesso em acabar a luta, acabou sendo agarrado pelo agora campeão, e aí começou o castigo.

“Ele me socou tão forte. E ele é rápido. Quando eu caí e virei, falei: ‘p… m…, ele tá vindo me pegar’. Então tentei agarrá-lo e ele começou a me socar. Eventualmente, consegui segurá-lo. Não fiquei desacordado, mas foi a primeira vez que tomei um knockdown na vida. Anthony fez um ótimo trabalho no começo, mas quando cansou, vieram as oportunidades para cotoveladas e o mata-leão”, explicou, sobre a luta.

Hoje, Cormier fala abertamente sobre um dos problemas que teve com Jones. Ele deixou suas emoções entrarem no jogo. Em uma próxima oportunidade, caso Jones resolva rapidamente seus problemas com a Justiça dos EUA e volte em uma luta diretamente pelo título, ele já sabe onde mudar para apagar sua primeira atuação – que foi em janeiro – e vencer uma revanche.

“Contra Johnson, eu foquei no wrestling, no que me trouxe até ao show. Eu sou um cara que te leva pro chão, faz você suportar meu peso enquanto tenta levantar, até que algo aparece e foi o que aconteceu. No wrestling, não é só uma luta, você enfrenta os rivais o ano todo. Talvez Jones tenha vencido a primeira, mas temos outras lutas a fazer”, analisou. “Agora, estou mais comprometido com o que faço melhor. E tenho que ter certeza de que não estou afetado emocionalmente. Se eu conseguir manter as emoções de lado, eu tenho uma ótima chance”. E há mais motivos para ele acreditar que chegou para ficar, como vou falar a seguir.

A superação – dentro e fora do octógono

A história de vida de Cormier e como ele superou adversidades dentro e fora do octógono para ser campeão do UFC também são uma mostra de como ele sempre retorna de seus tropeços mais forte. Antes da luta, ele citou diversos problemas: dívidas, um divórcio (antes de sua carreira no MMA), suas derrotas no wrestling e o revés para Jon Jones. E disse que sempre achou um jeito de se reerguer.

O primeiro grande drama da vida foi em casa. Seu pai foi morto a tiros. O atirador foi o pai da segunda mulher dele. Cormier tinha sete anos, e precisou lidar com a situação numa fase frágil da vida. O wrestling ajudou, e ele virou um competidor de alto nível.

11222908_1012353102115677_6190571768856891464_nUma das decepções de Cormier foi com o wrestling, já que ele ficou a uma vitória de medalhar em Atenas, em 2004. Em Pequim-2008, um problema nos rins por conta do corte de peso o tirou de ação, e foi assim que ele trocou a luta olímpica pelo MMA.

Mas demorou a ele poder se dedicar como deveria, muito por causa dos problemas financeiros. Ao seu lado, sua mulher, Salina, e ele precisou até de ajuda dos pais para se manter.

“Eu não tinha nada. Minha mulher está comigo desde quando eu tinha uma luta só no MMA. E tivemos nosso bebê. Eu mal lutava. Minha família não tinha dinheiro, eu também não. A gente não tinha gás, não tinha nada… Então, lembro que liguei para meus pais; eles e meus irmãos tinham 575 dólares e mandaram para nós, até que o próximo cheque de patrocínio chegasse. Ela ficou ali comigo, sempre me suportou, acreditou em mim… Mesmo quando eu não acreditava, ela conseguia ver que eu poderia chegar lá”, disse, emocionado, na coletiva de imprensa.

A sorte de Cormier é que seu nome forte no wrestling o levou diretamente ao Strikeforce. A estreia foi em 2009, e ele subiu rapidamente: foi campeão do GP dos pesados do evento em 2012, batendo Josh Barnett e Antonio Pezão. No UFC, manteve o embalo lutando primeiro no peso pesado e depois indo para o meio-pesado. Perder para Jones abalou o lutador. A volta aos treinos, com a exigência de ter o campeão dos pesados Cain Velásquez ao seu lado, fez com que tivesse forças para manter sua evolução, e não se deixar levar pelo mau momento.

“Sabe, eu não venci as Olimpíadas, não venci meu maior torneio de wrestling. Não ganhei muitas vezes na minha carreira. Mas venci o GP dos pesados do Strikeforce e este cinturão do UFC. Essa é a última grande conquista da minha vida atlética. Se eu olhar para meu currículo, estou satisfeito. Mas não vou a lugar nenhum. Agora tenho que dar uma surra em Ryan Bader e vou defender o cinturão. Tenho 36 anos, não posso esperar Jon Jones”, concluiu.


Como Chris Weidman está acabando com a velha guarda do Brasil no UFC
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Jorge Corrêa

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort

Se perguntarem 1000 vezes para o campeão os médios, ele responderá 1000 vezes que não há nada pessoal com lutadores brasileiros. Mas o estrago que Chris Weidman está fazendo no legado de alguns dos maiores nomes da “velha guarda” brasileira no UFC é algo irreparável.

Leia também: Vitor deixa chance final de título com amnésia de jiu-jítsu e mancha do TRT

O norte-americano está no auge de sua forma física e técnica, como vimos no UFC 187. Mais que isso, parece que a cada luta ele consegue incrementar ainda mais o seu jogo. Ele é um lutador de MMA moderno, com uma formação orgânica em todas as áreas das artes marciais, mas com uma fortíssima base na sua luta de origem, wrestling. Dessa forma, fica cada vez mais difícil de vencê-lo conforme o tempo passa.

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Os lutadores brasileiros foram caindo, um após o outro, vítimas de um rival que eles não conseguiram prever corretamente o que poderia fazer. Anderson Silva, com 38 anos na época, Vitor Belfort, com a mesma idade, e Lyoto Machida , um pouco mais novo, mas muito rodado, sentiram a força de uma juventude que eles não estavam acostumados a enfrentar.

Anderson Silva enfrentou um rival o qual ele não conseguiu entrar na cabeça, o que fez com quase todos os seus adversários. Claro que o ex-campeão também sempre se garantiu na porrada, mas seus jogos mentais sempre foram seu forte. Weidman simplesmente deu de ombros para as provocações do brasileiro e o nocauteou.

Com uma inteligência de luta cima da média, o norte-americano se preparou para todas as armas de Anderson, inclusive as mentais. No segundo combate, ele também levava vantagem e já tinha conseguido um knockdown quando aconteceu o acidente da fratura da perna do brasileiro.

Contra Lyoto Machida, ele usou sua força mental apenas para se concentrar no combate, não precisou travar batalhas não-físicas com o ex-campeão dos meio-pesados. Mas foi contra ele que o campeão se mostrou um atleta completo de MMA. Lutou por 5 rounds em alto nível, não morreu no gás, recebeu duros golpes e soube absorvê-los, derrubou, jogou no chão, trocou em pé. Fez de tudo um pouco e manteve o cinturão.

No último sábado, ele mostrou que sabe conjugar da melhor maneira possível sua força mental e física. Vitor Belfort, com um discurso motivacional parecido com o de Weidman, foi presa fácil. Pareceu uma criança enfrentando um profissional. Mais uma vez o norte-americano até foi golpeado, mas seguiu em frente e viu um rival aterrorizado e sem reação com essa situação.

Apenas agora ele pode ter um pouco de novidade brasileira em seu caminho. Ronaldo Jacaré não é um menino, tem 35 anos, mas é um atleta com uma visão mais fresca do MMA. Esqueceu seu lado campeão mundial de jiu-jítsu para se tornar um lutador completo nos últimos anos. É a última chance do país de retomar o cinturão dos médios das mãos de Chris Weidman.


Vitor deixa chance final de título com amnésia de jiu-jítsu e mancha do TRT
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Maurício Dehò

Poucas semanas antes do UFC 187, Chris Weidman foi condecorado com sua faixa-preta em jiu-jítsu. Apesar de já ser um lutador reconhecido por finalizações, com boas posições lhe rendendo vitórias, pareceu curioso, até engraçado, ele receber sua faixa na mesma época em que pegaria um pupilo de Carlson Gracie, que ganhou a honraria quando o atual campeão dos médios nem pensava em ser lutador de MMA. Mas, foi justamente a arte suave a área mais frustrante no jogo do carioca neste fim de semana, o detalhe que não apenas definiu seu resultado, mas também deu fim ao que certamente foi a última chance de cinturão de sua carreira.

Leia também: Como Chris Weidman está acabando com a velha guarda do Brasil no UFC

Vitor Belfort, aos 38 anos, teve uma performance que acabou sendo muito abaixo do que se esperava dele, mas ainda pode ter mais algum tempo no UFC. É legítimo querer se despedir por cima, aceitar lutas no peso de cima, pegar veteranos, resolver questões antigas… Mas, falar em título já é coisa do passado para ele, que tem que se “contentar” com seu título no GP dos pesados aos 19 anos e o cinturão nos meio-pesados. Lenda, Vitor já era. E vai se manter. Mas sem o feito de ter cinturões de três categorias no escritório de sua casa.

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Um problema na derrota de Vitor é que ele dependia dela para apagar uma sombra, praticamente uma mancha em sua carreira, que foram os “asteriscos” que surgiram em suas últimas vitórias, quando seu físico era beneficiado pelo uso do TRT. Apesar de nocautear brutalmente e enfileirar três rivais com seus chutes, muita gente – inclusive Weidman – não engoliu os resultados obtidos durante a fase de reposição hormonal.

Assim, vencer Weidman sem o TRT era provar que não era a testosterona quem estava falando no octógono. Que, como Belfort diz, o TRT não havia lhe ensinado a chutar. O que se viu no octógono foi primeiro um Vitor com seu instinto clássico. É difícil dizer o quão perto do nocaute ele ficou contra Weidman, logo no começo da luta. Mas ele fez o norte-americano balançar e sangrar e só não ampliou o castigo porque não pegou de jeito o campeão – ou porque faltou potência nos golpes, o que seria fruto, talvez, do bendito TRT…

Mas, voltando ao jiu-jítsu, o que Belfort sofreu no chão contra Weidman é que deixou a derrota melancólica. Apesar de falar de uma lesão no ombro, o modo como foi derrubado e a total falta de ação deram a impressão de que toda a garra que o brasileiro prega fora do octógono se esvaiu quando suas costas tocaram o chão e ele entrou no jogo de Weidman.

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort
O Fenômeno já chegou a ser chamado de Vitor Belfort Gracie, por seu “pai” nas lutas, Carlson Gracie. Treinava com gente do nível de Wallid Ismail, Amaury Bitetti, Zé Mario. E agora tomou uma indireta-direta de Anderson pela internet e levou críticas de lutadores brasileiros e gringos, como a de Jacaré. “A performance do Belfort foi muito abaixo do esperado para um atleta da Carlson Gracie, ele foi derrubado e não fez uma reposição de guarda.”

Realmente, Vitor quase nada fez por ali – totalmente diferente do que aconteceu quando foi derrubado por Jon Jones, e quase finalizou o campeão dos meio-pesados. No chão, Vitor segurou um pouco Weidman na meia-guarda, mas logo acabou permitindo a montada. Levou golpes limpos, tentou, de baixo, responder com socos – dificilmente a melhor opção para alguém com sua técnica – e, tantos foram os murros do campeão e tão notável era a falta de reação de Belfort, que não restou nada ao árbitro Herb Dean a não ser parar a luta. Chamou a atenção também o abatimento do carioca com o resultado, bem maior do que se poderia esperar de alguém que sempre disse estar curtindo toda a jornada e que tem discursos motivacionais tão fortes.

O resultado mais provável do combate deste fim de semana sempre foi a vitória de Weidman, por seus recursos técnicos, inteligência e confiança. Mas esperava-se que isso acontecesse após cinco rounds amarrados, por pontos. O atraso que Belfort tomou e a forma com que isso aconteceu mostram que ele não precisou/precisa só de uma reconstrução física. Uma lenda por seu passado, Vitor Belfort terá se reinventar se quiser ter um futuro, mesmo que breve, no UFC e se despedir por cima, à altura do legado que construiu.


Anderson nega ter provocado Vitor Belfort e diz que torceu por brasileiro
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UOL Esporte

anderson

Anderson Silva explicou neste domingo (24) uma polêmica que surgiu após uma postagem dele no Instagram. Poucos minutos após Vitor Belfort ter sido dominado no chão por Chris Weidman e acabar nocauteado, Anderson publicou na rede social um vídeo treinando jiu-jítsu com Ramon Lemos, com ele estando por baixo.

O ex-campeão dos médios não citou Belfort na postagem, mas muitos internautas especularam que o vídeo fosse uma provocação a Belfort. Na tarde deste domingo, porém, Anderson garantiu não ter feito a postagem de propósito e afirmou que sequer assistiu à disputa de cinturão entre Weidman e Belfort.

“Não to [sic] fazendo mal e nem falando de ninguém, eu posso postar o que eu quiser na minha rede social, pra [sic] falar a verdade eu nem assisto as lutas do UFC exceto quando estou me preparando para lutar ou quando algum irmão de treino vai lutar”, esclareceu Anderson.

“Acho que tem muito equivocado falando besteira, garanto que a maioria que vem aqui criticar nunca foi bem sucedido em nada na vida e se foi não é feliz. Nunca falei nada mas tem uma minoria que acusa, crítica [sic] e que talvez não tenha noção do que é o esporte MMA. Se os entendidos que tão falando um monte de bobagem fizerem uma busca rápida em minhas entrevistas, vão ver que sempre falei que o cinturão era um patrimônio brasileiro e que independe [sic] de com quem estivesse, estando aqui no Brasil eu estaria feliz”, escreveu.

Anderson Silva afirmou ainda que torceu por Belfort, e comentou seu caso após ter sido flagrado em exames antidoping. “Vou repetir, eu não vi a luta e se vocês querem saber se eu estava torcendo para o Vitor é claro que sim, pois ele estava la [sic] representando o Brasil, então por favor parem de falar besteira. Quanto ao meu caso de doping estou aguardando a comissão e meus advogados. Não sou trapaceiro e nunca tive corpo de bombado [sic]”.


Os próximos passos do campeão Weidman. E eles passam por NY
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Jorge Corrêa

Com uma atuação impressionante, Chris Weidman defendeu pela terceira vez o cinturão dos médios no UFC 187, no último sábado, em Las Vegas. Ele completou a trinca de brasileiros com Anderson Silva, Lyoto Machida e agora Vitor Belfort. Agora, ele já pode pensar quais serão seus próximos passos no Ultimate.

Ele ainda não tem um rival claro ou quando vai lutar novamente, mas seu futuro passa por Nova York, junto de um antigo sonho do UFC.
São apenas dois os possíveis adversários de Weidman em uma próxima defesa e cinturão: Luke Rockhold e Ronaldo Jacaré. Cada um em uma situação diferente para que o UFC defina quem será o próximo desafiante pelo cinturão.

Rockhold já fala como rival do campeão. Na verdade, ele falou essa semana inteira dessa forma, mesmo sem nenhum chefe do UFC tendo se pronunciado sobre o assunto. Sua última derrota foi exatamente contra Vitor Belfort em dois anos atrás, em sua estreia no Ultimate. Jacaré ainda não sabe o que perder desde que chegou ao evento e seu último revés para, vejam só, Rockhold, ainda no Strikeforce, em 2011.

O norte-americano tem quatro vitória consecutivas no UFC, enquanto o brasileiro tem cinco. Mas Luke tem atuações mais impressionantes contra rivais gabaritados. O combate mais recente dos dois deixou uma impressão melhor para Rockhold, que estraçalhou Lyoto Machida, enquanto Jacaré teve poucos problemas contra o ex-demitido Chris Camozzi, a quem já tinha derrotado em 2013.

Só que logo após o UFC 187, Dana White disse que provavelmente Ronaldo será o próximo rival de Weidman. O jogo pode ter virado para o brasileiro.

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort

Mas onde entra Nova York?

Assim, como quem não quer nada, Chris Weidman jogou no ar durante a entrevista coletiva que quer fazer uma grande luta no ginásio Madson Squere Garden, em dezembro. Como assim? Até onde sabemos o MMA ainda é proibido no estado norte-americano de Nova York.

O campeão já deve ter recebido uma indicação de que o veto à modalidade deve esta perto de acabar em NY e o UFC poderá finalmente realizar seu grande sonho de colocar um card no palco que ainda é apontado como uma das catedrais do boxe. Claro que Weidman, um orgulhoso nova-iorquino, já se adiantou para pedir uma vaga neste evento.

“Não sei como, quando ouj contra quem. Mas não tem a menor chance de eu ficar de fora desse show no Madson Square Garden”, resumiu.


Belfort ainda não fala em aposentadoria. Mas UFC não estará mais tão perto
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Jorge Corrêa

Depois de quase um ano e meio de espera, Vitor Belfort teve no último sábado seu tão aguardado encontro com Chris Weidman, mas o final foi bem distante do que o que ele esperava. Acabou nocauteado em menos de três minutos e o cinturão dos médios do UFC continuou nas mãos do norte-americano.

Mas aos 38 anos e com quase 19 de carreira, o brasileiro ainda não fala em aposentadoria. No entanto, ele deixa no ar que não devemos mais vê-lo tanto no octógono ou que seu retorno pode não ser tão rápido assim.
“Não está acabado tudo aqui agora. Mas preciso aproveitar a vida um pouco neste momento. Eu tenho família, tenho negócios. Ter uma vida fora do octógono me faz muito bem e é o que me faz continuar aqui, vamos ver o vai acontecer”, resumiu o lutador, muito desapontado com a derrota poucas horas antes.

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Vitor agora vai, antes de passar pela sua cabeça voltar para a academia e treinar para uma próxima luta, tirar um tempo para ficar apenas com sua família e pensar nos negócios que ele faz parte, que não são poucos.

Mas dentro do UFC, suas opções ficaram bem limitadas. Uma disputa de cinturão é algo quase impossível de acontecer novamente. São duas tentativas entre os pesos médio e uma nos meio-pesados em quatro anos. Ninguém na história recente do Ultimate teve tantas oportunidades de ser campeão.

Ele ainda é um astro da franquia no Brasil. Por mais que ainda tenha muitos “hatters”, sua legião de seguidores é enorme. Belfort poderia fazer grandes lutas, combates principais de card brasileiros ou até mesmo co-main event de shows numerados e vendidos em pay-per-view. Mas com certeza o veremos menos do que em 2013, sua última grande temporada, quando lutou três vezes no ano.


A queda e o castigo. Veja como Weidman derrotou Belfort no UFC 187
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Maurício Dehò

Não deu para Vitor Belfort. Apesar de um primeiro round em que começou mais forte e balançou o campeão com uma saraivada de golpes, o brasileiro acabou derrotado pelo campeão Chris Weidman no UFC 187 e perdeu a chance de tomar o cinturão do UFC 187.

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Em vídeo publicado pelo UFC, com as entrevistas pós-luta, ainda no octógono, é possível ver o que definiu a vitória de Chris Weidman. Nas imagens, o campeão consegue a queda que levou a luta para o solo e aparece montado em Belfort, castigando o brasileiro.

Como é comum nas publicações do UFC, o vídeo corta antes do momento em que houve a paralisação do árbitro. Mas, nada além do que Weidman fazia no ground and pound aconteceu.

Com o resultado, Weidman chega a 13 vitórias no MMA. Suas quatro lutas por cinturão tiveram como vítimas brasileiros: Anderson Silva, duas vezes, Lyoto Machida e agora o veterano Vitor.