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Brasileiro do TUF dos EUA relata pressão mental e diz que confinamento aos 34 valeu a pena

Jorge Corrêa

Post com o parceiro Maurício Dehò

Alívio. Foi essa a sensação de Cristiano Marcello ao conversar com o blog na última semana em Las Vegas. “Cara, nem acredito que vou poder falar em português de novo depois de três meses'', desabafou. Ele estava finalmente liberado para deixar a casa do reality show The Ultimate Fighter dos Estados Unidos depois de tanto tempo de confinamento.

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Ele foi um dos 16 participantes da 15ª edição do programa, a primeira com as lutas sendo realizadas ao vivo. Apesar de ter perdido em seu segundo combate no show, ele terá uma nova chance nesta sexta-feira, quando vai enfrentar Sam Sicilia no evento que marcará a final do programa.

Aos 34 anos e com uma bem sucedida carreira como professor de jiu-jítsu, Marcello quis entrar nessa aventura e, apesar de todo o sofrimento que passou ao ficar todo esse tempo apenas treinando e sem contato com o mundo externo, disse que valeu a pena.

Como foi um cara veterano como você enfrentar essa experiência? Eu já passei por toda essa experiência antes, em questão de Pride, com esse deslumbre todo de mídia, de televisão, então com isso eu já estava um pouco mais confortável.

Mas qual foi sua maior dificuldade lá dentro? Acho que o que pega mais aqui no TUF é o jogo mental. Você não tem televisão, você não tem telefone, você não tem internet, você não tem nada. Isso foi mesmo impressionante. Três meses que não falo com ninguém, deixei família, um filho de três meses…

Então você sofreu no programa? Lá dentro da casa não tem favoritismo, mas uma hora que tua mente começa a falhar. É complicado porque você não sabe se o cara ali vai ser seu oponente. Você fica naquela de não ter muito amigo, mas no final acaba cedendo, você cria um vínculo. Uma coisa que aprendi: sou da época em que lutava sem luva, então hoje em dia poder conversar e conviver com a pessoa que eu perdi é uma experiência que vou levar para a vida inteira.

E valeu a pena nessa altura da vida passar por tudo isso? Valeu a pena, sempre vale. Sou um cara que tive uma carreira no jiu-jitsu com muitos títulos, fui para o MMA onde tem 17 lutas e três derrotas. Como técnico fiz vários campeões mundiais. Então sou um cara realizado. Lutei nos maiores eventos do Brasil e agora cheguei ao UFC. Aos 34 anos, posso falar que sou um cara completamente realizado.

Apesar de mais novos, esse lutadores se mostraram muito experientes, não? Aqui é diferente do Brasil, os caras lutam amador sem capacete nem nada, a única diferença são as lutas com rounds de 3min e o cara não ganha nada para lutar. Tem nego aqui com 20 lutas amadoras, o cara que eu perdi aqui tem mais de 100 lutas de muay thai. Eles já chegam aqui muito experientes.

E como foi estar em um programa de televisão? Vou te falar, foi sensacional. A equipe de trabalho da TV foi sensacional, viabilizou tudo que a gente queria. Você colocava na lista e eles traziam, do bom e do melhor. Eles realmente davam a estrutura.

E você pretende lutar por muito mais tempo antes de ser apenas técnico? Muitos professores, nem na academia, tem coragem de treinar com os alunos e eu estou botando a cara com essa galera que é casca-grossa e que todo mundo viu o nível. Eu tive três meses dentro de uma casa, que eu treinei de igual para igual. E enquanto eu puder treinar com esses caras da mesma maneira, ou até melhor, eu vou estar no jogo. Sou um cara que tenho uma academia de sucesso no Brasil, consigo administrar isso lutando e treinando.

Como você vê seu futuro dentro do UFC? Meu foco principal é estar lutando aqui no UFC e mostrando que posso ir bem dentro e fora do octógono, como técnico, e quero que meu time apareça mais, pois tem muita gente boa lá. E essa é a grande oportunidade para isso.