Blog Na Grade do MMA

Arquivo : anderson silva

Há cinco anos, um chute mudou a história do UFC
Comentários Comente

Jorge Corrêa

Nocaute de Anderson sobre Belfort - aqui em arte de André Gorobetz - é um dos mais importantes da história do UFC

Nocaute de Anderson sobre Belfort – aqui em arte de André Gorobetz – é um dos mais importantes da história do UFC

Dava para sentir o ar pesado dentro do ginásio do hotel Mandalay Bay, em Las Vegas, tamanha era a tensão. Depois de uma dezena de lutas que pouco importavam, finalmente dois dos maiores nomes do MMA iriam se encontrar, valendo o cinturão dos pesos médios. Se o histórico dos dois já não fosse o suficiente, Anderson Silva e Vitor Belfort ainda tinham feito uma da encaradas mais tensas do UFC, com direito a máscara e empurrões entre caras que normalmente eram tranquilos nesse momento. No final, foi a introdução perfeita para uma luta – na verdade um golpe – que entraria para os anais das artes marciais mistas.

A torcida norte-americana estava amplamente favorável a Belfort. Seu longo histórico de grandes atuações no esporte aliada a marra que Anderson apresentava até então lhe davam essa vantagem. Mas assim que o árbitro Mario Yamasaki autorizou o início do combate, o clima de tensão do dia anterior entre os lutadores foi passado para os fãs que acompanhavam o encontro em todo o mundo. Entre eles, voltou a imperar o respeito.

Por cerca de 2 minutos eles apenas se estudaram, até que Vitor tomou as primeiras iniciativas, pouco eficientes. Anderson então contra-atacou com um chute alto, foi bloqueado e acabou de costas no chão. Lá, por pouco não foi derrotado. Belfort tentou um único, rápido e potente soco, se cima para baixo. Se acertasse o campeão, seria fatal. Mas Anderson deu a primeira amostra de uma genialidade com uma esquiva no solo que deveria estar nas enciclopédias de lutas.

Com a luta em pé novamente, mais estudo. Os dois muito bem postados e atentos. Foi então que com pouco mais de 3min de combate, Anderson mostrou porque foi apontado como o maior que já passou pelo UFC. Em uma fração de segundo, deu um chute frontal, com a ponta do pé esquerdo, que entrou por baixo na guarda alta e foi de encontro ao queixo de Belfort, que desmontou. No solo, Anderson ainda deu dois fracos golpes de misericórdia, apenas para Yamasaki ver que a luta tinha acabado.

Essa luta, esse golpe, que este blogueiro que vos fala teve a grande oportunidade de ver in loco, mudou a história do MMA e do UFC por três motivos que listo abaixo.

1) Chutes frontais são muito comuns em muitas modalidades de combate, como caratê, muay thai ou taekwondo. No entanto, no MMA, era sempre usado a meia altura, sendo aplicado no peito ou na barriga para se manter a distância do rival. Anderson deu uma nova e eficiente utilidade para ele, uma invenção que apenas os gênios do esporte podem criar. Foi a mesma fração de segundo com que Pelé criava um novo drible. Dali para frente, muitos atletas passaram a usar esse golpe com eficiência, vide o nocaute de Travis Browne sobre Alistair Overeem, anos depois.

2) Anderson Silva já era o Anderson Silva, supercampeão do UFC, com uma longa série invicta e muitas defesas de cinturão. Esportivamente, era impecável, mas ainda não tinha o reconhecimento do grande público. Depois de uma vitória espetacular como essa contra um rival tão tão famoso quanto Belfort, sua carreira foi catapultada a para um nível global, algo que o UFC ainda não tinha visto. O evento tinha ídolos locais ou de nicho. Com o Spider, o MMA passou a figurar ao lado de gente como LeBron James e Cristiano Ronaldo – guardada as devidas proporções, claro.

3) Essa vitória foi o empurrão que o UFC precisava para entrar com força no Brasil. Anderson era o ídolo vitorioso e incontestável que Dana White e seus pares queriam para aportar por aqui sem o risco de perder dinheiro. E foi exatamente o que aconteceu. Em seguida, Spider encabeçou o primeiro e histórico UFC Rio. Dali para frente, a marca apenas se expandiu, fazendo 18 eventos nos 3 anos seguintes, além de um contrato polpudo com a TV Globo. O MMA finalmente estava no mainstream do esporte nacional.


Campeão Luke Rockhold já planeja dar “surra” em Anderson Silva
Comentários Comente

Jorge Corrêa

Dono do cinturão dos médios do UFC desde o final do ano passado, quando passou o carro sobre Chris Weidman, o norte-americano Luke Rockhold quer retomar um sonho antigo: o de enfrentar Anderson Silva. Mais que isso, ele planeja dar uma surra no Spider.

Com a proximidade do retorno do Silva ao UFC depois de cumprir um ano de suspensão pelo caso de doping, Rockhold já pensa em enfrentá-lo, isso – claro – se o brasileiro vencer o inglês Michael Bisping em Londres no próximo dia 27 de fevereiro.

“Agora o Anderson Silva tem uma luta chegando, então temos que ver. Acredito que ele tem que se provar ainda. Seria uma honra dar uma surra nele, sempre quis enfrenta-lo. O Weidman teve essa oportunidade e o venceu duas vezes, se firmando”, disse o campeão em entrevista ao canal americano Fox Sports.

Uma luta entre os dois foi muito falada quatro anos atrás, quando o UFC incorporou o Strikeforce e Rockhold era o campeão dos médios, ao mesmo tempo em que o brasileiro detinha o cinturão da categoria no Ultimate. Mas Luke acabou derrotado por Vitor Belfort, Anderson teve Weidman em seu caminho e esse encontro virou história.

“Acho que agora parece que terei que dar outra surra no Weidman. Eles acham que tem chance comigo, mas melhoro a cada luta. Quero que os caras nem pensem em entrar lá comigo. Eu nem tive meu melhor desempenho contra o Weidman. Farei as pessoas terem medo de mim.”


Acaba a suspensão de Anderson por doping. O que podemos esperar agora?
Comentários Comente

Jorge Corrêa


O processo foi tão longo que nem parece que faz tanto tempo, mas acaba nesta segunda-feira a suspensão de um ano de Anderson Silva por múltiplos casos de doping no ano passado. Se precisasse, poderia estar no octógono do UFC agora, mas sua volta acontecerá apenas no final do mês, no dia 27, contra o inglês Michael Bisping, em Londres.

Mas esse retorno não será tão simples. Pode não ser tão complicado quando seu último, quando teve de superar uma gravíssima fratura na perna. Só que o ex-campeão dos médios terá de mostrar que pode superar a maior crise de sua bem-sucedida carreira, para quem sabe até sonhar como uma nova disputa de cinturão. O que podemos esperar dele agora?

1) A volta dos shows – Depois de um ano parado pela contusão, Anderson não conseguiu ter uma de suas clássicas atuações contra Nick Diaz no ano passado, luta que acabou como no-contest por conta do doping do brasileiro. Contra Michael Bisping, ele poderá mostrar que não esqueceu a técnica que lhe deu fama. O inglês é o adversário perfeito para isso, pois sempre luta para frente e aposta na trocação.

2) Recuperar a moral – É difícil de acreditar, mas faz mais de três anos a última vitória de Anderson Silva no UFC. Foi contra Stephan Bonnar no Rio de Janeiro, em outubro de 2012. É quase surreal pensar nisso se vermos que ele ainda é o maior campeão que o evento já teve em número de defesas consecutivas. Vindo de duas derrotas para Chris Weidman e o NC contra Nick Diaz, ele precisa bater Bisping para mostrar que é o Spider que os fãs de MMA se acostumaram a ver.

3) Retomar o caminho pelo título – Ele já avisou: quer de volta o título que foi seu por sete anos. Óbvio que isso passa por uma vitória em Londres. Mas precisa ser uma vitória maiúscula. O Spider já viu sair do seu caminho dois rivais diretos pelo title shot (Vitor Belfort e Ronaldo Jacaré se enfrentam em maio) e se bater bem em Bisping, pode ter a rota encurtada até uma luta contra o campeão Luke Rockhold.

4) Fim digno de carreira – Com 40 anos, o ex-campeão não tem mais muito tempo como lutador profissional e não seria justo com sua carreira se ele a encerrasse desta maneira: com um obscuro caso de doping e um longo tempo sem vitórias. Ele pode dar dignidade a essa reta final como lutador de MMA começando com uma grande atuação diante do público inglês.

5) A história real sobre o doping – Alguém REALMENTE acreditou na história de ele ter utilizado um remédio para desempenho sexual, vindo da Tailândia e dado por um conhecido de treino? A explicação é tão ruim quanto a defesa que seus advogados diante da Comissão Atlética de Nevada em agosto. Espero que um dia Anderson ainda venha a público com uma história mais factível.


Belfort x Jacaré facilita caminho de Anderson rumo ao cinturão do UFC
Comentários Comente

Jorge Corrêa


Não foi pouco surpreendente o anúncio de Giovanni Decker, chefão do UFC no Brasil, na noite da última terça-feira. Vitor Belfort e Ronaldo Jacaré farão a luta principal de um evento por aqui, em 14 de maio, em local ainda a ser definido. Mas mais que uma grande luta, esse encontro mexe com o xadrez da disputa de cinturão dos pesos médios.

Uma das pessoas que pode comemorar esse combate é o ex-campeão Anderson Silva. Com luta marcada contra o inglês Michael Bisping para o dia 27 de fevereiro, o brasileiro deve ter o caminho até o title shot encurtado com essa luta anunciada, pois ele vê sair do caminho dois dos três nomes que podem ser adversários do campeão Luke Rockhold.

Vitor Belfort era um dos preferidos de Rockhold para sua primeira defesa de cinturão. Ele tem apenas uma derrota no UFC, justo em sua estreia e exatamente para o brasileiro. Luke ainda não engoliu essa derrota e acusa Vitor de doping. Pediu a cabeça do veterano “em uma bandeja de prata”. Mas não será dessa vez que a terá.

Jacaré estava bem na fila até ser derrotado de maneira polêmica para Yoel Romero. Depois, o cubano ainda caiu no exame antidoping e deve ser suspenso pelo Ultimate. Com isso, perdeu seu lugar na categoria e o brasileiro poderia ocupar esse lugar. Uma vitória de Ronaldo sobre Belfort o deixaria novamente em situação muito confortável.

O maior risco para Anderson Silva chama-se Chris Weidman. O norte-americano levou uma sonora surra de Rockhold em dezembro, quando perdeu o cinturão que tinha tomando exatamente do Spider, então deveria ser jogado para o fim da fila. Mas o mesmo aconteceu com Cain Velasquez, que terá a revanche contra Fabrício Werdum, mesmo depois do atraso que levou do brasileiro no ano passado.

O UFC então fica entre a cruz e a espada. Dentro do panorama de quem vem lutando há mais tempo e defendeu o título algumas vezes, Weidman mereceria essa revanche. Agora, se Dana White e seus pares pensarem na luta que vai vender mais e render mais dinheiro para eles, Anderson Silva ganharia essa disputa de goleada.

Ah. Claro que, para isso, o Spider precisa vencer Bisping em Londres. O inglês corre por fora nessa disputa. Precisa vencer BEM o ex-campeão se quiser a chance de disputar o cinturão. Mas Anderson já avisou que está motivado a conquistar o título que foi seu por mais de seis anos. E isso deve pensar no empenho em seu próximo combate.


Retornos, revanches e superlutas: 11 lutas para aguardar em 2016
Comentários Comente

Maurício Dehò

2015 foi um ano doido (e bom) para o UFC, como falamos num post no último dia de 2015. Mas, o que esperar, em termos de luta, do ano que começou agora – e que já teve disputa de cinturão nos meio-médios? Pelo menos no plano das ideias, 2016 é um ano de MUITOS combates para se aguardar com expectativas altas.

E não só por bons casamentos de lutas, mas por várias delas nascerem com bons históricos, sendo boa parte delas revanche, e pelas chances de algumas superlutas – a principal delas envolvendo o maior nome da organização no momento, Conor McGregor.

Antes de ir às lutas, é bom salientar que muito diferente de 2015, em que o UFC soltou todas as datas de seus eventos antecipadamente, 2016 tem poucos eventos confirmados, a maioria deles até março e os outros são o UFC 200, em julho, e o UFC 198, que está planejado para Nova York – mas o estado bane o MMA, segundo suas atuais leis.

Revanches

Holly Holm x Ronda Rousey: depois de surpreender a então campeã e lhe tomar o cinturão, a ex-boxeadora Holm deve dar uma segunda chance a Ronda no UFC 200, em julho. O duelo ainda não está confirmado. Ronda tomou uma surra forte, precisa se recuperar e ainda deve filmar duas produções de cinema antes de retornar.


Werdum x Velásquez 2: Os pesos pesados se reencontram em fevereiro, no dia 6, em Las Vegas. Werdum conquistou unificou o cinturão vencendo de forma muito segura o rival, no México. Mas, falou-se muito da altitude elevada, que teria atrapalhado Velásquez. O gaúcho quer provar que não é campeão por acaso.

Joanna Jedrzejczyk X Claudia Gadelha 2: No peso palha também tem revanche. Joanna, a campeã, venceu Claudia quando ainda não tinha o cinturão. A luta foi parelha, a decisão acabou por pontos, e até hoje fica a dúvida de quem foi melhor naquela noite. A luta ainda não tem data, mas é dada como certa pelo Ultimate, apesar de uma lesão na mão ter afastado a polonesa dos treinos.

Luke Rockhold x Vitor Belfort 2: Novo campeão dos médios, Rockhold está doido para vingar a derrota que sofreu para Belfort em 2013. Ambos querem a luta, o UFC ainda precisa confirmar, mas parece realmente ser a grande opção do momento.

Retornos

Anderson Silva x Michael Bisping: já completando seu ano de suspensão por falhar em vários testes antidoping, o brasileiro retorna em Londres, contra o dono da casa Michael Bisping. A luta está marcada para 27 de fevereiro, e Anderson já afirmou que sua meta é voltar a ter o cinturão dos médios.

TJ Dillashaw x Dominick Cruz: Cruz vive lesionado… Os problemas no joelho atrapalharam sua carreira, custaram-lhe um cinturão, retirado por conta da inatividade, e agora enfim ele tem a chance de recuperar o lugar no trono dos galos. Dillashaw, que venceu Renan Barão duas vezes, tentará sua terceira defesa de cinturão. O combate é em 17 de janeiro.

Revanche + retorno

Daniel Cormier x Jon Jones: Depois de ter o cinturão retirado por conta de seus problemas com a lei, Jon Jones retorna para o novo campeão, Daniel Cormier. E, na verdade, é um reencontro, já que, quando era o melhor meio-pesado do UFC, Jones derrotou Cormier por pontos. Abril é o mês que vem sendo cogitado para o combate – neste mês o UFC promete realizar uma noitada em Nova York.

Superlutas

Conor McGregor x Rafael dos Anjos: O falastrão irlandês não quer mais descer de peso para os penas, por ser grande para a categoria, e pretende ir em busca do título dos leves. O UFC já apontou que é algo viável. O campeão da divisão de cima, Rafael dos Anjos, já aceitou. Mas, ainda é preciso que essa superluta – que seria bombástica – seja confirmada.

Demetrious Johnson x TJ ou Cruz: Sem rivais no peso mosca, Demetrious Johnson é o campeão com maiores defesas de cinturão no momento, com sete. Uma ótima opção, que ele já afirmou apreciar, é fazer uma superluta com o campeão dos galos.

Jon Jones x Werdum ou Velásquez: O ex-campeão dos meio-pesados, um cara grande para a categoria, sempre falou da vontade de se testar nos pesados. Werdum já se disse aberto a isso. Caso vença Cormier, quem sabe o UFC não se anime, não é?

Holly Holm x Cris Cyborg: Se Ronda não aceita subir de peso para enfrentar Cris Cyborg, sua algoz, Holm, já disse que encara a brasileira do jeito que quiserem. Seria algo grandioso para depois do UFC 200, se Holm vencer Ronda pela segunda vez.


As vantagens e desvantagens de Anderson retornar ao UFC em Londres
Comentários Comente

UOL Esporte

Você estava esperando ver Anderson Silva voltar ao UFC com uma megaluta no Brasil? Talvez num estádio, ou no UFC Rio, marcado para março? Ou algo mais tradicional, em Las Vegas, mesmo? Pode ter se surpreendido, então, com o anúncio de que a volta do Spider será em Londres.

Lutar na casa do rival, o inglês Michael Bisping, parece surgir como um obstáculo grande para o ex-campeão neste retorno de suspensão por doping. Mas nem tudo surge como problema na decisão do UFC de levar o confronto à O2 Arena, famoso ginásio que pode receber cerca de 20 mil pessoas.

O primeiro “pró” da escolha do local é para o próprio UFC. Este será o maior evento da organização em Londres. E é algo muito necessário, já que o MMA nunca explodiu nas terras da Rainha. Conor McGregor já brilha na vizinha Irlanda, mas Bisping, sozinho, não conseguiu virar uma estrela absoluta entre os ingleses. Receber Anderson no seu quintal, e vindo de duas vitórias seguidas, faz do combate grandioso para Bisping, que já tem 36 anos.

E o principal aqui é que, para Anderson, é possível ver vantagem em estar longe de seus palcos tradicionais. Há um desvio de foco importante e uma pressão menor da torcida. É claro que ele vai ouvir muita provocação e brincadeiras dos ingleses, mas isso ficará na parte da rivalidade – no apoio dos torcedores a Bisping e não necessariamente num ataque à sua figura.

Caso lutasse nos Estados Unidos e, principalmente, no Brasil, Anderson não teria moleza. Você consegue imaginar, em um combate por aqui, o veterano evitando as questões e piadas sobre o doping? Quase impossível. Imprensa e torcida cairiam matando, e ele teria mais um fator extrarringue para lidar.

O fator “casa”, sendo visitante desta vez, é a pequena desvantagem, mas não é algo necessariamente para Anderson se preocupar, até porque ele está acostumado a lutar em qualquer lugar.

Bom, Londres não era a opção na cabeça da maioria das pessoas – até porque este card inglês já tinha Michael Bisping contra Gegard Mousasi como luta principal anunciada -, mas será uma experiência interessante de se ver, em mais um capítulo da expansão (na marra) do UFC pela Europa.

Independentemente do local, o mais importante é que um duelo Anderson x Bisping era esperado há anos, e realmente deve ser empolgante no octógono, principalmente para responder se Anderson ainda tem fôlego para chegar ao cinturão ou se Bisping enfim pode vencer alguém de renome e deixar de ser um figurante no Ultimate.


Por que o MMA é um esporte implacável e derruba tantos ícones?
Comentários Comente

Maurício Dehò

Análise: Derrota não foi golpe de sorte, mas Aldo merece revanche

Em um mês, vimos dois ícones do MMA no chão, desacordados. Ronda Rousey e José Aldo, então dominantes com seus cinturões do UFC, perderam a majestade. Ela tomou uma surra, que se estendeu por seis minutos. Ele levou um único soco, no queixo, e viu o reinado ruir em 13 segundos. Em comum, a dupla mostra uma realidade dura da modalidade: o quão implacável é o MMA, que teima em não deixar que seus ídolos sejam eternos.

Uma certeza na cabeça de todos os lutadores é a de que, em certo momento, todos vão perder. Aconteceu com Fedor Emelianenko, Anderson Silva, Georges St-Pierre… Royce Gracie. Mesmo na hora de se aposentar, é difícil lembrar de casos em que, após uma longa carreira de conquistas, o adeus seja em alta. Randy Couture, BJ Penn, Minotauro…

Mas o detalhe é o quão destruidoras são as derrotas quando um astro está no auge. Parece que lutadores de MMA nunca perdem. São arrasados, atropelados e, no fim, até humilhados.

Um conjunto de fatores ajuda a desvendar a tal implacabilidade [sim, a palavra existe] do MMA e explicar como os tropeços nos cages e ringues são, boa parte das vezes, mais sentidos do que em outros esportes.

A primeira é o fato de ser um esporte individual. Como no tênis, natação, atletismo e tantos outros, quando um atleta só depende de si, as responsabilidades são maiores, a pressão sobre os ombros pesa e não há com quem dividir as desculpas por um fracasso.

É claro que mesmo nos esportes coletivos há lances individuais, um pênalti, uma cesta decisiva… Mas, no caso do MMA, um golpe, apenas, pode transformar um azarão em um vencedor. Mais que uma noite ruim, uma lesão ou qualquer outro impedimento, um atleta em 100% de condições, favorito, pode simplesmente ser surpreendido por um soco, que seja.

Certamente dá para comparar tudo isso com o boxe, por exemplo. Mas, na nobre arte, são tantas entidades com igual importância e tantos cinturões em disputa, que nem sempre os campeões enfrentaram seus melhores rivais. O boxe tem um histórico de lendas que se foram invictas, com a imagem límpida: Rocky Marciano, Floyd Mayweather – apesar de algumas vitórias polêmicas -, Joe Calzaghe…

O MMA é a mistura de artes marciais, como o nome diz, e traz especialistas em diferentes áreas. Um ás do jiu-jítsu facilmente encontrará alguém melhor em pé. Um senhor da trocação pode ser amarrado na grade e no chão e acabar “desarmado”, sem ação. O campo de possibilidades é amplo, e exige superlutadores, que nem sempre poderão ter destreza em tudo.

Bote na equação, também, quantas chances um lutador tem para se recuperar de uma derrota. Novak Djokovic, número 1 do tênis, teve 88 partidas só em 2015. Perdeu seis, mas ninguém questionou o fato de ele ser o melhor do momento. No MMA, é difícil lutar mais de três vezes por ano. Encerrar a carreira com mais de 40 lutas é algo que só uma minoria alcança. Enquanto no futebol um jogador pode perder um pênalti no fim de semana, mas marcar o gol da vitória na quarta-feira, um tropeço no UFC rende meses e meses engasgado na garganta de quem caiu.

Pois é, o MMA ainda mexe com o brio. Perder, todos perdem. Mas só nas modalidades de luta você o faz com a cara no chão, retomando a consciência sem saber o que lhe acertou – e ainda pode ter um microfone colocado na sua cara para explicar o que aconteceu, instantes depois de ser nocauteado.

Do céu ao inferno, dez anos de invencibilidade podem ser derrubados em 13 segundos. José Aldo que o diga.

Quem ainda tenta brigar com essa realidade é Jon Jones. Até hoje, ele só perdeu para si, dentro e fora do octógono. Dentro, tem como único revés uma desqualificação, por desferir um golpe ilegal. Fora, teve retirado o cinturão por problemas com a Justiça. Na prática, segue invicto, ninguém o derrotou. Mas, se Jones nunca perder, será apenas a exceção que confirma a regra.

Esportes, é claro, são imprevisíveis. Nisso está a graça de todos eles. Mas que no MMA as surpresas na “caixinha” saltam mais do que em outras modalidades, acho que não há como negar… Qual será a próxima?


Vitor foge de falar sobre revanche com Anderson e pede luta com falastrão
Comentários Comente

Jorge Corrêa e Maurício Dehò

A vitória de Vitor Belfort sobre Dan Henderson deixou os fãs do UFC ouriçados quanto a uma possibilidade bem plausível: uma revanche contra Anderson Silva. Mas, questionado na coletiva de imprensa, o carioca fugiu do assunto. Questionado duas vezes, não mencionou o compatriota e ainda elegeu outro lutador como o que quer enfrentar.

Para Vitor, a vontade do momento é calar Luke Rockhold. Mais uma vez. Eles se enfrentaram em 2013, quando o brasileiro venceu com um belo chute rodado. Agora, Rockhold tem luta marcada com Chris Weidman, em dezembro, pelo cinturão dos médios. Vitor Belfort esta de olho no combate.

“O Rockhold está falando muito, está falando demais. Falação da pesada, falta de respeito. É um garotão muito bom, mas estou de olho nele”, afirmou Belfort.

A resposta veio de Rockhold em seu twitter. “Assim como estou (de olho) nele”, respondeu o americano.

Sobre Anderson, nada.

Restou a Giovani Decker, diretor geral do UFC no Brasil, falar sobre o assunto. Pisando em ovos, ele transpareceu gostar da ideia.

“Lutas entre brasileiros sempre é difícil para mim, mas acho que é uma luta interessante, eles têm rivalidade. Vamos ver o que o Vitor e o Anderson pensam disso. Tem várias discussões acontecendo, então vamos ver o que rola”, disse o dirigente.

Anderson Silva está suspenso por doping, mas poderá retornar no começo de 2016. Ele já tem pedido publicamente para lutar em abril, no Brasil, mas não tem rival para isso. O Spider chegou a dizer que gostaria de fazer uma nova luta contra Nick Diaz.

Card principal:
Médio: Vitor Belfort nocauteou Dan Henderson, no 1º round
Meio-pesado: Glover Teixeira nocauteou Patrick Cummins, no 2º round
Galos: Thomas Almeida nocauteou Anthony Birchak, no 1º round
Leves: Alex Cowboy nocauteou Piotr Hallmann, no 3º round
Leves: Rashid Magomedov venceu Gilbert Durinho, por pontos
Meio-pesados: Corey Anderson venceu Fabio Maldonado, por pontos

Card preliminar
Leves:
Gleison Tibau finalizou Abel Trujillo, no 1 º round
Leves: Johnny Case venceu Yan Cabral, por pontos
Penas: Thiago Tavares finalizou Clay Guida, a 39s do 1º round
Penas: Chas Skelly finalizou Kevin Souza, no 2º round
Meio-médios: Viscardi Andrade venceu Gasan Umalatov, por pontos
Galos: Jimmie Rivera venceu Pedro Munoz, por pontos (decisão dividida)
Galos: Matheus Nicolau finalizou Bruno Korea, no 3º round


Vitor Belfort empata e supera recordes de Anderson Silva no UFC
Comentários Comente

Jorge Corrêa e Maurício Dehò

Não poderia ter sido de melhor maneira a recuperação de Vitor Belfort depois de ter perdido a disputa de cinturão dos médios contra Chris Weidman em maio . Depois de dois minutos de estudo, não deu chance para Dan Henderson e o nocauteou mais uma vez com um chute. E ele tem mais o que comemorar no UFC São Paulo deste sábado.

Com essa grande vitória sobre o veterano norte-americano, o brasileiro empatou e superou recordes de seu algoz Anderson Silva no UFC.

Com 19 anos de carreira, ele agora o maior número de nocautes na história do UFC. Foi seu 12º, um a mais que o Spider neste momento.

Além disso, essa foi sua 14ª luta no maior evento de MMA do mundo que ele venceu e não acabou por pontos, foi nocaute ou finalização, o mesmo número de Anderson Silva.

Apesar dos números, Belfort não se vangloriou: “O legado é algo que você deixa para a próxima geração, não para si. Eu busco, quando luto, não pensar em recorde, eu só luto porque gosto. Minha inspiração é além disso, é algo pessoal, estou agradecido por ter minhas qualidades, evoluir e tentar ser melhor a cada dia.”


Rich Franklin finalmente anuncia sua aposentadoria
Comentários Comente

Jorge Corrêa


Sem lutar desde novembro de 2012, o ex-campeão dos médios do UFC Rich Franklin finalmente oficializou sua aposentadoria do MMA. Nos últimos anos, ele ainda vinha vislumbrando um possível retorno ao octógono, ao mesmo tempo em que assumiu o cargo de vice-presidente do evento asiático ONE FC, mas a idade e as lesões não permitiram que isso acontecesse.

O norte-americano foi dono do cinturão do Ultimate até cruzar com Anderson Silva. O brasileiro arrasou com ele em outubro de 2006, quando se tornou campeão dos médios. Depois, se reencontraram em uma revanche realizada um ano depois e o Spider deu mais um show para cima do ex-campeão, novamente com uma chuva de joelhadas.

Rich Franklin foi um dos principais lutadores do Ultimate na época em que o evento estava se reconstruindo pelas mãos de Dana White e os irmãos Fertitta. Seu carisma vinha principalmente da sua entrega no octógono, onde fez batalhas épicas com Dan Henderson, Wanderlei Silva e Forrest Griffin.