Blog Na Grade do MMA

Arquivo : anderson silva

Até breve. Por que Anderson Silva deve sumir e qual é seu futuro no UFC
Comentários Comente

Jorge Corrêa e Maurício Dehò

Anderson Silva, sempre que aparece, figura em uma manchete, mesmo sem planejar. Seja por um nocaute incrível, por uma aparição surpreendente na televisão, por uma provocação pesada a um adversário, um recorde no UFC, uma fratura assustadora… E agora por um motivo que poucos fãs do MMA poderiam imaginar. O ex-campeão se viu envolto em um dos mais surreais casos de doping da história do esporte, concluído com uma audiência vexatória na última semana.

Agora, ele inicia uma nova etapa de uma carreira tão vitoriosa, mas terá de superar uma mancha indelével. Anderson poderá até buscar um caminho para minimizar os múltiplos flagrantes em exames antidoping no começo deste ano, seguido por um julgamento em que saiu como mentiroso para os comissários e pegou pena máxima – a mesma que pegaria se não tivesse tentado se defender.

Um ponto é pacífico: ele vai voltar. Se anos atrás ele flertou com a aposentadoria, principalmente depois de ser nocauteado por Chris Weidman ou ao fraturar a perna no final de 2013, agora ele vem mostrando nas entrelinhas que pretende voltar. Está treinando forte e não vai querer deixar como última imagem, depois de tantas vitórias, um caso de doping. Por mais que pareça que ele pouco está se importando com sua reputação neste momento, um retorno soa necessário.

Mas esse não é o momento de Anderson Silva alardear isso. Em uma conversa com uma pessoa que já foi muito próxima a ele, chegamos à conclusão que agora o Spider precisa sumir. De preferência, até que sua suspensão por um ano seja terminada ou sua próxima luta seja marcada. Não é o momento de dar entrevistas, de aparecer na televisão, de postar mensagens positivas, colocar fotos da família em redes sociais, pedir por adversários. Nada.

Qualquer coisa que ele faça neste momento fará com que as pessoas lembrem o que ele passou tão recentemente. Em qualquer entrevista que dê, será perguntado sobre seu mal explicado doping. Se falar ao lado de sua família, de sua esposa, vão rememorar a desculpa que ele deu para terem encontrado anabolizantes em seu sistema: um remédio para aumento de performance sexual dado por um amigo distante e que estava contaminado. Tudo sempre voltará à tona.

Se ele quiser reencontrar os fãs, o público, de maneira um pouco mais digna, precisa saber tirar o time de campo, deixar a poeira baixar neste momento.

De volta ao UFC

Como disse acima, Anderson vai, sim, voltar ao octógono mais famoso do mundo. Mesmo no comunicado oficial em que apoia e aceita a punição dada pela Comissão Atlética de Nevada, o Ultimate avisa que já conta com o retorno do ex-campeão. “O UFC reconhece a grande carreira de Silva e aguarda pelo seu retorno ao octógono em 2016″, disse o texto.

  • 48235
  • true
  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/08/14/a-suspensao-por-um-ano-de-anderson-silva-foi-justa.js

E seu futuro passa diretamente pelo UFC dentro do Brasil. O Spider ganhou um apoio que pode ser considerado até surpreendente no último mês. Mesmo sem qualquer obrigação contratual ou de amizade, Giovani Decker, novo chefe do Ultimate em terras brasileiras, se aproximou do lutador, esteve junto com ele na semana do UFC Rio e até mesmo acompanhou a audiência em Las Vegas na última semana. Anderson deve ser peça-chave para os próximos passos do evento por aqui.

“Agora tem de dar tempo ao tempo. Muita gente que o critica agora vai querer vê-lo lutar depois. Quis apenas garantir que o Anderson tivesse um cuidado, um carinho maior. Ele é o principal nome do UFC e, apesar de o UFC ser neutro em relação às decisões da comissão – nós não podemos nem estar ao seu lado na defesa -, quis que tivesse esse cuidado, como na divulgação deste comunicado”, contou ao Na Grade o dirigente, que vai aguardar alguns meses para definir os próximos passos nessa reconstrução do ex-campeão.

E essa aproximação faz muito sentido dentro de uma futura recuperação de Anderson Silva. Isso porque, até agora, tudo que foi feito pela equipe e pelos atuais assessores e pessoas próximas ao ex-campeão, saiu errado. Talvez o melhor caminho para ele seja o de deixar nas mãos do próprio UFC o gerenciamento dessa crise que neste momento parece “ingerenciável”.

PS: Enquanto não luta, Anderson aproveita para ensinar ao filho um pouco do que sabe:

• End of the little work I did with @spiderandersonsilva • #MTC

A video posted by Twitter: @officialkalyl (@kalylsilva) on


UFC tira Anderson Silva do ranking após suspensão por doping
Comentários Comente

Maurício Dehò

O UFC atualizou, extraordinariamente, seu ranking. A lista mais recente havia sido divulgada na segunda-feira – logo depois do evento em que Glover Teixeira bateu Ovince St-Preux. Mas, a confirmação da suspensão de Anderson Silva por doping acabou ocasionando mais uma modificação.

A regra é simples: se um lutador está impedido de lutar, por problemas disciplinares, suspensões por motivos como doping ou está afastado por muito tempo por graves lesões, ele é tirado da lista. Com Anderson também foi assim. Ele está suspenso por um ano, e só pode voltar a partir de fevereiro de 2016 – desde que passe em novos testes antidoping

O brasileiro ainda tinha uma vaga na lista peso por peso do Ultimate, com a 12ª colocação – havia perdido um posto para Anthony Pettis -, mas agora não aparece mais. Com isso, a campeã peso palha feminino, Joanna Jedrzejczyk, surge pela primeira vez entre os melhores entre todas as categorias, em 15º lugar.

No médio, Anderson ocupava a sexta posição. Quem apareceu no 15º posto devido à ausência do ex-campeão foi Tim Boetsch.

Apesar da ausência de Anderson, o UFC já havia se pronunciado sobre a suspensão. Disse respeitar a decisão da Comissão Atlética de Nevada, mas fez elogios à carreira do Spider e deixou claro que aguarda seu retorno ao octógono.

A próxima atualização do ranking acontece dia 24, após a realização do UFC no Canadá com Max Holloway x Charles do Bronx, no próximo sábado.

Untitled-1


Contradições e arrogância. Anderson passou vergonha e pegou pena máxima
Comentários Comente

Jorge Corrêa

Foram duas horas desde o início da reunião mensal da Comissão Atlética de Nevada até o caso de Anderson Silva ser chamado. Depois, mais 2h20 de perguntas pesadas, respostas incompletas, explicações absurdas de advogados, acusações de promotores, testemunhos controversos, traduções confusas. Com certeza o ex-campeão dos médios preferia não ter saído de casa depois de tudo isso.

Como bem resumiram nas redes sociais, era melhor que Anderson não tivesse ido até Las Vegas para participar do show de horrores – ou de comédia em muitos momentos – que culminou com a pena de um ano de suspensão, mais de R$ 1,5 milhão de multa e sua vitória contra Nick Diaz se transformando em No Contest. Era a pena máxima possível. Se ele não tivesse aparecido para se defender das acusações de doping, o resultado teria sido o mesmo.

O brasileiro apostou alto em uma defesa muito arriscada: decidiu culpar o uso de um suplemento para a melhora de desempenho sexual pelos múltiplos flagrantes em exames antidoping pelo uso de anabolizantes – ele assumiu apenas o uso intencional de ansiolíticos no dia anterior à luta. Mas foram os comissários começarem a apertar que toda a argumentação começou a ruir.

– Como Anderson aceitou tomar um remédio desconhecido, vindo da Tailândia, de um amigo que ele tinha visto poucas vezes e conhecia há pouco mais de um ano?

– Silva primeiro disse que a última vez que tinha tomado o medicamento tinha sido dia 8 de janeiro, um dia antes do primeiro flagrante. Depois, mudou de ideia e falou que tomou de novo logo antes de viajar para Las Vegas para a luta.

– Em duas oportunidades, Anderson simplesmente não conseguia soletrar, em português, o nome do suposto amigos Marcos Fernandes, de quem até então ninguém tinha ouvido falar

– Ele não lembrava quando tinha começado ou quando tinha feito seu camp para sua última luta.

– Em arroubos de arrogância sobre a situação, disse que não revelou o uso do medicamento por ser algo pessoal, não queria que os outros soubessem que ele usava algo para melhorar o desempenho sexual.

– Apresentou um perito para ser sua testemunha, um especialista em exames antidoping, mas ele não tinha as devidas credenciais para explicar a situação sem um questionamento vexatório dos comissários.

– Seu advogado falou que um exame independente tinha encontrado a contaminação por anabolizantes no remédio para desempenho sexual. Quando foram pedidos os resultados, ele simplesmente esqueceu de levá-los.

– Diretor da Comissão Atlética de Nevada, Bob Bennett resumiu, ao SporTV: “O testemunho foi inconsistente, inapropriado e teve diversos nomes e datas dados com incerteza”

Todo esse cenário fez com que a comissão visse uma enorme mentira em tudo que Anderson Silva tinha falado ou passado por meio de sua defesa. Disseram que viram contradições e inconsistências. Algo faltava na história. Sentiram que ele tomou algo após sua grave lesão e não teve coragem de falar. Só faltaram chamá-lo de mentiroso, com todas as letras.

  • 48235
  • true
  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/08/14/a-suspensao-por-um-ano-de-anderson-silva-foi-justa.js

Dessa forma, o maior campeão da história do UFC saiu no lucro, pois foi considerado réu primário e assim pegou a pena máxima dentro dessa situação – se fossem pelas leis novas da comissão, seriam no mínimo dois anos de gancho.

Agora, ele terá tempo o suficiente para repensar sua carreira e, principalmente, as pessoas que o cercam, porque o que vimos nos últimos meses, desde que foi revelado o caso de doping, foi um astro do esporte absurdamente mal assessorado. Foi como se essa audiência fosse o encerramento de um longo e doloroso episódio de Os Trapalhões.

PS: Para completar tudo isso, o post mais recente do Instagram de Anderson Silva mostra que ele parece não ter levado muito a sério sua estada em Las Vegas – ou, pelo menos, não se doeu muito da pena imposta pela Comissão de Nevada. Ele publicou uma foto referente ao grupo de dança Jabbawockeez – que faz apresentações em Vegas – e agradeceu: “Obrigado, mais uma vez, pelo ótimo show”.

Untitled


Entenda como Anderson Silva quer sair ileso da acusação de doping
Comentários Comente

Maurício Dehò

Anderson Silva não quer que o caso de doping que se envolveu no começo do ano, em sua luta com Nick Diaz, atrapalhe ainda mais sua carreira. O ex-campeão do UFC fará nesta quinta-feira, diante da Comissão Atlética de Nevada, uma estratégia na linha “a melhor defesa é o ataque”, para sair da audiência quase que totalmente inocentado e pronto para voltar ao octógono.

O senso comum nesse tipo de caso dizia que o lutador poderia, por exemplo, admitir o uso de substâncias ilícitas e tentar tomar uma suspensão mais branda, mas não é isso que a defesa liderada pelo advogado norte-americano Michael Alonso tentará. O curioso é que a alegação do uso de um remédio à la viagra virou a novidade “bombástica” que o lutador levará à comissão.

O documento enviado pela defesa à Comissão Atlética de Nevada – dado em primeira mão pelo Combate e divulgado por completo pelo MMA Fighting – apresenta um pedido de liberação de Anderson das acusações, integralmente. Pede que “Silva não seja multado financeiramente”, que a “comissão não cometa ações contra a licença de Silva para lutar” e até que “Silva não seja requerido a pagar os custos dos procedimentos, inclusive custos de investigação, laboratórios e de advogados”.

Em três pontos principais, entenda como Anderson e sua equipe pretendem conseguir isso:

1. Contaminação por estimulante sexual
Esqueça a hipótese de Anderson admitir ter usado alguma substância para curar a perna fraturada – o que passou pela cabeça de sua defesa. A equipe do lutador alega que houve contaminações que acabaram gerando o positivo para os esteroides encontrados em seu organismo: drostanolona e androsterona.

Nick Diaz será julgado, também nesta quinta-feira, já que foi pego com maconha no combate. Mais uma vez…

Quanto ao primeiro: “Silva estava administrando ou usando um suplemento com o propósito de melhora na performance sexual, e o teste deste suplemento mostrou que ele estava contaminado com drostanolona. O suplemento contaminado é a causa da presença de drostanolona na urina de Anderson”, diz o documento. A defesa deverá apresentar exames que comprovem que este estimulante realmente resulta em um positivo para o esteroide em antidopings.

2. Segunda contaminação
Além do “viagra” citado, Anderson alega que outro (ou outros) suplemento (s) também foram contaminados, o que também deverá ser apresentado pela defesa detalhadamente frente à comissão.

Isso justificaria o positivo para a outra substância encontrada nos exames pré e do dia da luta, a androsterona.

3. Exames em xeque
A defesa de Anderson alega que a acusação contra o lutador “não inclui todos os fatos relevantes”, citando especificamente o resultado de um exame feito por um laboratório diferente do que flagrou o uso de esteroides, que voltou limpo. Este teste não havia sido anexado ao caso.

Para entender: antes de subir ao octógono para enfrentar Nick Diaz Anderson fez um exame antidoping pelo laboratório de Salt Lake City. O resultado foi positivo. O que não se sabia era de um segundo exame, feito com uma amostra de urina colhida apenas dois minutos ANTES do teste que deu positivo. Neste antidoping, feito pelo laboratório Quest, o resultado foi negativo exatamente para as mesmas substâncias testadas em Salt Lake City.

  • 48213
  • true
  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/08/12/na-sua-opiniao-anderson-saira-livre-ou-pegara-gancho-ao-ser-julgado-por-doping-pela-comissao-de-nevada.js

A Comissão explica que resultados negativos não são base para se fazer uma denúncia, mas sim os que dão positivo. Ou seja, ela não é obrigado a incluir esse exame nos autos e optou por não fazê-lo. O exame nunca tinha vindo a público por um simples motivo: ninguém nunca pediu por isso. A estranheza disso tudo, inclusive na realização de dois exames, uma prática incomum, fez com que virasse mais um aspecto a ser usado pelo time do Spider.

“O conflito dos testes faz com que a comissão falhe em acusar Anderson e, sendo assim, ele pode ser liberado.”

4. Ansiolíticos e a mentira
A admissão de Anderson se dá no caso do uso de ansiolíticos. Ele confirma que usou remédios na véspera da luta para se livrar da insônia e do nervosismo e conseguir dormir. A Comissão afirma que ele mentiu ao não citar o uso à entidade.

O positivo, neste caso, flagrou as substâncias temazepam e oxazepam – essas substâncias não são proibidas pela Agência Mundial Antidoping (WADA), porém, não são permitidas pela Comissão Atlética de Nevada. Para a defesa, como o documento em que o lutador informa o uso ou não de medicamentos foi assinado e entregue antes da utilização dos ansiolíticos, ele, portanto, não mentiu.

Se a comissão aceitar todo o restante da linha de defesa e o considerar culpado apenas quanto aos ansiolíticos, a pena deve ser branda – e talvez ele possa inclusive já ter cumprido o prazo.

***

O tipo de defesa usado por Anderson, alegando contaminação, não é incomum. Foi usado, por exemplo, por Cesar Cielo, que não foi penalizado em um caso de 2011, quando foi flagrado com furosemida e culpou uma farmácia de manipulação. Já o ciclista Alberto Contador foi pego com clenburetol, disse que a substância pareceu por conta de uma carne contaminada, mas foi suspenso por dois anos.

Como o caso do brasileiro é mais complexo, com três exames – alguns conflitantes -, diferentes substâncias e a alegação da Comissão de que o brasileiro mentiu ao não citar o uso de ansiolíticos e outros possíveis medicamentos, é difícil prever o que acontecerá com o astro. Fato é que ele apostou alto, gritou truco… E até se dá ao direito de ser punido pelo uso de ansiolíticos e ainda assim ter pouco prejuízo moral e esportivo.

A definição desta novela digna de um episódio de “Better Call Saul” nós vemos nesta quinta-feira.


Resultado negativo em antidoping de Anderson Silva foi ignorado em processo
Comentários Comente

Jorge Corrêa


A situação de Anderson Silva em relação ao seu caso de múltiplos flagrantes em exames antidoping continua complicada, mas o ex-campeão dos médios acaba de ganhar uma nova arma para sua defesa. O blog teve acesso a um exame feito na noite da luta em que o resultado foi negativo, porém, ele não foi anexado ao processo contra o brasileiro.

Vou explicar detalhadamente a situação. Antes de subir ao octógono para enfrentar Nick Diaz em 31 de janeiro no UFC 183, Anderson fez um exame antidoping pelo laboratório de Salt Lake City. O resultado foi positivo para o anabolizante drostanolona, como pode ser visto nas imagens abaixo, que estão anexadas nos autos que foram apresentados em fevereiro.

and2
and3

O que não se sabia até agora era de um segundo exame, feito com uma amostra de urina colhida apenas dois minutos ANTES do teste que deu positivo. Neste antidoping, feito pelo laboratório Quest, o resultado foi negativo exatamente para as mesmas substâncias testadas em Salt Lake City. O resultado, conseguido com exclusividade pelo blog, pode ser visto abaixo.

and1

Consultei a Comissão Atlética de Nevada (NAC) sobre os motivos para que esse teste tenha sido ignorado no processo. O promotor do caso, Christopher Eccles, explicou que os resultados negativos não são base para se fazer uma denúncia, mas sim os que dão positivo. Ou seja, ele não é obrigado a incluir esse exame nos autos e optou por não fazê-lo.

Mas por que, então, esse exame nunca veio a público? Simples: porque ninguém nunca tinha pedido. A comissão não é obrigada a divulgar ou avisar que tem esse resultado em mão, ou até mesmo que o exame foi efeito, se ninguém pedir para que seja apresentado.

Vale ressaltar que esse tipo de procedimento, de fazer dois exames iguais em um espaço de tempo tão curto, não é usual e nem faz parte da conduta da Agência Mundial Antidoping (Wada). Além disso, o laboratório Quest não é credenciado pela Wada, mas isso não foi levado em consideração ao deixar esse resultado fora do processo, já que foram eles que detectaram o uso de ansiolíticos por parte do brasileiro, e esse exame consta dos autos.

Os advogados de Anderson Silva já estão cientes deste exame que deu negativo e vão usá-lo em sua defesa. O ex-campeão não deve conseguir uma absolvição por conta disso, mas a ideia é que esse resultado ajude a atenuar a pena final ou até mesmo seja usado para desqualificar os exames feitos pelo laboratório de Salt Lake City.

O ex-campeão dos médios ainda tem um prognóstico muito duro, principalmente por conta do positivo no teste antidoping surpresa feito em 9 de janeiro, em que foram detectadas duas substâncias anabólicas: drostanolona e androsterona.

Como revelou a amiga Evelyn Rodrigues, do Combate.com, no início do mês, Anderson tem até 7 de agosto para entregar uma defesa por escrito e depois o julgamento será marcado, ainda sem data prevista. Os adiamentos para a resolução do caso se deve exatamente por conta deste novo resultado. Os advogados pediram mais tempo para que esse componente fosse analisado e incluído na defesa, além de outros testes que estão sendo feitos.

O único ponto positivo para o ex-campeão dos médios é que ele não será julgado de acordo com as novas regras antidoping aplicadas pela NAC e pelo próprio UFC, regras essas criadas exatamente depois de seu caso. Agora, um primeiro flagrante com anabolizante rende uma suspensão de dois anos no primeiro caso e quatro anos na reincidência.

Pelas regras antigas, Silva deve, inicialmente, ter uma pena máxima de um ano de suspensão. Com esse novo componente no processo, sua defesa espera que ele pegue de seis a nove meses de gancho, pena retroativa ao dia da luta. Ou seja, ele estaria apto a voltar ao octógono entre outubro e novembro deste ano.


Saída de Anderson ‘mata’ TUF Brasil 4, e reality tem fim apagado na TV
Comentários Comente

Jorge Corrêa e Maurício Dehò

Esperava-se muito da quarta edição do The Ultimate Fighter Brasil, com Anderson Silva e Maurício Shogun como técnicos, as gravações acontecendo em Las Vegas e duas categorias em disputa. Mas, acabou na madrugada desta segunda-feira a temporada, com a audiência em queda em um reality show que perdeu seu principal astro, por doping, sofreu sem grandes histórias ou personagens e ganhou pitadas de BBB à sua fórmula.

Sucessor de um TUF cheio de drama e briga, com Wanderlei Silva e Chael Sonnen como técnicos da terceira temporada, esta edição esfriou depois que Anderson Silva foi dispensado por conta de seus problemas com doping. A principal atração dos primeiros episódios, quando já se sabia que o Spider não continuaria (ele foi avisado do problema três dias após a luta contra Nick Diaz, quando já participava da gravação do reality), era acompanhar o processo, assistir ao lutador sendo avisado do doping e a reação de todos a isso.

Leia mais: Anderson e musas não salvam, e audiência segue em queda

Assim, passado o terceiro episódio, quando Anderson foi trocado por Minotauro e Minotouro, as coisas esfriaram. E nunca surgiu um fato novo que reacendesse a faísca do interesse pelo programa. Sem rivalidade entre os técnicos, sem grandes histórias e com poucas lutas memoráveis, o TUF Brasil 4 chegou ao seu final – como programa – cumprindo tabela.

O fato de ter sido gravado em Las Vegas foi o segundo chamariz da Globo e do UFC, mas isso geralmente não desperta grandes amores de quem já gosta de MMA e acompanha o UFC, já que dá uma cara de BBB à atração.

  • 47171
  • true
  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/06/22/o-que-voce-mais-gosta-no-tuf.js

Os bastidores de treinos e lutas tiveram pouco espaço e importância quase nula no programa, parte disso por conta dos técnicos terem pouco a oferecer, com os “boa praça”, Minotauro e Minotouro só perdendo lutas e Maurício Shogun deixando Eduardo Alonso (seu empresário e técnico principal) assumir as rédeas da equipe, inclusive no córner das lutas.

Assim, passeios, baladas, gincanas entre as equipes e até “pegação” roubaram a cena durante esta temporada, já que o contato com as candidatas do concurso de ring girl da temporada foi intenso – algo que foi instigado pela direção e pela presença de Boninho nas gravações. Bruno Korea ficou aos beijos com Jennifer Giacotto. Já André Dedé apareceu beijando a russa Diana Sparks, numa jacuzzi.

No octógono, a partir das quartas de final houve apenas um nocaute em 12 combates, e a qualidade técnica não impressionou, apesar de os finalistas terem feito jus à sua posição. Candidatos a virarem estrelas, nomes como o argentino Nazareno Malegarie, o pupilo de Anderson Silva André Dedé e o dono do melhor nocaute da temporada, Bruno Korea, ficaram pelo caminho.

E, enfim, os números mostram as dificuldades. Neste último episódio, o TUF registrou 7 pontos de audiência, em São Paulo, com 28% de participação, liderando em relação à concorrência. A edição de estreia dava cerca de 15. Alavancada pela novidade Anderson Silva como um dos técnicos, a maior audiência foi justamente a da estreia, em 5 de abril, quando a Globo obteve 10,4 pontos no Ibope da Grande São Paulo (região referência para o mercado publicitário). O resultado não foi repetido pelo programa deste ano e foi superior ao da audiência da estreia da temporada anterior, em 2014, que alcançou 9 pontos, porém inferior aos números do episódio inicial do TUF 1, em 2012, que cravou 15 pontos. O pior episódio teve 6,1 pontos.

Sem espaço de destaque na programação da Rede Globo e sempre indo ao ar já na madrugada de segunda-feira, o TUF quase nada tem a oferecer à emissora aberta. Para ambos os lados, já são mais prejuízos que vantagens. Uma ida à TV fechada, integrando a grade do SporTV ou, em último caso, ficando só no canal Combate, daria peso e uma posição mais nobre ao programa, garantindo novas temporadas – e não uma extinção que deve estar bem longe nos planos do UFC.

Em tempo, as finais ficaram assim: Dileno Lopes pega Reginaldo Vieira no peso galo; Glaico França encara Fernando Açougueiro no peso leve. E a maré de azar foi tanta, que as lutas que seriam disputadas em Miami, neste sábado, tiveram de ser adiadas para 1 de agosto, no UFC 190, por um problema geral do consulado dos EUA com a liberação de vistos…

Confira a audiência de todos os episódios:
5/4 – 10,4 pontos
12/4 – 8
19/4 – 8,2
26/4 – 7,4
3/5 – 7,2
10/5 – 7,2
17/5 – 6,1
24/5 – 6,3
31/5 – 7,1
7/6 – 9
14/6 – 6,9
21/6 – 7,3

*Colaborou Rogerio Jovaneli


Como Chris Weidman está acabando com a velha guarda do Brasil no UFC
Comentários Comente

Jorge Corrêa

Queda e castigo no chão: veja como Weidman venceu Belfort

Se perguntarem 1000 vezes para o campeão os médios, ele responderá 1000 vezes que não há nada pessoal com lutadores brasileiros. Mas o estrago que Chris Weidman está fazendo no legado de alguns dos maiores nomes da “velha guarda” brasileira no UFC é algo irreparável.

Leia também: Vitor deixa chance final de título com amnésia de jiu-jítsu e mancha do TRT

O norte-americano está no auge de sua forma física e técnica, como vimos no UFC 187. Mais que isso, parece que a cada luta ele consegue incrementar ainda mais o seu jogo. Ele é um lutador de MMA moderno, com uma formação orgânica em todas as áreas das artes marciais, mas com uma fortíssima base na sua luta de origem, wrestling. Dessa forma, fica cada vez mais difícil de vencê-lo conforme o tempo passa.

  • 45811
  • true
  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/05/25/quem-deve-ser-o-proximo-rival-de-chris-weidman.js

Os lutadores brasileiros foram caindo, um após o outro, vítimas de um rival que eles não conseguiram prever corretamente o que poderia fazer. Anderson Silva, com 38 anos na época, Vitor Belfort, com a mesma idade, e Lyoto Machida , um pouco mais novo, mas muito rodado, sentiram a força de uma juventude que eles não estavam acostumados a enfrentar.

Anderson Silva enfrentou um rival o qual ele não conseguiu entrar na cabeça, o que fez com quase todos os seus adversários. Claro que o ex-campeão também sempre se garantiu na porrada, mas seus jogos mentais sempre foram seu forte. Weidman simplesmente deu de ombros para as provocações do brasileiro e o nocauteou.

Com uma inteligência de luta cima da média, o norte-americano se preparou para todas as armas de Anderson, inclusive as mentais. No segundo combate, ele também levava vantagem e já tinha conseguido um knockdown quando aconteceu o acidente da fratura da perna do brasileiro.

Contra Lyoto Machida, ele usou sua força mental apenas para se concentrar no combate, não precisou travar batalhas não-físicas com o ex-campeão dos meio-pesados. Mas foi contra ele que o campeão se mostrou um atleta completo de MMA. Lutou por 5 rounds em alto nível, não morreu no gás, recebeu duros golpes e soube absorvê-los, derrubou, jogou no chão, trocou em pé. Fez de tudo um pouco e manteve o cinturão.

No último sábado, ele mostrou que sabe conjugar da melhor maneira possível sua força mental e física. Vitor Belfort, com um discurso motivacional parecido com o de Weidman, foi presa fácil. Pareceu uma criança enfrentando um profissional. Mais uma vez o norte-americano até foi golpeado, mas seguiu em frente e viu um rival aterrorizado e sem reação com essa situação.

Apenas agora ele pode ter um pouco de novidade brasileira em seu caminho. Ronaldo Jacaré não é um menino, tem 35 anos, mas é um atleta com uma visão mais fresca do MMA. Esqueceu seu lado campeão mundial de jiu-jítsu para se tornar um lutador completo nos últimos anos. É a última chance do país de retomar o cinturão dos médios das mãos de Chris Weidman.


Anderson publica vídeo de treino e Jacaré critica jiu-jítsu de Belfort
Comentários Comente

Jorge Corrêa

Foi rápida a reação do mundo do MMA à vitória de Chris Weidman sobre Vitor Belfort, inclusive de importantes nomes da categoria. Até mesmo Anderson Silva, que perdeu duas vezes para o norte-americano, deu uma alfinetada no brasileiro.

Spider não cita Belfort em nenhum momento, mas é difícil de acreditar que não tenha relação. Poucos minutos depois de Vitor ser dominado no chão por Weidman e acabar nocauteado, Anderson postou no instagram um vídeo treinando jiu-jítsu com Ramon Lemos, com ele estando por baixo.

Treino com mestre Ramon …

Um vídeo publicado por Anderson Silva (@spiderandersonsilva) em

  Nos comentários da publicação, muitos internautas apontam a possível provocação de Silva para cima de Vitor. Quem também atacou Belfort, mas de maneira mais direta, foi Ronaldo Jacaré, um dos próximos desafiantes pelo cinturão da categoria e multi-campeão mundial de jiu-jítsu.


Top 5: Belfort está na lista dos melhores chutadores do UFC
Comentários Comente

Maurício Dehò

Os melhores nocautes com chute na cabeça da história do UFC

Damos continuidade à série “top 5” no blog. Já passamos pelos 5 lutadores com as mãos mais pesadas do UFC, passamos pelos 5 maiores artistas da finalização e os cards mais bombásticos da organização. Agora que o UFC 187 está chegando, é hora de eleger o quinteto que tem as pernadas mais certeiras da atualidade.

Os chutes são responsáveis por alguns dos nocautes mais plásticos do MMA, seja de discípulos do taekwondo, muay thai, kickboxing ou até da capoeira.

E pode ser que o card de disputa dupla de cinturão neste fim de semana tenha alguma surpresa nesta linha. Afinal, um dos donos das pernadas mais potentes do momento, Vitor Belfort, vai tentar seu quarto nocaute consecutivo. Os três anteriores foram com chutes, mostrando que ele não manda bem só no boxe – um dos carros-chefe da sua carreira.

Mas, sem mais enrolações, vamos à lista. Como sempre, aguardamos o seu top 5 nos comentários.

Menções honrosas: José Aldo e seus chutes baixos que arrasam pernas, Donald Cerrone, Uriah Hall, Renan Barão, Jon Jones e seus golpes no joelho…

5. Anthony Pettis
Ex-campeão dos leves, o “Showtime” ganhou seu apelido depois de mostrar toda a sua criatividade e habilidade para chutar. (Como todos sabem) o norte-americano derrubou Ben Henderson com uma pernada voadora, em que o detalhe especial foi o impulso que ele tomou na grade. A luta aconteceu no WEC e terminou por pontos. Pettis sempre foi um dos nomes mais versáteis da categoria leve e também bateu com seus pés Joe Lauzon e o ótimo chutador Donald Cerrone

4. Vitor Belfort
O cartel de Belfort não mente: já passados os 35 anos, o veterano achou espaço para se reinventar e trocou os nocautes com socos pelos com chute. Em três lutas, foram dois golpes rodados, em Michael Bisping e Luke Rockhold, e um chute alto brutal que nocauteou Dan Henderson. Influenciado por gente como Cezar Mutante – e sua capoeira – e o técnico holandês Henri Hooft, Belfort não tem a plasticidade de um Edson Barboza, mas aprendeu como poucos o que os pés podem fazer dentro do octógono.

3. Mirko “Cro Cop” Filipovic
O croata é, talvez, o chutador mais famoso do MMA. Tudo por conta da tradição de chutes altos, direto na cabeça dos oponentes, que vitimou vários dos seus rivais, desde os tempos de Pride. Cro Cop, que começou a lutar no taekwondo e caratê tornou famosa a frase: perna direita, hospital; perna esqueda, cemitério. Mas também chegou a ser vítima de sua arma, contra o brasileiro Gabriel Napão. Ainda assim, este é seu principal golpe, aos 40 anos. Foi com ele que bateu o japonês Satoshi Ishii, em dezembro, dando sequência a uma lista de pelo menos dez lutas decididas pelas suas pernas.

2. Anderson Silva

Nocaute de Anderson sobre Belfort - aqui em arte de André Gorobetz - é um dos mais importantes da história do UFC

Nocaute sobre Belfort – aqui em arte de André Gorobetz – é um dos mais importantes da história do UFC

Falar sobre a técnica de Anderson Silva é chover no molhado. Para exemplificar bem o quanto seus chutes foram importantes no UFC, basta notar que sua ponteira no queixo de Vitor Belfort, no UFC 126, foi o estopim para a explosão do MMA no Brasil, transformando o esporte em uma febre. Com seus anos treinando muay thai e taekwondo, Anderson se tornou um dos atletas mais qualificados na área dos chutes. Desde a estreia no UFC, contra Chris Leben, ele sempre usou as pernas tanto para nocautear quanto para abrir espaço para vencer de outras formas.

1. Edson Barboza
Edson Barboza pode não ter chegado ao top 5 do UFC, ou a uma disputa de título, mas o que seus chutes causaram – e causam – mostra que ele é um talento à parte neste quesito. Tudo começou bem antes de seu golpe mais famoso. Edson foi um talentoso lutador de muay thai antes do MMA, com 25 vitórias em 28 lutas, sendo 22 nocautes. No MMA, sua arma principal apareceu no UFC Rio 2, em 2012. Com um chute rodado digno de cinema, ele apagou Terry Etim e ganhou o prêmio de nocaute do ano. E não é só. Edson é criativo, versátil e não aposta só na plástica dos movimentos. Como Aldo, ele sabe usar chutes baixos para arrasar seus rivais, tendo conseguido nocautes técnicos desta forma e um triunfo sobre Evan Dunham com um chute no corpo. Ainda falta um pouco para Edson, mas ele é daquele tipo de lutador que dá gosto de ver no octógono.


Belfort e Weidman lutam para deixar sombra de Anderson Silva no passado
Comentários Comente

Jorge Corrêa

Dono do cinturão por mais de sete anos e com dez defesas consecutivas, Anderson Silva será um assunto eterno quando falarmos do título dos pesos médios do UFC. Mas a disputa deste sábado, no UFC 187, entre Chris Weidman e Vitor Belfort, promete colocar o ex-campeão ainda mais no passado.

O Spider é um ponto em comum para ambos os lutadores, cada um a sua maneira. Para Belfort, a lembrança não é muito boa. Ele foi vítima do chute frontal que alavancou de vez o UFC e Anderson no Brasil. Já Weidman é o carrasco do Brasileiro depois de 16 lutas de invencibilidade na franquia.

  • 45765
  • true
  • http://esporte.uol.com.br/enquetes/2015/05/20/weidman-tem-talento-para-superar-a-sombra-de-anderson-bater-vitor-e-ser-um-dos-maiores-da-historia.js

Com Silva ainda enrolado com o caso de doping de sua última luta contra Nick Diaz, em janeiro deste ano, finalmente os astros dos pesos médios do Ultimate estarão nos holofotes por conta de uma disputa de cinturão. Esqueçam doping, fratura, lesões, TRT, provocações.

Para Belfort, esse luta tem um peso ainda maior para transformar Anderson em apenas um contratempo em sua carreira. Reconhecido como um dos maiores nomes deste esporte por sua história de quase 20 anos no MMA, ele seria o primeiro a conquistar cinturões em três categorias diferentes. No entanto, ele não é campeão do UFC desde agosto de 2004.

Um título não apagaria aquele chute e o nocaute sofrido em fevereiro de 2011, mas transformaria em borrão uma das imagens mais sólidas da história recente das artes marciais mistas.

Com Weidman, a situação é mais amena, mas mesmo assim incômoda. Anderson Silva é como se fosse um fantasma que paira sobre sua indefectível carreira, mesmo com suas duas vitórias sobre o brasileiro. Ele ainda não conseguiu se firmar como grande astro do UFC, muito por conta do que aconteceu nas duas lutas que fez contra o Spider.

Pesa a [injusta] cobrança sobre ele pelo fato de na primeira luta o brasileiro ter brincado e provocado mais do que o normal e na segunda ter acontecido aquele acidente em que o ex-campeão quebrou a perna. Depois de uma defesa de cinturão em um combate muito duro contra Lyoto Machida, ele precisa bater outro dos mais talentosos lutadores de todos os tempos para se firmar como campeão.

“O competidor dentro de mim instantaneamente procura por novas metas. Agora, eu quero limpar a minha categoria, vencer um após o outro. Meu foco agora é dominar completamente Vitor Belfort no sábado. Quero deixar claro que estou acima de todos nos pesos médios. Quero provar mais uma vez a todos que duvidam de mim que eles estão errados˜, explicou o campeão.