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Na Grade do MMA

Cain e Cigano se distanciam de rivais e trilogia vira tira-teima inevitável

Jorge Corrêa

28/05/2013 13h09

Os pesos pesados do UFC têm uma história de altos e baixos ao longo da última década na questão técnica. Mas depois do drama dos anos 2000, quando o evento tinha poucos bons lutadores na categoria – os melhores estavam no Pride – e até Randy Couture fazia frente a caras como Josh Barnett, Tim Sylvia e Andrei Arlovski, o início dessa década veio como um alento. Mas quando parecia que os top contenders até 120kg do UFC estavam equiparados em alto nível, vem Cain Velasquez e Junior Cigano estragar a brincadeira.

O UFC 160 no último sábado mostrou o quanto o campeão dos pesados e o desafiante pelo cinturão estão à frente dos lutadores mais bem ranqueados na categoria. Cain precisou de pouco mais de um minuto para vencer Antonio Pezão – o cara que nocauteou Fedor Emelianenko e Alistair Overeem – e Junior dominou e nocauteou de forma impressionante Mark Hunt, que vinha de quatro vitórias seguidas e de ter quebrado ao meio a mandíbula de Stefan Struve.


Não eram rivais fracos ou inexperientes. Eram adversários gabaritados, mas que ainda sim eles não tomaram conhecimento. O meio tempo que entre o título de Velasquez, o cinturão e Cigano e a retomada de Cain como campeão foi recheado de bons nomes, gente que aparentemente poderia rivalizar com os dois. Além de Pezão e Hunt, podemos falar de caras como Brock Lesnar (em reta final de carreira), Alistair Overeem, Roy Nelson, Frank Mir, Travis Browne, Rodrigo Minotauro, Ben Rothwell, Cheick Kongo, Shane Carwin e outros que apareceram com top contenders, mas acabaram tropeçando no meio do caminho.

Dois casos a parte: Fabrício Werdum tinha uma disputa de cinturão prometida, mas por ter ficado tanto tempo sem lutar por conta do TUF Brasil 2 atrasou sua vida. Agora, mesmo que vença Rodrigo Minotauro em Fortaleza, deve precisar fazer mais uma luta antes do title shot. Já Daniel Comier esbarra no fato de que nunca enfrentaria seu amigo Cain. Seu futuro dentro do UFC deve ser mesmo descer para os meio-pesados.

Com isso, esse enorme fosso que Cain e Cigano abriram para seus rivais diretos fez com que a trilogia entre eles fosse inevitável. Nesse momento, o campeão Velasquez não teria nenhum outro desafiante imediato. Mais que isso, Junior provou que merece essa posição.

Em um momento em que o MMA está em tão alto nível, é difícil existir a necessidade de três lutas entre os mesmos rivais, ainda mais em disputas de cinturão. É raro que depois de duas lutas, um não tenha se sobressaído o suficiente para que uma trilogia não seja vislumbrada. Mas Cain e Cigano, além de grandes atuações contra seus últimos rivais, também tem uma boa vitória para cada lado, entre eles. É o cenário perfeito para o desempate.

Como bem disse o amigo José Ricardo Leite, aqui do UOL Esporte, e que concordei, Cain já mostrou que é o peso pesado mais completo do UFC, wrestling monstruoso, boxe eficiente e ground and pound devastador. No entanto, mesmo alguns degraus abaixo tecnicamente, Cigano é o único lutador que pode fazer frente ao campeão – como já fez com o nocaute de 2011.

Dois vídeos para encerrar o UFC 160

O primeiro é engraçado e envolvendo os dois principais brasileiros do evento. Mesmo depois de ser nocauteado por Cain Velasquez, Antonio Pezão encontrou forças para brincar com Junior Cigano e acariciar o mamilo do amigo durante a coletiva de imprensa.

 
Esse segundo mostra os bastidores do UFC 160, com a entrada dos principais lutadores, o público, os aquecimentos as comemorações. Bem interessante.

 

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