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Na Grade do MMA

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Rafael dos Anjos dormiu no banheiro e matou aula para ser lutador

UOL Esporte

13/03/2015 13h13

Por Maurício Dehò

Rafael dos Anjos pode chegar ao ápice de sua carreira neste sábado. Está em suas mãos – pés, joelhos e cotovelos – a chance de tomar o cinturão de Anthony Pettis e ser o primeiro brasileiro campeão dos leves do UFC. A jornada do lutador de Niterói é marcada pela determinação e a paciência. De um garoto apaixonado pelo jiu-jítsu a uma jornada de 17 lutas no UFC, até chegar ao cinturão, o desafiante teve altos e baixos – sendo o mais baixo deles dormir em um banheiro, quando ainda sonhava ser um lutador de sucesso.

Rodrigo de Souza, primo de Rafael, acompanhou de perto toda essa jornada. Rafael dos Anjos conheceu o jiu-jítsu pela proximidade com os netos de Orlando Barradas, um nome famoso na arte suave. Como havia um tatame na casa dos garotos, aprender os movimentos foi algo natural, e rapidamente o viciou.

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"O Rafael sempre foi uma criança agitada, cheia de energia. Às vezes ele dizia que ia para a escola, mas ia treinar. Minha tia achava que ele estava indo estudar, mas ele não tinha muito compromisso com isso. Já no jiu-jítsu, se tivesse uma placa de funcionário do mês, ele estaria todo mês nela", conta Rodrigo.

Às vezes o garoto ia a pé para os treinos, e quando chegava lá ainda tinha de medir forças com caras mais fortes e mais graduados. Os combates dentro da academia incluíam jiu-jítsu e tapas, e "a porrada comia". Mesmo mais novo, magrinho, ele já acumulava suas vitórias.

O jiu-jítsu foi só sua introdução ao mundo das lutas, chegando ao MMA e estreando em 2004. E com derrota. Precisando ainda achar um sustento mais rentável, Rafael aceitou um convite para dar aulas da arte suave na Alemanha. Só não imaginava a roubada em que se meteria.

"Ele já era faixa preta e recebeu essa proposta. Chegou lá, mandou bem em um campeonato, mas na hora de se estabelecer, não era nada daquilo que falaram, o cara meio que enganou ele. Aí ele passou um perrengue lá, dormiu em banheiro de rodoviária e tudo", relata o primo. "Depois que foi para Hamburgo melhorou um pouco, e ele juntou dinheiro para voltar ao Brasil, que foi quando começou a treinar com o Gordo (Roberto Corrêa de Lima)."

Essa fase marcou uma evolução importante tecnicamente e em termos de resultados. A deslanchada permitiu assinar contrato com o UFC, mas o começo não foi dos esperados – mais uma prova de que ele não teria nada fácil na vida. Rafael perdeu suas duas primeiras lutas, uma por nocaute, e só na terceira venceu.

O momento irregular durou até 2012, ano em que se mudou para os Estados Unidos. Sua melhor série no Ultimate tem 8 vitórias em nove lutas, e boa parte do crescimento do niteroiense vem da parceria com o técnico Rafael Cordeiro, que afiou sua trocação, acrescentando o muay thai como uma arma com que o lutador poderia, de fato contar. Os triunfos sobre Donald Cerrone, Nate Diaz e o nocaute no ex-campeão Ben Henderson comprovaram que ele estava pronto para a disputa de cinturão.

Agora, Rafael conta em entrevistas que fez uma de suas melhores preparações e mostra confiança em desafiar Pettis em todas as áreas, mesmo que o campeão seja um dos lutadores mais técnicos em pé.

A 'chave mestra'

aaaRodrigo diz que a "chave mestra" que abriu as portas para o sonho de Rafael virar realidade foi conhecer Cristiane, sua mulher.

Em vídeo do UFC, Rafael conta que a primeira aproximação entre eles foi um tanto vexatória. Para ela. Cristiane estava trabalhando em um evento de MMA e, ao chamar os lutadores, ficou gritando por um tal de "Rafael dos Santos". O erro acabou virando piada, e permitiu que eles se conhecessem.

"Ele tinha talento para ser lutador, e encontrou a chave mestra em quem poderia fazer isso acontecer", explica o primo, sobre Cristiane ter ajudado também financeiramente e na ida da família para os Estados Unidos, em 2012. O casal tem um filho, que já vai ao tatame com o pai e sonha ser um policial ou um lutador do UFC.

Sobre o blog

Saiba o que acontece dentro e fora do octógono, relembre as grandes histórias e lutas que fizeram o vale-tudo se tornar o MMA. Aqui também será o espaço para entrevistas, análises, debates, polêmicas e tudo que faz do MMA o esporte que mais cresce no mundo.
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